17/08/2013

Serial Killers: Uma Breve História


Novembro de 1983, a revista Time descreveu os serial killers como sendo “Uma nova espécie de assassinos”. Tais comentários eram corriqueiros durante as décadas de 70 e 80, uma vez que o termo (como conhecemos) foi cunhado por Robert Ressler (ou pelo menos ele reclama créditos para si, embora muitos questionem isso), profiler do FBI no fim da década de 1970. Apesar disso, tais comentários, como muitos leitores já sabem, eram errados. Alguns estudiosos professaram ver o primeiro caso de assassinato em série na figura de Jack, o Estripador, assassino que jamais foi pego. No entanto, eles também erraram em suas apostas.  Apesar de demonstrarem um conhecimento um pouco mais apurado sobre o assunto.


O fenômeno serial killers tem sido alvo de intenso estudo e fascínio durante as ultimas décadas. Na verdade, os estudos sobre serial killers surgiram em uma época bem mais recente. A idéia de um assassino que mata por seu bel prazer e volta para suas atividades normalmente, voltando a matar quando suas fantasias se afloram choca e, ao mesmo tempo, fascina e os serial killers ganharam suas versões cinematográficas ainda durante a era do cinema mudo. Mas o fenômeno dos assassinos em série é tão antigo quanto o canibalismo, ou até mesmo tão antigo como a humanidade. Nesse post, iremos viajar no tempo, desde o primeiro serial killer, passando pelos casos mais famosos em cada era, chegando aos casos mais recentes. Os nomes dos assassinos em série serão destacados em vermelho.


Maldade à moda Antiga: Assassinos em série "Pré-históricos".

Roma da antiguidade é conhecido como um império onde a luxúria e o assassinato faziam parte da cultura da sociedade. Muitos psicopatas subiram ao trono no Império Romano. Podemos citar Nero, Calígula, Agripina, a Jovem, mãe de Nero e a imperatriz Messalina, cujo nome serve para designar devassidão.


Agripina, a Jovem, mãe de Nero. Agripina é considerada uma das mulheres mais perversas da história. Ela comandou assassinatos e execuções para abrir caminho para sua subida ao poder. Entre suas vítimas estava seu próprio marido.
Mulheres é a minoria no caso de assassinos em série. Mas, incrivelmente, o primeiro caso (ou primeiros casos) de assassinato serial surge pelas mãos de uma mulher. No cenário sangrento da Roma, surge Locusta, no ano 54 d.C. Locusta foi supostamente contratada por Agripina, a Jovem, para assassinar o Imperador Cláudio, marido da própria Agripina, com um prato de cogumelos envenenados. Esse era mais um passo de Agripina por sua sede de poder. Com a morte de Cláudio, o filho de Agripina, Nero, subiu ao poder, sendo coroado imperador pela Guarda Pretoriana. Muitos questionaram, porém, o fato de Britanicus, primeiro filho de Cláudio, ser o próximo na sucessão ao trono e Britanicus acusou Nero de ser um usupardor. Nero e Agripina contrataram Locusta para preparar um “jantar” para Britanicus. A primeira tentativa de envenenamento deu errado, mas uma segunda tentativa liquidou de vez com Britanicus. Nero podia enfim imperar tranquilo. Em 55 d.C., Locusta foi a julgamento por outro envenenamento, mas Nero, grato com os serviços da mulher, enviou um tribuno à Guarda para resgatá-la da execução.


Experimento cruel: Locusta testa seus venenos em um escravo que agoniza de dor.
Devido sua amizade com Nero, Locusta pode cometer seus crimes sem embaraços. Sempre que ela era detida e acusada por assassinato, Nero lhe concedia imunidade da ação penal. Agripina, ainda com sua obsessão pelo poder, começou a seduzir o próprio filho sexualmente, o que começou a assustá-lo e o imperador mandou a própria mãe para a execução.

Enquanto Nero viveu o sucesso de Locusta estava garantido. Porém, no ano 68 d. C., Nero cometeu suicídio pela espada e o destino da mulher era inevitável. Locusta sobreviveu por sete meses até ser capturada e executada por ordem do imperador Galba, no ano 69 d.C. Sua execução foi brutal até mesmo para a natureza de seus crimes: A Envenenadora foi despida e estuprada por um animal treinado para tal fim (algumas fontes sugerem uma girafa). Depois ela foi atirada aos animais selvagens e estraçalhada viva. Locusta fez pelo menos outras cinco vítimas, embora o número de pessoas mortas por ela possa ser bizarramente maior.

Em suas sátiras, Horácio cita outras duas envenenadoras: Martina e Canídia, que matava suas vítimas com venenos extraídos de plantas e cogumelos nocivos. Não se sabe ao certo sobre essas duas, por isso, Locusta ocupa sozinha o posto de primeira serial killer do mundo.
Agora, viajando no tempo, cerca de 400 anos após a execução de Locusta, nos deparamos com a figura de Zu Shenatir, um rico homem do Iêmen. Seu passatempo favorito: Atrair garotos para sua casa com ofertas de comida, dinheiro ou emprego, submetê-los a sodomia antes de atirá-los para a morte através da janela do andar superior. A quantidade de vítimas do terrível Zu é desconhecida, mas os registros alegam que o assassino foi apunhalado até a morte por um jovem que quase se tornou sua vítima.

Século XI, região da antiga Pérsia, hoje Irã. Surge um culto dissidente islâmico fanático denominadoOrdem dos Hashashin Palavra que significaria usuário de haxixe. O grupo se responsabilizou por diversos crimes de natureza política e religiosa e viam os atentados como encargo de seu deus e regente terreno – “O Velho Homem das Montanhas”- o criador da seita Hassan i Sabbah. Os Hashashin surgiram após a morte do Califa Fatinid, no ano de 1094, pois algums ismaelitas persas, liderados por Hassan, se recusaram a obedecer o novo Califa do Egito e transferiram sua obediência para o irmão do califa morto, Nizar.  No entanto, tanto ele quanto seu filho foram mortos. O neto de Nizar rumou para a Pérsia clandestinamente, formando uma nova linhagem de Imames Nizari. A seita desenvolveu a política de matar os líderes inimigos como parte de uma obrigação religiosa sagrada. Porém, a divisa entre os homicídios sagrados e os assassinatos por dinheiro se obscureceram, quando os Hashashin começaram a trabalhar como mercenários nas Cruzadas.


Hassan i Sabbah, o "Velho Homem das Montanhas".

Os Assassinos eram enviados para suas obrigações após um ritual elaborado, com uso de drogas alucinógenas que produziam “visões do paraíso” e até prática de sexo. Diversas personalidades da época descreverem os Hashashin. O imperador Federico Barbarossa mandou um emissário para a Síria e para o Egito em 1175, onde o homem descreveu haver uma “certa raça de sarracenos nas montanhas dos confins de Damasco, Antioquia e Alepo. Havia entre eles um mestre que inspirava muito medo em todos os príncipes sarracenos e em muitos cristãos por sua mania de matar. Depois, em 1273, Marco Polo passou pela Pérsia e fez um relato diferenteDe acordo com Marco, o “Velho das Montanhas” transformou a terra ao seu redor em um belo “Jardim do Éden”, com belas donzelas, frutas apetitosas e riachos de leite, vinho, água e mel. Ninguém podia entrar no jardim a não ser que se tornasse um Hashashin. O Velho recrutava meninos de 12 a 15 anos, os drogava e, uando despertassem, já estariam aptos a praticarem o assassinato. Evidente que o relato do emissário de Barbarossa era bem mais fiel aos fatos do que o de Marco Polo. A Ordem encontrou seu fim em 1256, quando 12 mil membros foram massacrados pelos invasores mongóis, liderados por Hulaku, neto de Gingis Khan.

Do culto Hashashin surgiu a palavra assassino, hoje usado em nossa linguagem para designar um homicídio quando doloso. O idioma inglês, porém, se manteve mais fiel às origens do termo, onde assassination é usado para descrever assassinatos quando políticos ou religiosos (Sendo killing ou murder usados para descrever assassinatos de uma forma geral), semelhante ao termo atentado, no nosso idioma.

Quase paralelamente ao surgimento da “Ordem dos Assassinos” na Pérsia, outra seita fanática aparece na Índia. Datando do início do século XIII, provavelmente no ano 700, a seita denominada Othag – No idioma híndi significava esconder - Viu seus membros seram chamados Thugs, uma corruptela do nome que escolheram para si próprios. Os Thugs (ou Thuggees) também eram conhecidos como Phansigars no Sul da Índia (Phansi é a palavra híndi que significa “laço”), pois executavam suas vítimas por estrangulamento com um laço que traziam amarrado em suas cinturas. 


Os Thugs.

A Seita era fanática pela deusa Kali, deusa da morte e destruição, responsável pela manutenção da humanidade, e deturpou os costumes e crenças do Hinduísmo. Eles acreditavam que Kali ordenava a execução de pessoas fora do culto, consideradas descrentes e que a cada homicídio a posição do Thug melhorava aos olhos da deusa.  Segundo a lenda, um Thug avistou Kali, que devorava os sacrifícios humanos. Ela então o presenteou com uma costela, um dente e parte de seu Sari, que se transformaram respectivamente em uma faca para desmembras as vítimas, uma picareta para arrancar seus olhos e em um laço para estrangulá-las. Já citei aqui a deusa Kali em “Canibalismo: Uma breve história”, onde inúmeros sacrifícios humanos seguidos de antropofagia foram relatados.


Deusa Kali. Apesar da aparência estranha e das deturpações de seu significado, Kali não é, para os hindus, uma deusa perversa.
Os rituais thugs incorporavam homicídios e roubos ocasionais ao lado de rituais masoquista de auto-flagelo, onde os membros da seita eram flagelados e mutilados, depois eram pendurados em ganchos de carne e se cantava a “Vitória à Mãe Kali”. Os membros do grupo costumavam raptar meninos com cerca de 10 anos de idade para iniciá-los na seita. Todos os ataques ocorriam durante o inverno e havia um protocolo rigoroso a ser seguido: Todo Thug deveria orar diante da estatua de Kali antes de cada assassinato. Eles só roubariam as vítimas se essas fossem executadas de maneira aprovada e era proibido matar deficientes físicos e crianças pequenas, com menos de 10 anos de idade.



Ritual dos Thugs. Os assassinos furam os olhos de suas vítimas, abaixo, carregam corpos.

A seita Thug teve uma vida maior que a Ordem dos Assassinos, durando por 600 longos anos. É impossível se dizer com clareza quantas pessoas morreram pelas mãos dos estranguladores antes das forças policiais da colonizadora Grã-Bretanha reprimirem a seita durante os anos de 1840 e 1850. Cerca de 4.500 thugs foram presos, acusados de inúmeros crimes. Pelo menos 110 foram condenados à morte. Um desses chamava-se Behram (ou Buhram) Jemadar,  nascido provavelmente no ano de 1765 e possivelmente o Thug mais prolífico, reclamando um número de 931 vítimas (podendo ser também o mais prolífico serial killer do mundo), entre os anos de 1790 e 1840. Ele se esgueirava atrás de suas vítimas e as estrangulava com seu rumal, ou pano cerimonial. Porém, pesquisas recentes mostram que Behram foi responsável pessoalmente por menos de um quarto desses homicídios.  O mais famoso Thug foi enforcado em 1840. A seita acabou-se cerca de uma década depois.


Bheram Jemadar, o mais letal dos Thugs.

O Império Romano havia atingido sua máxima expansão territorial no século II, mas foi declinando até seu fim no século V. Começava assim na Europa a Idade Média.
Tanto na idade Antiga quanto na idade Média, a sociedade Européia (Na verdade, as pessoas de todos os lugares) era pouco secular e laica. O comportamento humano aberrante era considerado obra de seres sobrenaturais, como espíritos malignos e demônios, que se apossavam de inocentes e que faziam atrocidades, como estupro, necrofilia e canibalismo. Esse pensamento perduraria até o desenvolvimento das ciências comportamentais, que demonstrariam que um homem pode ser mal por si mesmo.

Durante a Idade média, iniciou-se a “Santa Inquisição”, um tribunal do Vaticano responsável pela punição de católicos hereges. A mais conhecida foi a inquisição espanhola, principalmente pela figura de Thomas Torquemada, bispo inquisitor e confessor de Isabella de Castela. Estima-se que cerca de 2.000 pessoas foram queimadas na Espanha. Na Europa total, estudiosos acreditam que 9.000 pessoas foram julgadas pela inquisição.
Mas nem a ameaça de ser torturado e queimado vivo na fogueira da inquisição intimidou a ação de assassinos em série. Os serial killers surgiram igualmente entre os camponeses e na classe dos nobres. 

Entre 1410 e 1435, o Clã de Sawney Bean, formado por 48 pessoas, assassinou e canibalizou cerca de 1000 viajantes desavisados. A família incestuosa habitava uma caverna no distrito de Galway, Escócia e emboscava, roubava e  matava pessoas ao longo da Costa Escocesa. Capturados no ano de 1435, todos foram executados rapidamente sem passar por um julgamento. As 21 mulheres foram queimadas vivas, enquanto os homens tiveram seus membros amarrados à cavalos, que galoparam em direções diferentes.


Nas chamas da inquisição: Mesmo coma  ameaça de morrer de forma terrível, a ação de assassinos em série não foi inibida durante a Era Medieval.

O mais famoso serial killer medieval foi o barão francês Gilles de Rais, conhecido como “Barba Azul", devido sua barba de cor preto-azulado.  Nascido em Machécoul, Pays de Retz, em 10 de setembro de 1404, na nobreza francesa, Gilles havia sido confidente de Joana D’Arc, durante a guerra contra a Inglaterra se aposentando em 1435. Gilles atraía para seu castelo meninos pobres, onde os alimentava e os vestia. Depois eles eram levados para uma câmara de tortura, onde eram pendurados em um gancho e violentados. Depois,  eram decapitados e Gilles fazia sexo com o cadáver. Caso sua luxúria sanguinária não fosse saciada, o assassino continuava a copular com o corpo, abria o ventre da vítima, retirando as vísceras e se masturbava com as tripas espalhadas. Ele então deitava-se sobre a cama, enquanto os criados limpavam toda a sujeira.


Gilles de Rais, o "Barba Azul Original" recebeu esse apelido por causa de sua barba de cor preto-azulado. Mais tarde, o termo barba azul seria usado para designar um assassino serial que mata esposas, namorada e amantes para receber seguro de vida.

Gilles de Rais foi preso em 15 de setembro de 1440, após raptar um padre em maio do mesmo ano. Eles e seus cúmplices foram acusados de inúmeros homicídios e atos de sodomia. Invocação de demônios, heresia e atos contra a santa majestade. Ele foi enforcado em 26 de outubro de 1440 em Nantes.

Como já citei acima, nessa época, o pensamento da população estava enraizado nas crenças religiosas e em superstições. Gilles, apesar de católico, supostamente praticava magia e, segundo alguns, consultava-se com o próprio Diabo. Ainda nesse mesmo barco, a Europa viu o surgimento de “Lobisomens”, uma lenda sustentada em casos de assassinato serial. 



Lobisomens, lenda amplamente difundida durante a Idade Média. Teria ela ganhado forças com os casos de assassinato serial?

A Idade Média acabou com a tomada de Constantinopla, pelos Otomanos, em 1453, dando lugar à Idade Moderna. Era das grandes navegações e descobertas. Em 1501, A italiana Lucrécia Bórgia foi informalmente acusada de diversos envenenamentos praticados por prazer ou para tirar obstáculos de seu caminho. Lucrécia fazia parte de uma das mais famigeradas famílias da História, os Bórgias, cujo o currículo inclui assassinatos, relações incestuosas, corrupção e a subida de um de seus membros ao papado, Cesar Bórgia. Talvez as acusações contra Lucrécia sejam injustificáveis.

Em 1542, Margaret Davey, uma cozinheira inglesa foi ela própria, cozida. Condenada à morrer fervida viva pelo envenenamento de diversos empregadores sem motivo aparente.


Fervida viva. Assim morreu Margaret Devey.

Entre os anos de 1540 e 1600, uma série de assassinos “lobisomens”, pelo menos cinco deles, foram identificados, presos e condenados na Europa. Alguns serão citados aqui, mas não separei os casos para não tirara a ordem cronológica do texto.

Em 1541, um agricultor cujo o nome se perdeu na história, cometeu uma série de ataques contra homens que trabalhavam em campo aberto. Os ataques eram tão selvagens, que as vítimas eram rasgadas à dentadas. Os crimes ocorreram em Pavia, Itália e o criminoso ficou conhecido como “O Lobisomem de Pavia”. Depois de muita dificuldade, o maníaco foi capturado. Ele garantiu que, a única diferença entre ele e um lobo era seu tamanho, pois, durante os ataques, ele se sentia um lobo crescer dentro de si. O Lobisomem de Pavia foi executado por mutilação no mesmo ano.


O homem lobo espreita: Lucas Cranach ilustra o ataque de um 'homem lobo" em 1512.

A figura de Christman Genipperteinga surge a seguir. Assim como o Thug Behram, Christman Genipperteinga confessou uma quantidade exorbitante de homicídios, 964 ao todo, entre 1568 e 1581. Nascido em Kerpen, sudoeste da cidade de Colônia, Christman vivia em uma caverna, localizada próxima ao um vale, onde tinha uma vista de diversas estradas. O complexo de cavernas fora habilmente construído e tinha tudo o que uma casa poderia ter e Christman estava livre para fazer o que mais gostava: assassinato e roubo. Sete anos depois, Christman mudou-se para Frassberg,onde encontrou uma jovem durante uma viagem para Trier . Christman ficou encantado com a beleza da jovem e a sequestrou. Ela virou sua escrava sexual e foi engravidada várias vezes. Após o parto de cada criança, Christiman assassinava os filhos. Os relatos desse serial killer estão contidos em um panfleto datado de 1581. Christman foi condenado à Roda de Despedaçamento, um dos piores tipos de execução da história. Ele agonizou por 9 longos dias. Entre seus pertences, foi encontrado um livro, onde Christman detalha todos os assassinatos que confessou.

Ao lado de Christman Genipperteinga, na Alemanha e também no ano de 1581, Peter Niers , mais modesto que o conterrâneo, confessava 544 homicídios em rituais de magia e canibalismo. Ele foi preso, fugiu, foi preso novamente, torturado e executado.

 Em 1572, a população de Dole, França, estava aterrorizada por um lobisomem .Várias crianças haviam desaparecido, ou foram encontradas mortas nos arredores da cidade.  As autoridades francesas emitiram um decreto encorajando aos cidadãos de bem apanharem e matarem o lobisomem. Um grupo de trabalhadores vinham para a cidade durante a noite, quando se depararam com uma cena incomum. Um homem se curvava sobre um cadáver de uma criança. Ele era um eremita chamado Gilles Garnier. Preso, Gilles confessou seus crimes e alegou ser um lobisomem. Segundo ele, durante uma saída para buscar alimentos para sua esposa, um espírito apareceu e lhe entregou uma pomada. Essa pomada o transformava em lobo, e Gilles poderia caçar humanos e devorá-los. A primeira vítima de Gilles foi uma menina de 10 anos. O assassino estrangulou-a, retirou suas roupas e comeu pedaços de suas coxas e braços. Depois, Gilles retirou um pouco de carne para sua esposa. Semanas depois, outra criança foi atacada pelo serial killer. Gilles assassinou um menino de 10 anos, comeu pedaços de sua coxa e de seus braços e mais uma vez levou um pedaço para sua esposa. No terceiro homicídio, Gilles não conseguiu canibalizar sua vítima, pois foi atrapalhado por transeuntes. Após matar sua quarta vítima, Gilles foi preso. Considerado culpado por “licantropia, bruxaria e assassinato”, Gilles foi queimado na fogueira em 18 de janeiro de 1573. Diversas testemunhas afirmaram tê-lo visto atacar crianças, muitas alegaram que ele se transformava em lobo.

Na Alemanha, um estripador selvagem estava ativo na década de 1570. Seu nome era Nicklaus Stuller, que assassinou e eviscerou três mulheres grávidas e um soldado. Niklaus foi torturado publicamente até a morte no ano de 1577.

O agricultor Peter Stumpp (Também chamado Peter Stube, Peeter Stubbe, Peter Stübbe ou Peter Stumpf), conhecido como o “Lobisomem de Bedburg", assassinou e canibalizou pelo menos 15 pessoas em Renânia, Alemanha. O relato mais completo sobre ele é de um panfleto publicado em Londres, em 1590, cópia traduzida de um documento da época dos crimes, hoje em dia perdido. O panfleto trás um pouco sobre a vida grotesca de Peter, seus crimes e o depoimento de vizinhos. Peter Stumpp foi decapitado e queimado em 28 de outubro de 1589. Sua filha Beel e sua amante, Katherine Trompin, foram queimadas por cumplicidade nos assassinatos. Entre as vítimas do Lobisomem, está seu próprio filho incestuoso.
Uma gravura descreve a execução de Peter Stumpe, na cidade de Köln, alemanha.
A Islândia produziu um serial killer nos anos de 1590. Axlar-Björn foi executado em 1596 após o assassinato de entre 9 e 18 pessoas, embora seja questionável o seu número de vítimas.

Um assassino com o nome não divulgado, mas que recebeu a alcunha de Lobisomem de Châlons” ou “Alfaiate Demoníaco”, atraía crianças e patronos para sua alfaiataria, em  Paris. As crianças eram torturadas, violentadas e mortas. Após o assassinato, suas carnes eram devoradas pelo alfaiate. O criminosos também realizou emboscadas próximo à florestas. Os crimes do Lobisomem de Châlons eram de natureza tão assustadora, que o tribunal que o julgou ordenou que os documentos do processo fossem queimados. Assim, muitos detalhes dos homicídios foram perdidos, até mesmo a identidade do serial killer. Pouco se sabe sobre ele, mas a história mais aceita é que o criminoso abusava de suas vítimas e cortava suas gargantas, retirando pedaços de carne para comer mais tarde. De noite, “sobre a forma de lobisomem”, segundo relatos das testemunhas, o assassino saltava sobre pessoas na floresta. O Lobisomem de Châlons foi julgado e executado na fogueira em 1598.


Mas o assassinato em série não esta relacionado somente à lenda dos lobisomens. A lenda de outra espécie de malditos ganhou força com a ação dos serial killers: Os vampiros.

 1611, uma mulher era condenada pela tortura e assassinato de pelo menos 80 jovens por puro divertimento sexual. Seu nome: Erzsebet Báthory, uma condessa húngara membro de uma das mais importantes famílias do país. Erzsebet se divertia apanhando jovens camponesas para “serviços no castelo”. Ela as expunha à todo tipo de tortura, junto com seus cúmplices:? Dorkô Zentes, Ficzko Újváry, Ilona, Jô e Katrina Benická. Entre os métodos favoritos de Erzsebet, enumerei alguns: Espetar agulhas sob as unhas, nos seios, lábios e vulva das vítimas. Queimar a vulva das vítimas com vela; Morder a carne das bochechas e seios das vítimas até tirar sangue; Obrigar às vítimas a cozinharem sua própria carne. Erzsebet encomendou a um ferreiro uma jaula com diversas pontas afiadas no interior. Ela aprisionava uma moça jovem dentro da jaula e a aterrorizava com uma lança em brasa.  Os crimes foram cometidos na residência de Báthory, no castelo de Csejth, noroeste da Hungria. A condessa foi presa após o desaparecimento de diversas jovens nobres. Seus ajudantes foram condenado à morte enquanto ela foi confinada em seu castelo, cujas paredes foram lacradas deixando apenas uma passagem para a ventilação, comida e água. Três anos depois, em 1614, Erzsebet Báthory foi encontrada morta. Não se sabe ao certo a data de seu óbito, pois quando o corpo foi encontrado, havia muita comida intocada no local. O número de vítimas de Báthory oficial varia entre 80 e 86 vítimas, mas um caderno escrito pela própria Báthory continha o nome de mais de 650 mulheres, provavelmente suas vítimas fatais.


A "Condessa de Sangue" Erzsebet Báthory.
A condessa era bissexual e sexualmente pervertida, portadora de epilepsia e amante de práticas de ocultismo. Seu comportamento era aberrante, tão aberrante que os feitos de Báthory foram aumentados de forma exagerada. Durante o julgamento, uma testemunha alegou ter visto Báthory manter relações sexuais com o Diabo 100 anos após a morte da condessa. 100 anos após a morte de Báthory, um monge jesuíta escreveu a história dos famosos “banhos de sangue” que nunca ocorreram. Um dos acontecimentos que “sustentariam” o fato, foi a história que Báthory, após surrar uma jovem serva, viu com surpresa o quão fina e pálida a pele de sua mão ficou devido aos borrifos de sangue. Porém, a atividade homicida de Báthory iniciou-se em torno de seus 20 anos de idade. Época em que a velhice não seria uma preocupação para ela.


Bátory se deleita com a tortura de jovens mulheres.
Em Roma, no ano 1659, Giulia Tofania (Ou Louisiania Tofania, Giulia Tofana ou Giulia Toffana) era executada pela acusação de diversos assassinatos. Envenenadora femista profissional, Tofana envenenou maridos indesejáveis de diversas clientes entre 1633 e 1651. A italiana confessou 600 homicídios com a satisfação de não ter matado nenhuma mulher. Tofania inventou o veneno conhecido como Acqua Tofana.

O Assassinato serial surgiu na América com a chilena Catalina de los Ríos y Lisperguer . Durante a era colonial no Chile, a aristocrata Catalina tornou-se símbolo de perversão e maldade feminina ao torturar e assassinar pelo menos 40 de seus inquilinos, sendo posteriormente condenada pelos crimes. Seus cabelos vermelhos lhe renderam o apelido de La Quintrala. Catalina morreu aos 60 anos de idade em 1665, em uma prisão em Santiago.


Poster do filme La Qintrala, de 1958, que recontava os passos de Catalina de los Rios y Lisperguer.

E a onda de serial killers femininas prosseguiu com a francesa Marie-Madeleine-Marguerite d'Aubray, ou simplesmente Marquise de Brinvilliers. Marie conspirou com seu amante o envenenamento do pai. Para isso, ela iniciou uma série de envenenamentos em hospitais, matando inválidos como um “teste”. Marie foi executada por seus crimes em 1676.


Marquise de Brinvilliers foi torturada antes de ser executada. Ela confessou centenas assassinatos, embora esse número  ainda seja inexato.
Quatro anos depois, a França se viu chocada pelo escândalo da “Chambre Ardente” (Câmara Ardente, no português), onde diversas pessoas, incluindo nobres, foram julgadas e condenadas por diversos envenenamentos. Entre os membros da “Casa de Venenos”, estavam a amante do Rei, um falso padre velhaco e a auto-denominada feiticeira Catherine Deshays, também conhecida como La Voisin. A “Casa dos Venenos” deixou um resultado de pelo menos 2.500 vítimas de diversas idades e ambos os sexos, embora La Voisin gostasse de assassinar crianças em rituais de missa negra. A feiticeira foi queimada viva em 22 de fevereiro de 1680. Só houveram dois tribunais de Chambre Ardente na França.


Catherine Dayshes, Madame La Voisin, ilustrada entre demônios e serpentes.
A Rússia estreou nos homicídios em Série com a nobre Darya Nikolayevna Saltykova. Viúva aos 26 anos, Darya herdou uma grande quantidade de dinheiro e uma enorme propriedade, onde vivia com seus criados e seus dois filhos. Rumores de homicídios praticados no interior da mansão começaram a surgir, mas logo foram abafados por se tratar de uma mulher nobre. No entanto, as famílias das vítimas rogaram a Catarina II, que mandou iniciar as investigações. Entre os anos de 1756 e 1762, Darya havia assassinado pelos menos 38 servas por espancamento e tortura. Investigações, porém, sugeriram 100 homicídios a mais. Como não havia pena de morte no país, a assassina foi condenada à ser humilhada publicamente e ao confinamento em um convento. Ela morreu em 1801.


Nobreza de sangue: A bela Darya Nikolayevna Saltykova.

Entre 1766 e 1785, Londres, um assassino em série famoso surgiu, embora muitos acreditam que se trate apenas de uma lenda. Sweeney Todd, o "Barbeiro demoníaco da Rua Fleet" assassinava clientes de sua barbearia, jogando-os em um alçapão. Depois, sua vizinha e amante fazia deliciosas "tortas de vitela", vendidas à toda população de Londres. Estima-se 160 vítimas ao serial killer.  Cheiro dos osso apodrecendo sob se estabelecimento foi a ruína de Todd, que foi preso e executado por seus crimes.


Sweeney Todd, o "Barbeiro Demoníaco da Fleet Street" apanha mais uma de suas vítimas.
Antes de Johnny Depp, Sweeney Todd foi representado por Tod Slaughter, no filme "The Demon Barber of Fleet Street"
Nos Estados Unidos, os sanguinários  Irmãos Harpe aterrorizaram "Wildlerness Trail" na década de 1790, estripando suas vítimas, enchendo os corpos com pedras e atirando-os em rios ou lagos. Estima-se que 70 pessoas tenham sido mortas pela dupla, entre homens, mulheres e crianças. Na mesma década, a população do Rio de Janeiro se via assombrada. Relatos de que uma uma prostituta praticante de feitiçaria estava sequestrando crianças para beber o sangue delas começaram a correr. A mulher em questão era a imigrante portuguesa Bárbara dos Prazeres, uma figura conhecida do Arco dos Teles, zona do meretrício da época. Bárbara havia matado seu marido e seu amante, antes de se iniciar na prostituição. Algumas fontes indicam que Bárbara começou a beber sangue de crianças pobres, abandonadas ou de bebês deixados nas rodas dos enjeitados. Outras fontes sugerem que ela se banhava em sangue quente para se curara da lepra ou do sífilis. Acontece que os relatos da época sobre Bárbara são escassos, e pouco se pode dizer sobre ela. Asssim, o considerado primeiro serial killer do Brasil viria mais tarde. Bem mais tarde. Um cadáver foi encontrado boiando na Baía de Guanabara. Como estava inchado e semi-devorado por peixes, não pode se estabelecer sua identidade. Muitos acreditam se tratar da prostituta.


A "Roda dos enjeitados", localizadas em conventos, onde crianças indesejáveis eram deixadas por mães anonimas. A criança era posta de um lado da roda, que era girada. Do outro lado, as freiras apanhavam a criança e cuidavam dela.

Chegaram os anos de 1800. Nessa parte da história, os relatos de serial killers cresceram ainda mais. Foi nesse século que surgiu um dos mais famosos homicidas em série.Por essa época, diversos "Homens da Montanha", caçadores de cabeças de índios apareceram nos Estados Unidos

Na Bavária, Anna Margaretha Zwanziger envenenou com arsênico 8 pessoas entre 1801 e 1811, 4 delas morreram. Até o ano de 1819, os hóspedes de Lavínia Fisher e de seu marido John, eram mortos e roubados. A dupla foi enforcada em 1820 e Lavínia se tornou a primeira serial killer feminina dos Estados Unidos. John Dahmen, condenado por dois homicídios em Indiana, EUA, confessou outros diversos na Europa e América antes de ser enforcado em 1820. Ao assassino da Nova Inglaterra Samuel Green, foi creditado uma série de homicídios antes dele ser mandado ao patíbulo em 1822. seria ele culpado ou inocente?

Na Europa, o "costume" do assassinato serial prosseguia com a envenenadora alemã Gessina Gottfried, condenada pelo envenenamento de 20 vítimas ocasionais desde 1815 e decapitada em 1828. ela mesmo afirmou ter nascido sem consciência. Na Inglaterra, a dupla de ladrões de corpos William Burke e William Hare, viu um negócio lucrativo na venda de corpos para estudantes de medicina. Cansados de cavar túmulos, Burke e Hare passaram a roubar vidas, assassinando 11 pessoas antes de serem descobertos e presos em 1828. Burke foi levado a julgamento, enquanto Hare passou de criminoso a testemunha de acusação, livrando-se da forca.


William Burke e o magricela William Hare.
Em 10 de abril de 1834, um incêndio começou na mansão da madame Delphine Lalaurie, localizada em New Orleans. Ela não se feriu, mas os bombeiros encontraram um salão enorme, onde escravos estavam acorrentados. Alguns estavam mortos com sinais de tortura e mutilações. Outros demonstravam sinais de experiencias médicas: Um homem havia sido, cirurgicamente, "transformado em mulher" e uma mulher presa em uma gaiola "parecia mais um caranguejo", Havia também baldes com cabeças e outros órgãos humanos podres. Um grupo de moradores se formou para linchar a assassina, mas Delphine conseguiu fugir. Os últimos relatos sobre ela, informam que morreu na Europa, durante uma caça.


A "Socialite sangrenta" Delphine Lalaurie escapou do linchamento, mas supostamente não escapou da fúria de um javalí, durante uma caça na França.

Entre 1836 e 1839, o imigrante espanhol Diogo Alves atirou pessoas do Aqueduto das Águas Livres, em Lisboa. No início, as autoridades portuguesas acreditaram se tratar de uma estranha série de suicídios, mas o assassinato de três membros da mesma família demonstrou que se tratava de homicídios em série. Diogo foi enforcado por seus crimes, cerca de 70 homicídios, em 19 de fevereiro de 1841. Sua cabeça foi decepada e estudada, para que a origem da sua natureza explosiva fosse explicada - não foi - . Hoje, a cabeça do "Assassino do Aqueduto das Águas Livres" está exposta em um museu, conservada em formol.


A cabeça de Diogo Alves.
E nem mesmo a era vitoriana, um período conhecido por seus bons costumes e repressão feminina esteve livre de casos de assassinato em série.

Um pedinte austríaco, Swiatek, cansado de mendigar, recorreu ao assassinato para alimentar sua família. Pelo menos seis crianças foram mortas e canibalizadas por ele em 1850. Um ano depois, a empregada e cozinheira Hélène Jegado era executada acusada de envenenar 50 pessoas, companheiras de serviço e patrões.  Hélène abriu a boca antes da hora, dizendo que "não tinha culpa de nada" antes mesmo de alguém acusá-la de envenenamento. William Palmer foi acusado de assassinar até 14 pessoas, embora não ter sido encontrada nenhuma evidência de envenenamento o ligando às mortes. 

Entre 1860 e 1872, a sem graça Mary Ann Cotton foi responsável pelo envenenamento de pelo menos 12 parentes, entre filhos e maridos. Mary nasceu em Low Moorsen, County Durham, e foi uma criança religiosa, mas expansiva, começando a trabalhar aos 14 anos de idade. Mary se casou pela primeira vez em 1852 e teve 3 filhos. Uma das crianças faleceu por "febre gástrica" e o marido de Mary, William achou melhor fazer um seguro de vida para ele e para os outros filhos. Resultado: William e as outras duas crianças adoeceram e morreram. As mortes, na verdade, eram fruto do envenenamento que Marry Ann realizava com os olhos na grana que receberia. O fim da linha chegou para Mary em 1872, quando o filho de um oficial, Thomas Riley, faleceu de maneira suspeita  Uma investigação começou a e  polícia prendeu Mary Ann Cotton. Mary Ann Cotton retirava arsênico de um papel de parede da cor verde (Esse mesmo tipo de papel era o que forrava as paredes das acomodações de Napoleão Bonaparte e que, possivelmente, foi responsável por sua doença e morte. A envenenadora foi enforcada em 24 de março de 1873. Sua fotografia era vendida a 10 centavos unidade e um versinho popular foi escrito para ela: 
"Mary Ann CottonEstá Morta e enterrada   
Está deitada na cama 
De olhos bem abertos.
Cantar, cantar, oh, o que cantar? 
Mary Ann Cotton está pendurada em uma corda. 
Onde? Onde? Lá em cima, no ar 
Vendendo pudins por um cent o par."

Mary Ann Cotton, a "Viúva Negra" inglesa.

Na década de 1860, Joseph Philipe, assassinou diversas prostitutas na França. Em 1862, os Irmãos Espinosa assassinaram 16 ingleses como vingança pela Guerra Mexicana. E outra família de assassinos, os "Sanguinários Benders", cometia atrocidades no Kansas, assassinando a machadadas pelo menos meia-dúzia de viajantes aos quais hospedaram entre os anos de 1872 e 1873. A família escapou da justiça abandonando o estado. Antes deles, a "Rainha doe venenos", Lydia Sherman abalou Connecticut, no caso de uma esposa maltratada que se tornara uma envenenadora cruel, matando pelo menos 12 parentes: maridos, filhos e enteados até 1871.

Os anos de 1875 e 1879 trouxeram terríveis novidades aos Estados Unidos: Um sacristão de Boston, Thomas Piper, foi enforcado acusado se assassinar entre 2 a 4 meninas por pura maldade. O delinquente adolescente Jesse Pomeroy recebia pena de prisão perpétua aos 14 anos de idade, acusado de violentar, torturara, mutilar e matar outras 4 crianças pequenas. Jesse já havia passado por uma instituição para jovens infratores, mas parece que isso não deu resultado. Na cadeia, Jesse aprenderia oito línguas diferentes e se tornaria muito estudioso, embora seu comportamento continuasse explosivo. Stephen Richards, conhecido como "O Demônio de Nebraska", assassinou pelo menos nove pessoas antes de ser preso em 1879. Entre 1884 e 1885, um serial killer brutal e ainda não identificado matou 16 jovens moça em Austin, Texas. Ele ficou conhecido como o "Aniquilador de Criadas". No ano em que o aniquilador parou de agir, desaparecendo misteriosamente, outra serial killer feminina entrou em ação em Massachusetts: Jane Toppan, uma enfermeira maníaca que foi responsabilizada pelo envenenamento e morte de 31 de seus pacientes, confessados no ano de 1901. Jane fugiu da pena capital, pois foi considerada insana e internada em um asilo para loucos. seu número de vítimas pode ser assustadoramente maior, ultrapassando as 100 vítimas. Mas o mais notório serial killer norte-americano da época surgiu em Chicago na feira mundial de 1893. Herman Mudgett, conhecido pelo apelido de H.H.Holmes, construiu um "castelo de homicídios" adequado ao cliente onde dispunha de hóspedes do sexo feminino. Herman confessou 26 homicídios antes de ser enforcado. No entanto, o número de vítimas pode ser bem maior. H. H. Holmes é muitas vezes erroneamente creditado como o primeiro serial killer dos Estados Unidos.
O "Mestre das Ilusões" H. H. Houlmes. "Nasci com o Diabo ao meu lado... O mal me acompanha desde que fui cuspido para esse mundo... Não pude evitar o fato de ser um assassino assim como um artista não consegue evitar a inspiração para criar..."
Mas o século XIX ainda preparava as ações de um dos mais cruéis e misteriosos serial killers da história:

O primeiro assassino em série moderno.

Se seculos antes o assassinato serial era visto como obra de seres fantásticos  a partir do século XVIII a crença era de que as características físicas determinavam quem era criminoso ou não. Apesar de ser uma consideração absurda, importantes estudos comportamentais foram realizados com base nisso.  Cesare Lombroso escreveu seu "L'uomo delinquente", em 1873, alegando que existiam certos grupos com mais tendencia à criminalidade. Lombroso estava errado, porém, em acreditar que se poderia determinar isso com base em sua aparência física. Antes de Lombroso, era comum pesquisas com uso de frenologia, que consistia em apalpar a cabeça do indivíduo, procurando por desigualdades em seu crânio e determinando assim sua personalidade. O Frances Alphonse Betillon também pegou carona no barco de Lombroso, mas seu sistema de fotografar os criminosos e as cenas de crimes, a bertillonagem, foi mais bem sucedido do que os de seu colega italiano. Porém o estudo mais importante dessa época foi "Psicopatia Sexualis", de 1886, de autoria do alemão Richard Kraft-Ebbing. Nele, o psiquiatra reúne todo tipo de perversão descoberta até a época.

No mesmo 1886, R. L.  Stevenson escrevia sua obra mais famosa, "The strange case of Dr. Jackyl and Mr. Hyde"(Traduzida porcamente para nosso idioma como "O médico e o monstro"). Um conto moralista em que um cientista maluco realiza um experimento que traria para fora toda maldade interna do homem. Seu experimento foi bem sucedido e a outra parte de sua personalidade, o Mr. Hyde, vem para fora. O romance é ambientado em Londres, e isso pareceu bem adequado, pois dois anos mais tarde, as autoridades policiais londrinas estavam às tontas, tentando entender que maníaco estaria matando prostitutas no repugnante bairro de Withechapel.

"Jack, o Estripador" surge em 1888, durante o "outono de horror", entre 31 de agosto e 9 de novembro (O outono no hemisfério norte é em época diferente do nosso). 5 prostitutas tiveram suas gargantas brutalmente cortadas e quatro delas foram evisceradas, segundo manchetes da época, como um porco no mercado. A primeira vítima foi a prostituta de meia idade Polly Ann Nichols, assassinada e eviscerada enquanto cambaleava de bêbada à procura de um cliente na esquina da Osbourne Street com a Withchapel High Street. ela havia sido expulsa do albergue onde estava por não ter o dinheiro necessário para passar a noite. Aliás, devo citar aqui, Withechapel era um lugar miserável, segundo alguns, parecia ter sido transportado de Calcutá para Londres. Muitas prostitutas baratas e maltratadas faziam programa alí por míseros trocados, assim, poderiam garantir uma garrafa de bebida forte e um quarto para dormir. A última frase de Polly foi: "Guarde um quarto pra mim. Logo conseguirei dinheiro. Olhe que lindo chapéu estou usando".

Os crimes do Estripador foram ilustrados por dezenas de artistas ne época e, muitas vezes, traziam mais imaginação que realidade. Nesse desenho, feito para um jornal, o policial encontra o cadáver de uma das vítimas de "Jack".

Oito dias depois, a segunda vítima do Estripador foi feita: Annie Chapman foi encontrada morta em um pátio do número 29 da Hanbury Street. Seu vestido estava levantado e seus intestinos extirpados e postos sobre seu ombro. Um corte profundo em sua garganta quase havia a decapitado. O Estripador atacou duas vezes em 30 de setembro, matando Elizabeth Stride e Catherine Eddowes. Muito se suspeita entre o crime de Elizabeth, uma vez que, ao contrário das outras mulheres, ela não foi eviscerada. Defensores da teoria das cinco vítimas canônicas  porém, afirmam que o assassino foi atrapalhado com a aproximação de um transeunte, por isso teve que fugir antes de eviscerara a moça. Menos sorte teria tido Kate Eddowes, segunda vítima daquele fatídico dia. Ela foi selvagemente eviscerada e mutilada e o assassino atacou também seu rosto. Parece que o criminoso saciou sua sede de sangue de forma ainda maior.


Quem estaria por trás da terrível série de homicídios e eviscerações em Withechapel?

A última vítima canônica do Estripador foi Mary Jane Kelly, uma imigrante irlandesa que estava grávida quando foi morta. Mesmo sendo a mais bonita entre as vítimas, Mary foi a mais "castigada", pois foi a única feita dentro de seu quarto. Assim, o assassino teve mais tempo de realizar suas experiencias macabras na moça. Mary Jane Kelly sofreu tantas mutilações, que ficou irreconhecível.


"Bela como um lírio": Muito se lamentou o fato de não existir nenhuma fotografia de Mary Jane Kelly, última vítima dop estripador. No entanto, estudiosos e artistas contemporâneos, com base nas fotografias do cadáver de Mary, têm representado como seria sua aparência. Esse excelente trabalho acime é de autoria da artista  Jane Coram (clique no nome para ver mais imagens de autoria dela)
Apesar dos inúmeros suspeitos, desde um jogador de críquete suicida até um pintor impressionista, Jack o Estripador jamais foi identificado, deixando mais perguntas do que respostas. O caso desse EM é mitificado de tal forma, que a grande parte das informações sobre ele são falsas. É amplamente dito que o estripador era inteligentíssimo  tinha conhecimento em medicina e  obteve sucesso graças ao seu empenho, assim como também é dito que o estripador era membro da alta classe inglesa ou mesmo fazia parte da realiza, o que são afirmações completamente fantasiosas. De fato, se Jack realmente existiu, sua fuga da justiça se deu mais por pura sorte misturada com as trapalhadas da polícia na época.

No México, outro assassino de prostitutas era detido. Francisco Guerrero, mais prolifico que seu semelhante inglês, assassinou e estripou pelo meno 20 prostitutas entre 1880 e 1888.
Em 1896, Amélia Dyer, uma tecedora de anjos inglesa, é condenada por 15 assassinatos de crianças pequenas. Amelia adotava as crianças, estrangulava e as jogava em um rio. Vocês reconhecerão minhas vítimas pela corda vermelha ao redor do pescoço, dizia a assassina. No ano seguinte, era a vez de Joseph Vacher ser guilhotinado por 14 assassinatos, seguidos de mutilações  vampirismo e necrofilia. O Estripador Francês foi guilhotinado contra a sua vontade. Joseph culpou uma mordida de um cão raivoso pelo seu comportamento doentio.


Francisco Guerrero, o estripador mexicano matou pelo menos 20 mulheres, todas prostitutas, com exceção de sua última vítima, cuja atividade não foi confirmada.


A cabeça decapitada de Joseph Vacher, o "Estripador Francês". Joseph foi arrastado até a guilhotina chutanto, esbravejando e xingando a todos.
Jack, o Estripador foi um prato cheio para jornais baratos e tabloides, cuja venda aumento de maneira exorbitante. A mídia sabe que as ações de um único homicida chama mais a atenção do que crimes isolados. No século XX, os serial killers renderam à mídia escrita suas manchetes mais sanguinárias.

A babá francesa Jeanne Weber é a próxima da lista. Até o ano de 1908, Jeanne assassinou cerca de 15 crianças deixadas sob seus cuidados. Ela foi detida e suicidou-se por estrangulamento manual em sua cela. No mesmo ano, um incêndio destruía a casa de Belle Gunness, e os corpos de suas filhas juntamente a um cadáver sem cabeça foram encontrados. Seria Belle Gunness? A viúva norueguesa naturalizada americana entraria para a história dos Estados Unidos como um dos mais notáveis casos de assassinatos em série praticados por uma mulher. A equipe de resgate exumou cerca de 40 corpos e restos mortais da fazenda de Gunness. Todas vítimas de seus envenenamentos. A suspeita é que Belle tenha forjado sua morte, conseguindo assim fugir da justiça. Há pelo menos três relatos de supostos avistamentos da mulher após o encontro do cadáver decapitado. Em 1911, em quase uma repetição bizarra dos crimes em Withechapel, a polícia norte-americana caçou o "Estripador de Atlanta", assassino e estripador misterioso de pelo menos 15 mulheres.

Em 1912, o universo dos assassinos em série a muito não presenciava o caso de uma feiticeira de estilo próprio, quando, em Barcelona, surge a figura de Enriqueta Martí, a "Vampira de Barcelona". Enriqueta era culpada por diversos crimes, desde exploração infantil até falsa mendicância, mas foi o assassinato serial de crianças para obter os ingredientes para suas poções macabras o negócio mais rentável. Em uma repetição bizarra do conto de João e Maria, dos Irmãos Grimm, Enriqueta praticou o canibalismo e induziu outros a praticá-lo. A bruxa acabou sendo linchada na cadeia em 1913, antes de ir à julgamento. No mesmo ano do linchamento de Martí, os crimes de Billy Gohl eram descobertos nos Estados Unidos. Billy assassinou cerca de 40 pessoas em Washington, jogando suas vítimas em um alçapão que tinha saída para um rio. As autoridades "pescaram" 41 corpos entre 1909 e 1912. E ainda em 1912, na Argentina, o delinquente juvenil Cayetano Santos Godino, o "Pequeno Orelhudo", é preso pelos homicídios de 4 crianças menores.


Enriqueta Martí, a "Vampira de Barcelona. Seu linchamento impediu às autoridades de investigaram à fundo seus clientes.

Porém, o assassino mais alucinante e enigmático dessa época ainda seria conhecido. Na Hungria, Béla Kiss, um astrólogo amador e praticante de ocultismo. Ele comoveu seus vizinhos, alegando que sua esposa o abandonara para fugir com o amante. Em 1912, Béla contratou uma governanta e se relacionou com diversas mulheres, que nunca mais eram vistas. Nessa época, Kiss também começou a juntar tambores de gasolina, pois a guerra se avizinhava. Béla Kiss foi convocado para o combate e nunca mais voltaria para a casa. Em 1916 militares foram até Cinkota, em busca de gasolina. Ao romperem um dos tambores de Kiss, os soldados não encontram combustível, mas cadáveres de 23 mulheres e de um homem conservados em álcool. A notícia de que Béla Kiss havia morrido na guerra circulou, porém ele supostamente foi visto com vida em suas ocasiões diferentes. Será que ele conseguiu enganar a polícia. Entre 1918 e 1919, O Bárbaro de New Orleans golpeou mortalmente 8 pessoas com machado e navalha. Outras vítimas sobreviveram ao ataque do criminosos jamais identificado. Ainda em 1919, a França era abalada pelos crimes de outro "Barba Azul". Henri-Desiré Landru, um homem careca e com uma longa barba, começou a seduzir mulheres para aplicar-´lhe golpes em 1909, mas cansou-se das fraudes e passou ao assassinato em série em 1915. Cerca de 11 mulheres foram mortas por Henri até 1919. Ele as estrangulava e queimava seus cadáveres em um fogão. O "Barba Azul Francês" foi guilhotinado em Versalhes em fevereiro de 1922.


O enigmático Béla Kiss jamais pagou por seus crimes.

No ano de 1922, F. W. Murnau lançava seu filme mais famoso, Nosferatu. O roteiro era uma adaptação do romance Drácula, de Bram Stoker, e contava a história de um vampiro que engana o empregado de um corretor de imóveis e se muda para a cidade de Wisborg. O filme é conhecido como uma obra prima do Expressionismo Alemão, e pareceu uma premonição sinistra, uma vez que a Alemanha seria palco da ação de dois "vampiros" na década de 20.


Nosferatu trás às telas o Conde Orloff, um vampiro de aspecto grotesco que viaja de navio dentro de caixões cheios de terra. "É necessário que um vampiro nunca se afaste do solo maldito onde descansa".
Em Hanover, nas proximidades do rio Leine, em 1924, a polícia realiza uma busca na casa de Fritz Haarman, um informante da polícia, açougueiro e, ao mesmo tempo, atuante no mercado negro. Fritz era acusado de atentado ao pudor contra Karl Fromm, jovem de 15 anos, mas a verdade era muito pior. As ossadas humanas encontradas no rio foram explicadas quando a polícia realizou uma busca na casa de Haarmann, encontrando evidências de diversos assassinatos. Fritz havia matado, conforme sua confissão "trinta, ou quarenta" rapazes e meninos entre 1918 e 1924, embora se encontrou evidências de somente 27 assassinatos. O Modus Operandi de Haarmann envolvia morder o pescoço da vítima para berber seu sangue, descarnar o corpo e vender como sendo carne de boi. Fritz ainda contava com a ajuda do amante homossexual Grans, que tinha prazer em guardar uma peça de roupa da vítima. O Açougueiro ou Vampiro de Hanover foi guilhotinado em 15 de abril de 1925.



Acima, Fritz Haarmann, o "Vampiro de Hanover" seus crimes envolveram sadismo sexual e canibalismo. Abaixo, sua cabeça é conservada em formol.
A cerca de 240 km de Hanover, na cidade de Düsseldorf, Peter Kürten, um serial killer pervertido e criminoso conhecido pela polícia (somando suas penas, passou 27 anos na cadeia, mais da metade de seus 48 anos de vida) iniciava seu reinado de horror que ceifaria a vida de pelo menos 9 pessoas - Homens, mulheres e crianças- embora, na prisão, ele tenha confessado mais de 30 homicídios. Peter sentia prazer sexual ao ver e beber o sangue que esguichava dos ferimentos de suas vítimas. O Vampiro de Düsseldorf foi o primeiro serial killer a ser entrevistado por um psiquiatra, o dr. Karl Berg. Kürten foi guilhotinado em 1930, seu último desejo era ouvir "seu sangue esguichar e borbulhar para fora do pescoço". Tanto sua cabeça, quanto a de Haarmann foram guardadas e estudadas.

Peter Kürten desde cedo estava habituado à violência. Um vizinho o iniciou na prática de bestialismo e tortura de animais. Peter era portador de diversas parafilias, entre elas a hematolagnia, pirofilia, sadismo sexual e zoofilia.

Em 1925, o "Clubista de Toledo", assassino desconhecido, assassinou pelo menos 5 mulheres em Toledo, Ohio.

A década de 20 também trouxe novidades na América do Sul. O Brasil foi "brindado" com dois homicidas em série, surgidos quase que simultaneamente. Em 1926, José Augusto Amaral, o "Preto Amaral" assassinou pelo menos três meninos pequenos em crimes sexuais bizarros. A polícia o prendeu com base no depoimento de testemunhas e de vítimas sobreviventes. No Rio de Janeiro, em 1927,  Febrônio Índio do Brasil, auto-denominado "Filho da Luz" assassinou duas pessoas em crimes que, segundo ele, faziam parte de uma "mensagem divina". Febrônio tatuou as letras DCDXVI (Deus, Caridade, Virtude, Santidade, Vida e Irmã da Vida) no peito d e suas vítimas, em um processo doloroso. Ambos os homicidas eram negros, o que colaborou com comentários racistas. Ambos também tinha em comum sua predileção para meninos e praticaram ataques sexuais contra as vítimas. Febrônio praticava sexo com as vítimas ainda em vida, enquanto Amaral preferia copular com cadáveres. Preto Amaral faleceu 4 meses depois de sua prisão, sem ser levado a julgamento. Frebrônio Índio do Brasil foi internado em um asilo para doentes mentais. Ele faleceu em 1984.

Em 1935, o assassino sexagenário Albert Hamilton Fish era eletrocutado em Withe Plains, New York. Albert foi acusado de sequestrar, violentar, assassinar e canibaliza a garota Grace Budd. Ele havia matado pelo menos outras 3 crianças durante a década de 20. Em seu julgamento, que durou 10 dias, o assassino alegou ouvir a voz de Deus ordenando os assassinatos. Quando soube que iria morrer na cadeira elétrica, Albert Fish festejou. Segundo ele, esse seria o maior dos prazeres de sua vida.

O primeiro crime do desconhecido Assassino do Torso de Cleveland foi descoberto em 23 de setembro de 1935, a partir dali, até 1938, 13 cadáveres seriam encontrados (algumas fontes aumentam esse total para 16). Todas as vítimas eram pessoas aparentemente pobres e foram decapitadas vivas. Somente duas foram identificadas e a polícia até hoje não sabe quem estava por trás da estranha onda de assassinatos. Em 1936, após uma série de desaparecimentos misteriosos, as autoridades da Bélgica recebiam uma carta indicando que deveriam prestar atenção em Marie Alexandrine Becker. a viúva foi presa e sua casa revistada. diversos corpos do marido, do amante e de outros homens e mulheres foram encontrados enterrados no quintal. Marie foi condenada a prisão perpétua.


Um retrato falado de como seria o "Assassino do torso de Cleveland"
Em 1937, Eugene Weidmann se tornava a última pessoa a ser guilhotinada publicamente na França. Eugene iniciou sua vida criminosa com pequenos roubos e assaltos, mas se separou de sua gangue para se lançar em uma carreira de crimes mais sérios. Pelo menos seis vítimas foram feitas por ele. A Segunda Guerra estava em curso. Na Itália, a cartomante Leonarda Cianciulli mata três de suas clientes, transforma a gordura das vítimas em sabão e faz bolo com o sangue delas. Por que ela fez isso? segundo a assassina, para evitar que seu filho fosse levado ao fronte de batalha. 

A segunda Guerra mascarou os crimes de três indivíduos notórios: 

Um dos procedimentos tomados pela Inglaterra para evitar que as cidades fossem alvos de bombardeios noturnos, era deixá-las às escuras. Aproveitando esse cenário, Gordon Cummins invadia casas, estuprava mulheres e as assassinava. Os crimes ocorreram entre 9 e 14 de fevereiro de 1942. Quando as autoridades vasculharam o dormitório do soldado Cummins, encontraram diversos pertences das vítimas. Cummins foi enforcado em junho do mesmo ano. O mesmo destino levou o bem apessoado Edward J. Leonski, em novembro de 1942. Leonski matou três mulheres em maio do mesmo ano porque "ele queria tomar suas vozes".

Mas o mais notório serial killer mascarado pela guerra foi o francês Dr. Marcel André Henri Félix Petiot, o "Carniceiro de Paris". Em 1944 Petiot atraía judeus fugidos do holocausto com a promessa de uma viagem segura para a América, no entanto, as vítimas recebiam injeções letais e Petiot afanava seus pertences. Marcel Petiot foi condenado por 27 assassinatos. em sua defesa, ele alegou que se tratavam apenas de nazista, o que foi desmentido posteriormente. O doutor foi guilhotinado em 25 de maio de 1946. Dizem que sua cabeça permaneceu risonha ao cair na cesta da guilhotina.
Marcel Petiot em seu julgamento: "Matei aquelas pessoas e vocês irão me absolver. Depois irei confessar mais assassinatos e vocês também irão me absolver. A França não terá coragem de condenar um homem que acabou com a vida de vários colaboradores nazistas..." Apesar da certeza da absolvição Petiot acabou guilhotinado.
A próxima assassina da lista, com 4 vítimas em seu "currículo" é a australiana Caroline Grills, uma idosa "envenenadora por diversão". Condenada à morte, Caroline faleceu de peritonite aguardando sua sentença. Um dos piores assassinos modernos do Reino Unido apareceu em 1944. John George Haigh assassinou 6 pessoas para se apoderar de seus bens. Sua forma peculiar de se livrar dos cadáveres, dissolvendo-os em ácido lhe rendeu o apelido de "Assassino doa Banhos de Ácido", no entanto, o serial killer preferia se chamado de "vampiro". Haigh foi enforcado em 1949. O casal Martha Beck e Raymond Fernandez ficaram conhecidos como "Assassinos dos Corações Solitários", assassinando três mulheres carentes e um criança a tiros e marteladas entre 1947 e 1949. As vítimas eram atraídas por anúncios em jornais. 


O "Assassino dos banhos de ácido" John George Haigh, com seu inseparável sorriso no rosto.

Em 1952, uma série de homicídios sexuais estava dando trabalho para a polícia de São Paulo. Por trás deles, surge a figura de Benedito Moreira de Carvalho, o "Maníaco de Guaianases". Benedito confessou uma série de 10 estupros seguidos de homicídios. Ele havia começado sua carreira criminosa como estuprador. Um dos "piores demônios a caminhar pelo mundo", o inglês John Halliday Christie, foi executado em 1953, pelo assassinato de pelo menos oito mulheres desde 1943. Alguns cadáveres foram descobertos pelo novo inquilino do Número 10 da Rillington Place, em Londres e John Christie recebeu o apelido de "O Estrangulador da Rillington Place".


Benedito Moreira de Carvalho, o "Maníaco de Guianases", popularizou o termo "tarado" e "maníaco". Considerado, ainda hoje, um dos piores serial killers da história nacional.

Porém um dos assassinos mais notórios da década de 50 surgiu nos Estados unidos, em 1957. O estranho fazendeiro Edward Gein atraiu para si todos os holofotes por seus crimes bizarros em um caso de um violador de túmulos com fixação pela sua mãe que se torna um assassino. Ed matou duas mulheres idosas, mas é suspeito de outros oito homicídios. Em sua casa, a polícia encontrou cadáveres despedaçados, usados na confecção de utensílios bizarros, como uma tigela de sopa feita a partir de um crânio humano e roupas confeccionadas com pele de gente. Ed serviu de inspiração para diversos personagens da ficção, como Norman Bates, de "Psicose" e Buffalo Bill, em O "Silêncio dos Inocentes".

O "nerd" estrangulador Harvey Murray Glatman não foi um assassino prolifico, com apenas 3 vítimas, mas seu caso pos em ação um dos detetives mais brilhantes da história americana, Pierce Brooks, cujos feitos serviram de inspiração para o programa VICAP (Programa de Captura aos Criminosos violentos). Harvey assassinou 3 mulheres entre 1957 e 1958. ele as amarrava e tirava fotografias delas, vivas e mortas. Glatman foi executado na câmara de gás de San Quentin em agosto de 1959. E fechando a década de 50, Peter Manuel, nascido nos Estados Unidos em 1927, praticou uma matança sem precedentes em Glasgow, Escócia entre 1956 e 1958.


Uma das vítimas de Harvey Glatman.

Os anos 60 produziu alguns dos serial killers mais notórios da história. A começar pelo misterioso "Estrangulador de Boston", que assassinou pelo menos 13 mulheres entre 1962 e 1964. O estrangulador começou invadia a casa de mulheres idosas, que moravam sozinhas, as violentava e estrangulava com peças do próprio vestuário. Depois, de forma misteriosa, o assassino mudou seu perfil de vítima, atacando mulheres jovens. Albert DeSalvo, que cumpria pena de perpétua por crimes sexuais confessou ser o estrangulador, embora sua culpa nos crimes seja um mistério. DeSalvo não foi formalmente acusado pelos crimes e morreu após ser atacado na prisão. Seu assassinato também permaneceu um mistério.

Em 1963, o casal de namorados Ian S. Brady e Myra Hindley assassina sua primeira vítima, uma adolescente de 16 anos. Nos três anos seguintes, a dupla mataria pelo menos mais 4 crianças e adolescente, embora o número de vítimas pode chegar até 11. As vítimas eram violentadas e torturadas  sendo posteriormente estranguladas com plástico ou degoladas. O último a morrer foi um adolescente de 17 anos, Edward Evans, morto a machadadas. O fato de que 4 das vítimas foram enterrados nos charcos de Saddleworth, rendeu à Ian e Myra o apelido de "Moors Murders". A dupla recebeu pena de prisão perpétua por seus crimes. Myra Hindley faleceu aos 60 anos em 2002. Ian Brady continua atrás das grades.



"A face do Mal": Os nomes de Ian Brady e Myra Hindley se tornaram sinônimo de tudo o que há de mais sujo e perverso no mundo.
E quase um século após os crimes de Withechapel, outra geração de prostitutas precisou conviver com o medo de serem mortas. O assassino conhecido como Jack, o Stripper, pois os cadáveres das mulheres eram abandonados nus, matava suas vítimas durante o sexo oral. O fato de algumas vítimas tiverem os dentes arrancados sugere que o assassino as sufocava com seu próprio órgão genital. Jack, assim como seu xará vitoriano jamais foi identificado e preso.

Não identificado também ficou o assassino conhecido como "Bible John", atuante na violenta Glasgow, entre os anos de 1968 e 1969. As vítimas de John foram três mulheres amantes da dança. O assassino citava passagens bíblicas, daí o seu apelido. Na Inglaterra, uma menininha de 11 anos de idade ia a julgamento. Mary Bell havia matado duas crianças menores com certa selvageria, além de gostar de insultar os parentes de suas vítimas. Ela foi presa como delinquente juvenil e, atualmente, vive no anonimato, com nova identidade.

Em 1969, Jerome Brudos, um assassino fetichista, era preso por três homicídios em Portland, Oregon, EUA. Jerry praticou crimes sexuais bizarros, mutilando suas vítimas e se vestindo com as roupas dela. Portador de parafilias como o fetiche por sapatos e o tranvestismo, ele se declarou culpado das acusações e recebeu pena de prisão perpétua, vindo a falecer de câncer em 2006.

Por último, mais um assassino serial não identificado estava ativo no estado de San Francisco entre 1968 e 1969. "O Zodíaco" matou a tiros 7 pessoas, embora tenha reclamado mais de 40 vítimas, e enviou cartas enigmáticas às autoridades e à mídia. Com base nos seus crimes, sabe-se que o assassino corpulento, tinha conhecimento de códigos e provavelmente era um militar. Um sobrevivente reconheceu Arthur L. Allen como sendo seu agressor, no entanto, depois de sua morte, um exame de DNA foi feito e o resultado da amostra recolhida em uma das correspondências do zodíaco deu negativo. será que haviam dois assassinos, Allen não era o Zodíaco, ou o Zodíaco pedia para outra pessoa lamber seus selos? Talvez, nunca saberemos.


Retrato falado do "Zodíaco".
Na década de 70, novidades. Os estudos criminais se sofisticaram ainda mais. A década de 70 também foi uma das épocas que teve mais homicidas conhecidos, sobretudo nos Estado Unidos. Na década de 50, alguns autores escreveram "série de assassinatos" e "Assassinos em cadeia" para descrever serial killers. porém até o momento, serial killers eram chamados de "Assassinos em Massa". O FBI , principalmente Robert Ressler, achou importante a separação entre os múltiplos assassinos e definiu o que seriam características de assassinos em massa (mass murders) e assassinos em série (serial killers). O serial killer foi definido como alguém que pratica três ou mais homicídios, com o período de inatividade entre eles e em locais diversos. 

No entanto, tal definição continha alguns furos: Primeiro, quanto ao requisito de três ou mais assassinatos. As outras categorias de homicidas - homicida comum, duplo homicida e triplo homicida (o título é auto-explicativo), homicida em massa (4 homicídios em um mesmo local sem período de esfriamento) - Não faziam menção de 2 homicídios praticados com um período de resfriamento (como o caso de Ed Gein e Mary Bell) deixando esse grupo sem classificação, uma vez que o duplo homicida diz respeito apenas a assassinos que fizeram duas vítimas em um mesmo momento e local (como o caso de Lizzie Borden). Outra questão era a obrigatoriedade de crimes praticados em diversos locais, o que excluía da lista homicidas que atraíam suas vítimas (como Báthory e Béla Kiss). Posteriormente o termo passou por mudanças e a definição atual mais aceita é de serial killer como sendo: Um homicida que pratica dois ou mais assassinatos, com um período de reflexão entre os crimes, sendo tais crimes praticados em um único local ou em diversos e cujas ações da vítima não preceda o crime. Mas uma questão ainda permanece aberta: Quanto tempo é necessário para se definir um período de esfriamento? Horas? Dias? Meses? Não satisfeitos, o FBI criou uma sexta categoria de assassinos: Os Spree killers. Spree killers, também chamados como Assassinos Rampage, são homicidas que matam 3 pessoas em um único evento - sem período de esfriamento -  e em diversos locais diferentes (Como no caso da Família Manson). Mesmo após a criação de mais uma categoria, a questão sobre o tempo de período de esfriamento ainda gera discussões.

Começamos a década de 70 citando o gigantesco Edmund Kemper, que em 1973 se entregou a polícia após assassinar 8 pessoas, incluindo a própria mãe. Kemper teve uma infância degradante ao lado de sua progenitora e sentiu que a morte dela acabou com seu desejo de matar. As vítimas de Kemper, no geral, eram jovens estudantes, atraídas para seu automóvel com promessa de carona. Kemper as matava e canibalizava. Na cadeia, Edmund Kemper concedeu entrevistas, uma delas ao profiler Robert Ressler. 1973 também foi o fim da linha para Dean Corll, o "Homem do Doce", um assassino em série lascivo que torturava, molestava e assassinava suas vítimas. Dean acabou sendo morto com um tiro por um de seus cúmplices Elmer Henley. 


Edmund Kemper III. Quando perguntado o que ele pensava quando via uma moça bonita na rua, Kemper disse: "Um lado meu pensa como seria bom ficar com ela, namorara com ela. Meu outro lado, bom, ele se pergunta como ficaria sua cabeça na ponta de um espeto?" Foram frases desse tipo impediram sua condicional em todas as suas tentativas de liberdade.
Assassinos viajantes são mais raros. serial killer geralmente atuam em uma área que conheçam bem, a chamada área de conforto. No entanto, esse não foi o caso de Charles Sobhraj, a "Serpente do Deserto". Entre 1972 e 1976, Charles assassinou pessoas na Turquia, Tailândia, Índia, Afeganistão e França. Ele atraía suas vítimas se passando por um mago poderosíssimo, mas seu único poder era violentar e matar suas vítimas. Randy Kraft, um "pacífico e não violento trabalhador", foi um serial killer cujo reinado de horror durou muito tempo. Desde 1972 até 1983. As vítimas de Randy eram rapazes jovens, mortos por estrangulamento após serem atacados sexualmente. O próximo assassino também teve um reinado longo, apesar de um número de vítimas médio. Dennis Rader, o Estrangulador BTK (Bind, torture and kill - amarra, tortura e mata), matou 10 vítimas entre os anos de 1974 e 1991. Dennis invadia a casa das vítimas, as torturava e as estrangulava.

John Wayne Gacy é o próximo da lista. Se por um lado, Gacy era um animador de festas infantis, um empreiteiro de sucesso e ativo em política, sua outra face foi mostrada em 1978. Entre 1972 e 1978, John Wayne Gacy cometeu  pelos menos 33 homicídios. Era o maior número de vítimas confirmadas de um assassino em série até então. O "Palhaço Assassino" foi executado em 10 de maio de 1994. Theodore Bundy iniciou sua série de homicídios em 31 de janeiro de 1974, em uma matança que duraria até 1978 e deixaria um total de 27 jovens mulheres mortas. Em comum, as vítimas tinham os cabelos compridos, escuros e partidos ao meio. Ted foi preso em 1975, porém, sendo um assassino depravado insaciável  Bundy conseguiu fugir duas vezes, sendo que na segunda ele ficou foragido por um ano. Ele então cometeu mais assassinatos. Bundy fazia o tipo de assassino galã e sua bela aparência atraiu dezenas de seguidoras, fãs e admiradoras, que enviavam cartas para ele. O assassino casou-se com uma delas e teve um filho por inseminação artificial. Ted Bundy foi executado em janeiro de 1898. Um dia antes de sua execução, Bundy concedeu entrevista a James Dobson.
O charmoso Ted Bundy, conhecido como "Picasso dos assassinos em série" enganava suas vítimas usando um falso gesso no braço.


John Wayne Gacy vestindo sua fantasia de Pogo. "Um palhaço só pode se dar bem como assassino", disse.

A população do Bronx, em Nova York, mesmo acostumada com a violência de gangues, não estava preparada para a onda de homicídios que teve início em 1976. Seu autor, David Berkowitz, o chamado "Filho de Sam". David supostamente escutava a voz de um demônio que o incutia a atirara em pessoas na rua. Um total de 6 vítimas foram feitas. O assassino foi preso quase que por acaso em 10 de agosto de 1977, após estacionar seu carro de forma irregular. No ano de prisão de Berlowitz, a dupla de primos Keith Bianch e Angelo Buono iniciava a série de assassinatos por estrangulamento que lhes renderiam o apelido de "Estranguladores de Hillside". Bianchi também foi suspeito de ser o "Assassino do Alfabeto", um criminoso inteligente e audacioso que assassinou três crianças católicas entre 1971 e 1973, apesar de nenhuma ligação entre o estrangulador e o Alfabeto ter sido feita. Os primos foram presos e foram condenado à prisão perpétua. Na cadeia, ambos se casaram.

Um dos mais prolíficos casos de assassinato serial da América Latina teve início em 1978. A "Besta dos Andes" Pedro Alonso López percorreu três países andinos - Colômbia, Peru e Equador - Assassinando meninas, principalmente as de origem latina. O maníaco deixou um total de 110 vítimas, embora tivesse reclamado o número de 350. Solto, Pedro Alonso sumiu do mapa.


Pedro Alonso López. "Gosto das meninas do Equador... Elas são tão inocentes..."

Na Inglaterra, Dennis Andrew Nilsen foi o primeiro homossexual reconhecido a cometer homicídios em série. Sua primeira vítima foi feita em 1978 e o serial killer matou ou tentou matar pelo menos 22 pessoas. Dennis enterrou cadáveres, escondeu-os sob o soalho e, após se mudar, passou a se desfazer dos cadáveres jogando-os aos pedaços no vaso sanitário. Esse foi seu fim, uma vez que o entupimento do encanamento o levou a prisão em 1983.Em 1980, na antiga União Soviética, Nikolai Dzumagaliev caça pelo menos 8 mulheres e as mata, servindo a carne das vítimas para amigos durantes animados churrascos em sua propriedade. seus dentes de prata o renderam o apelido de "Presas de Metal". Atualmente, o assassino está solto e pode estar em qualquer lugar do mundo. Não foram registrados novos crimes praticados por ele. No mesmo ano, Clifford Olson começou a agir no Canadá, deixando um total de cerca de 80 mulheres mortas. Clifford cobrou 10 mil dólares para revelar onde cada corpo estava enterrado. Segundo o próprio criminoso, se solto, voltará a matar novamente. Ainda em 1980, mais de uma década de assassinatos e eviscerações contra prostitutas na Inglaterra são explicados com a prisão de Peter Sutcliffe, o Estripador de Yorkshire. Em uma espécie de "limpeza social" Peter atacou 13 mulheres a martelçadas e facadas. O caso do estripador se tornou notável por ser o serial killer mais caro da história do Reino Unido até agora. Ainda no primeiro ano da década de 80, ocorreu a prisão do mutilador Richard Cottinghan, em New Jersey. O americano assassinou 6 mulheres e esquartejou seus cadáveres para, segundo ele, criar sensacionalismo.

A próxima da lista é a homicida de crianças Genene Jones. Entre 1981 e 1982, Genene matou cerca de 47 crianças que estavam na UTI do Bexar Country Medical Center, em San Antonio, Texas. Genene praticava a eutanásia, segundo ela, por misericórdia das crianças.

Um dos mais notórios casos de parceiros no crime, veio com a dupla Leonard Lake e Charles Ng (pronuncia-se ing), na Califórnia. Em junho de 1985, Charles Ng roubou  uma viga de uma loja de materiais, pondo-a em um automóvel estacionado ali perto. A polícia foi chamada e o ocupante do veículo, Leonard Lake, foi impedido de deixar o local. Para pesadelo de Lake, sua carreira de crimes acabaria com um roubo bobo. Sob custódia, Leonard Lake se suicidou. A polícia vasculhou sua casa e encontrou vídeos chocantes, que mostravam a tortura de 21 mulheres. 15 haviam sido assassinadas. Lake e Ng sequestravam, às vezes, famílias inteiras, matavam as crianças e os homens, usando as mulheres como objetos sexuais. Ng foi preso e condenado à morte, atualmente está aguardando sua execução.

Os habitantes da Califórnia tiveram que conviver com o terror, quando o assassino desconhecido apelidado "The Night Stalker" assassinou e estuprou pelo menos 10 vítimas em 1979. Isso seria apenas a preparação para um homicida ainda pior. Richard Ramirez, ganhando a também alcunha de "Night Stalker", um auto-proclamado satanista, assassinou 13 pessoas com tiros, facadas e marteladas entre os anos de 1984 e 1985. Ramirez foi preso e quase linchado. Ele recebeu pena de prisão perpétua, mas a morte chegou mais cedo pra ele em 7 de junho de 2013.  O "Night Stalker" original nunca foi identificado.

Uma das vítimas de Richard Ramirez, o "Perseguidor Noturno 2".

Em 1987, o francês Thierry Paulin confessou seus crimes e delatou seu amante Mathurin como cúmplice  Encolerizado com a avó, Thierry  iniciou uma série de homicídios contra mulheres com mais de 65 anos. Na cadeia, o assassino recebeu o diagnóstico da aids, e veio a falecer em 16 de abril de 1989, ainda sem julgamento. A idosa e, aparentemente dócil, Dorothea Puente provou que uma idosa ainda tem pulso firme para cometer assassinatos em série. Entre os anos de 1985 e 1988, Dorothea foi a julgamento por nove assassinatos, mas foi considerada culpada em 3. Na cadeia, a assassina escreveu um livro de receitas. Dorothea morreu em 2011, aos 82 anos de idade.

A Década de 80 prosseguiu com o casal de bruxos e traficantes mexicanos Adolfo de Jesus Constanzo e Sara Aldrete, os "Narcosatanicos". A policia investigava, em 1987, o desaparecimento de um estrangeiro quando, ao entrar em um dos galpões de Constanzo, se deparou com grande quantidade de cocaína e maconha. Também se deparou com um estranho altar, cheio de cabelo humano, sangue seco, massa cefálica e uma caveira de bode. as vítimas do culto eram sacrificadas em rituais satânicos, ou mortas por ligação ao tráfico de entorpecentes. Toda vez que uma grande venda de drogas era feita, uma pessoa era sacrificada no atar. Constanzo foi morto por um de seus seguidores durante uma perseguição policial. Sara recebeu pena de 62 anos de cadeia por cumplicidade em assassinatos. 


Jornal noticia os crimes dos "Narcosatanicos". À direta, Adolfo Constanzo, à esquerda Sara Aldrete.

A América Latina ainda teve mais um grande caso de repercussão na década de 80: Daniel Camargo de Barbosa. O colombiano já havia sido preso por agressão sexual e assassinato, sendo confinado em uma prisão na ilha de Gorgona, mas fugiu para o equador. Entre 1986 e 1988, Camargo assassinou, segundo sua confissão, pelo menos 77 meninas. Dizem que foi morto na cadeia pelo primo de uma das vítimas, mas nada se sabe sobre isso. Em 1989, a fazenda do casal de idosos Ray e Faye Copeland é escavada após denuncias de que empregados temporários estavam sendo assassinados. Enquanto Ray assassinava as vítimas com um tiro na nuca, Faye fazia uma bizarra coucha de retalhos com as vestes delas. Três cadáveres e outros restos mortais foram encontrados na fazenda e Ray e Faye foram as pessoas mais idosas a serem executadas nos Estados Unidos, suas idades eram, respectivamente, 76 e 69 anos. E fechando a década de 80, o quarteto de enfermeiras austríacas chefiado por Waltred Wagner, cometeu inúmeros homicídios no Lains General Hospital, assassinando "por misericórdia" 49 pacientes.


Durante a década de 70, Daniel Camargo de Barbosa esteve no Brasil portando documentos falsos e acabou sendo extraditado. Atualmente, acredita-se que esteja morto, embora essa informação não tenha sido confirmada.
A década de 90 começa com as notícias da prisão de Aileen Carol Wuornos. Aileen era uma prostituta que gostava de atirar e em clientes do sexo masculino, 7 morreram, e roubar seus pertences como forma de obter vingança sobre os homens em geral. Ela foi executada em 9 de outubro de 2002. Uma dúvida persiste em relação a culpa de Aileen, que alegava ter sido vítima de estupro e apenas se defendeu. Outros defende que ela deveria passar por tratamento psiquiátrico, pois era completamente louca. Em 1990 os Estados Unidos acompanhou a prisão de outro assassino em série: Danny Rolling. Rolling atribuiu seus atos violentos a sua personalidade alternativa, Gemini. Embora essa alegação, Danny foi executado em 25 de outubro de 2006.


Desejo Assassino: Aileen Wuornos, em seu julgamento. Ao ouvir a decisão do juri, Wuornos disse: "Sejam estupardos, ralê da América! Que seus filhos sejam estuprados... Todos pela bunda!" Aileen sustentou que todos os seus 7 assassinatos foram cometido para evitar ser estuprada.

Ainda em 1990, o pior assassino em série do regime soviético, Andrei Chikatilo, saiu de cena. Com 53 homicídios nas costas, cometidos entre 1978 e 1990, Andrei foi julgado em 1992, permanecendo durante todo o tempo em uma cela no meio do tribunal. Seu comportamento era aberrante e ele se auto-denominou um "lobo enraivecido". Os crimes de Chikatilo envolviam estupro, evisceração e canibalismo, e ele ficou conhecido como "O Estripador de Rostov". Um ponto que atrapalhou as investigações era a cisma do regime soviético de que era impossível ação de um serial killer em país comunista. Mas, como já vimos aqui, serial killer agem em todos os lugares e sob diversas circunstâncias, não sendo, unicamente, frutos do ambiente em que vivem. A União Soviética já havia presenciado serial killers em seu território, como o desconhecido Ivan, o Estripador, Anatoly Slivko, Vladmir Mukhankin e Vladimir Ionosyan. Considerado culpado em 52 casos, Chikatilo foi condenado à morte e desejou ter seu cérebro desmontado e estudado. Em 15 de fevereiro de 1994, Andrei foi levado de sua cela e recebeu um único tiro de fuzil na nuca. 

"A Besta Enlouquecida" Andrei Chikatilo em seu julgamento. Algumas pessoas acreditam que Chikatilo não teve um julgamento justo, pois deveria ser considerado louco e internado em uma clínica psiquiátrica. Chikatilo mostrou a genitália e disse: "Olhem para essa coisa inútil! O que vocês pensam que eu poderia fazer com isso? Não sou homossexual! Tenho leite em meus peitos e darei à luz!" O "estripador de Rostov" foi executado com um único tiro na nuca.

Atravessando o oceano chegamos ao caso de Berveley Allitt, um enfermeira da ala infantil tinha a chamada Síndrome de Munchausen, um distúrbio em que a pessoa necessita chamara a atenção fazendo mal a si mesmo ou a outros. pelo menos 7 crianças foram assassinadas pelo "Anjo da Morte". O próximo assassino da lista é o canibal norte-americano Jeffrey Lionel Dahmer, que abalou a cidade de Milwaukee em 1991, após a descoberta de seus crimes envolvendo necrofilia, desmembramento e canibalismo. Jeffrey assassinou pelo menos 17 rapazes e meninos, alguns foram lobotomizados na tentativa de se criar um "zumbi" sexual. Em julho de 1991, mais de uma década depois de seu primeiro assassinato, Jeffrey deixa a vítima Tracy Edwards escapar. Tracy alertou a polícia sobre o ocorrido e Dahmer foi preso. Em seu julgamento, Jeffrey recebeu pena de perpétua, mas o que ele queria era ser executado. Em 1994, Christophe Secarver, um negro esquizofrênico realizou seu desejo matando-o com um haltere, enquanto limpavam o ginásio da penitenciária. O Rio de Janeiro também estava aterrorizado em 1991, com o assassinato de 13 meninos mortos com selvageria em Itaboraí quando Marcelo Costa de Andrade, o "Vampiro de Niterói" foi preso e internado em uma instituição psiquiátrica.


Lobo em pele de cordeiro: Jeffrey Dahmer comparece ao seu julgamento. Responsável pela morte de 17 rapazes e garotos, Dahmer desejou a pena de morte. 
Em 7 de janeiro de 1992, na França, Francis Heaulme, um andarilho portador da Síndrome de Kinefelter é detido, respondendo por pelo menos 9 homicídios. Suas vítimas eram pessoas de ambos os sexos e diversas idades, embora Francis alegou nunca ter matado uma criança. No mesmo ano, o casal canadense Paul Bernardo e Karla Homolka chocou a sociedade de Ontaro após a revelação de três homicídios envolvendo fantasias sexuais cabulosas. A primeira vítima do casal havia sido a própria irmã de Karla, Tahmmy. Paul recebeu pena de perpétua, enquanto Karla teve sua pena reduzida, pois os advogados conseguiram convencer que ela era obrigada a atrair as vítimas por Paul. A Áustria novamente "produziu" um serial killer, Jack Unterweger. Jack havia sido preso pelo homicídio de uma prostituta na década de 70, e cumpriu pena de prisão. Na cadeia, ele escreveu poemas de tal qualidade, que intelectuais moveram uma causa para libertá-lo como "exemplo da eficiência do sistema carcerário da Austria". Em 1990, o governo acatou o pedido dos intelectuais e Unterweger foi solto. Ele então virou o centro das atenções, sendo entrevistado, fotografado e filmado intensamente. Porém, o que ninguém sabia, é que Jack voltaria a matar. Dessa vez, outras 6 mulheres foram estranguladas até 1992. Unterweger também fez vítimas nos Estados Unidos. Preso na Áustria, agora condenado à perpétua sem possibilidade de condicional, Jack se estrangulou com um nó idêntico ao usado em suas vítimas. 
Johann "Jack" Unterweger  foi literalmente "livre para matar".


Francis Heaulme, andarilho portador da Sindrome de Kenefelter. 9 vítimas fatais, entre elas, um sentinela e duas crianças. Francis estrangulava e esfaqueava suas vítimas. 

Entre 1990 e 1994, Ivan Milat, membro de uma família conhecida pelo seu gosto pelas armas, emboscou e assassinou pelo menos 7 mochileiros em New South Wales, Austrália. Ivan já havia sido condenado por estupro. Cerca de 50 policiais foram até sua casa para prende-lo. Em julgamento, Milat recebeu sete penas de prisão perpétua. 
Ivan Milat, um sujeito de gênio forte, pertencente de uma família por gosto pelas armas.


Em abril de 1996, as autoridades soviéticas prenderam Anatoly Onoprienko, o "Exterminador", por pelo menos 52 assassinatos. Anatoly invadia casas e atirava em suas vítimas, incendiando os locais para apagar provas. O número de vítimas de Onoprienko ainda está em pesquisa, mas pode passar de 100. Em 13 de agosto de 1996, o pedófilo e serial killer belga Marc Dutroux foi preso, após sequestrar, estuprar, torturar e assassinar pelo menos 4 meninas de 8 a 19 anos além de seu cúmplice de 44 anos, Bernard Weinstein, e também por fazer parte de uma rede de pedofilia. A demora no processo de Marc trouxe raiva a indignação para familiares das vítimas. Finalmente, em 2004, o pedófilo foi condenado à prisão perpétua sem possibilidade de condicional.


A identificação policial de Marc Dutroux, o "Pedófilo Belga".

Anatoly Onoprienko, o "exterminador" trucidou famílias inteiras na União soviética (atualmente, na região da Ucrânia), segundo ele, ouvindo um "chamado de Deus".

A França voltou a entrar no assassinato serial com Guy Georges, a "Besta da Bastilha". Pelo menos oito mulheres foram estupradas e mortas por George até 1997. Em 1998, o médico Harold Shipman era preso sob a acusação de assassinato. Shipman na verdade se tornaria o mais prolifico serial killer com número de vítimas confirmadas até o momento, cerca de 250 pessoas. Embora tenha sido formalmente acusado em 16 casos. O médico injetava diamorfina em uma dose letal em seus pacientes e emitia laudos falsos. Na cadeia, Harold Shipman suicidou-se aos 54 anos em 2004. Ainda em 1998, Francisco de Assis Pereira abalou a cidade de São Paulo com seus homicídios sexuais cometidos no Parque do Estado. 7 moças foram estupradas e mortas. Os crimes de "Chico Estrela" iriam escalar ao canibalismo, se ele não fosse preso no Rio Grande do Sul. E ainda na América Latina, o colombiano Luis Alfredo Garavito Cubilos fez 138 vítimas, atraindo garotos com entorpecentes e dinheiro, sodomizando-os e esfaqueando os até a morte. Garavito, quase sempre sob efeito do álcool, decapitava ou degolava suas vítimas, abandonando os corpos em matagais por onde pouca gente passava. Ele lidera o ranking de homicidas seriais latinos, seguido por Pedro Lopes. Javed Iqbal foi outro serial killer prolífico, assassinando 74 garotos no mesmo ano de 1999. a intenção de Iqbal era atingir 100 vítimas. Felizmente, ele foi detido antes que conseguisse e cometeu suicídio antes da sua execução.


"La Bestia" Luis Alfredo Garavito Cubilos, o maior assassino em série das Américas.


Assassinos do "fim do mundo".

Mesmo após décadas de avanço nos estudos criminais, na criação de perfis e nas técnicas forenses para a descoberta de criminosos, a ação de homicidas em série continuou e certamente continuará em gerações futuras. No entanto o fascínio por assassinos em série teve seu ápice durante a década de 90, quando o comércio de muderabilias tornou-se mais intenso. Depois decaiu levemente, embora atualmente a criminalística têm chamado a atenção do público em geral, graças a, entre outras coisas, filmes e séries televisivas. Falemos agora sobre os serial killers relativamente recentes.

Em 2001, o pintor de caminhões Gary Ridgway foi preso acusado pela maior série de homicídios em série dos Estados Unidos, com número de vítimas confirmado. Entre 1982 e 1989, Gary assassinou por estrangulamento pelo menos 49 mulheres, a maioria prostitutas. Gary estrangulava as vítimas após a relação sexual. Segundo ele, "não iria pagar por sexo". Os crimes também forma motivados por ódio, uma vez que Ridgway fora traído duas vezes. Por descartar os cadáveres das vítimas nas proximidades do Green River, em Washington, Ridgway passou a ser chamado de "Assassino de Green River". 


Escavações realizadas nas proximidades do Green River. O maior assassino em série da América do Norte surgia.


O canadense Robert Pickton foi preso em 2 de fevereiro de 2002, após um período longo de assassinato serial em British Columbia que resultou na morte de cerca de 49 mulheres, a maioria prostitutas  embora o número confirmado de vítimas para esse serial killer seja de 6. O mais cruel traço dos crimes de Robert, era o fato de jogar os restos mortais de suas vítimas aos porcos de sua criação. Michel Fourniret foi levado para a cadeia em junho de 2003, acusado de matar pelo menos 10 pessoas entre os anos de 1987 e 2001 na França e na Bélgica. As vítimas eram abusadas sexualmente e estranguladas até a morte.
Robert Pickton, o "Assassino da Fazendo de Porcos".


Michel Fourniret,sendo levado sob custódia.
A Mexicana Juana Barraza ganhou da imprensa o "carinhoso" apelido de mataviejitas (mata velhinhas), após sua prisão em 2006. Juana se oferecia para serviços domésticos em casa de mulheres idosas sozinhas, uma vez dentro da casa, ela espancava e estrangulava as vítimas sem dó, roubando uma ou duas lembranças da residência. Começou uma busca bizarra por travestis, uma vez que acreditaram se tratar de um assassino vestido de mulher. Juana foi condenada por 16 homicídios, embora o número de vítimas varie entre 24 e 49. E uma das mais longas e bizarras tramas envolvendo um serial killer teve fim em Moscou, Rússia, no anos de 2006. 
Juana Barraza veste sua fantasia de "La Dama del Silencio".
A prisão de Alexander Pichushkin, acabou com uma série de homicídios que havia começado em 2001 (o primeiro homicídio de Alexander ocorreu em 1992, quando matou o namorado de uma vizinha pela qual era apaixonado). O assassino ficou conhecido como "O Assassino do tabuleiro de xadrez", pois queria assassinar uma pessoa para cada casa do tabuleiro de xadrez, matando pessoas de ambos os sexos à marteladas, embora admitiu que dificilmente pararia de matar. Como em muitos casos, a prisão de Alexander se deu quase por acaso, depois da polícia encontrar, no bolso de sua vítima, um bilhete de metrô. Nos estados Unidos, Mark Goudeau, o Assassino de Baseline, foi preso após o ataque sexual de duas irmãs em setembro de 2005. Segundo a polícia, o Assassino de Baseline agia sozinho, e foi responsável por pelo menos 9 homicídios, precedidos por roubos ou ataques sexuais. E quase três décadas depois do estripador de Yorkshire,  na Inglaterra, fechando o ano de 2006, Steve Wright foi preso acusado de atacar prostitutas no norte do país, ele acabou condenado por cinco assassinatos, recebendo pena de prisão perpétua.


Alexander Pichushkin disse "Uma vida sem matar para mim, é como uma vida sem se alimentar para vocês! Ele foi condenado à prisão perpétua, nos primeiros 15 anos em uma solitária.
Cerca de um ano após a prisão de Juana Barraza, o México assistiu ao desfecho de uma história inacreditável envolvendo um poeta de estilo próprio, e três mulheres mortas, esquartejadas e canibalizadas. Jose Luis Calva Zepeda foi preso após denuncias da família de sua atual namorada. Ele foi surpreendido em sua casa comendo carne humana e tentou escapar pulando uma janela. Acabou com um ferimento na cabeça. Um livro denominado "Instintos canibais" também foi encontrado pela polícia. Condenado à prisão, Zepeda supostamente cometeu suicídio enforcando-se com o próprio cinto.


Jose Luis Zepeda, o "Poeta Canibal"

Stephen Griffiths foi preso em maio de 2009, após atirar e matar três mulheres com uma besta, arrastando seus cadáveres e comendo partes deles em Bradford, Inglaterra. O canibal está atrás das grades e cumpre pena de perpétua.
Stephen Griffths posa para uma foto para a rede social Myspace. O assassino inglês idolatrava ao "Estripador de Yorkshire Peter Sutcliffe.
Anthony Sowell também foi preso no ano de 2009, após estrangular uma mulher com quem passava a noite. A vítima voltou a si e conseguiu fugir, informando à polícia sobre o caso. Uma busca na casa do estrangulador revelou os restos mortais de 11 mulheres, enterradas sob diversos cômodos da casa. Como o assassino mora no local à bastante tempo, a polícia acredita que ele tenha ligação com desaparecimento de outras mulheres relatados nos últimos anos. o "Estrangulador de Cleveland" permanece atrás das grades.

Anthony Sowell, o "Estrangulador de Cleveland".
As autoridades norte-americanas iniciaram uma busca frenética à um assassino misterioso que fez entre 10 e 14 vítimas, todas jovens mulheres, na cidade de Nova York. A investigação do caso do "Assassino de Long Island" ainda está em curso. Os primeiros cadáveres  foram encontrados no ano de 2010, enfiados em sacos de estopa. No ano seguinte, mais corpos relacionados ao assassino foram descobertos. Eles foram descartados em praias remotas da região. Um perfil criminal e um retrato falado do suspeito já foram feitos, mas até agora ninguém conseguiu descobrir quem estava por trás dos homicídios.

Oito das vítimas do "Assassino de Long Island"
Também em 2010, as autoridades norte-americanas prenderam Lonnie Franklin Jr., o "Grim Sleeper", assassino que entre 1988 e 2002 tirou a vida de pelo menos 8 mulheres em ataques sexuais em Los Angeles. As vítimas eram estranguladas ou mortas à tiros. Lonnie foi preso ao acaso, depois que um exame de DNA feito em seu filho (que havia sido preso por outro crime) foi comparado com o do assassino em uma técnica chamada pesquisa de DNA familiar. O filipino Mark Dizon matou 9 conhecidos durante roubos à equipamentos eletrônicos. Segundo alguns conhecidos, Mark era viciado em equipamentos eletrônicos e acredita-se que ele tentaria conseguir as informações bancárias das vítimas para obter pensão delas. Por ironia do destino, Mark foi identificado através de uma fotografia na rede social Facebook.


A sorte de Loonie Franklin Jr. acabou depois que seu filho foi preso.
Em 2011, circulou a notícia de que uma mulher teria matado (e comido) cerca de 30 outras mulheres, guardando uma enorme quantidade de carne humana na geladeira de casa. Os crimes da "Mulher canibal" teriam acontecido na Indonésia  e o nome da assassina , assim como sua pena e detalhes de seu julgamento não foram divulgados, somente uma foto espantosa circulou pela web e por outros meios de comunicação. Seria um hoax da internet, ou de fato uma homicida canibal? 


A foto que correu o mundo: A mulher canibal e sua geladeira cheia de carne humana.
Em 2012 o mundo não acabou e os serial killers continuaram suas matanças pelo globo terrestre. O chinês Zhang Yongming foi preso acusado de matar e canibalizar pelo menos 11 meninos, embora o número de vítimas pode ser de 20. Zhang foi executado em janeiro de 2013. O canibalismo também foi o ingrediente central dos crimes dos "Canibais de Garanhuns", o trio formado por Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, 52 anos, Isabel Cristina Pires da Silveira, 52 anos, e Bruna Cristina de Oliveira da Silva, 23 anos. Os três mataram pelo menos três mulheres, cortando as carnes das vítimas e utilizando em salgados, vendidos por Bruna. A prisão dos canibais ocorreu após o uso do cartão de uma das vítimas. 2012 também foi o fim da carreira de Sammuel Little, um estuprador cujo o DNA o ligou a diversos homicídios, ainda em estudo. Sammuel era um ex-boxeador que espancava e matava mulheres por prazer.

Zang Yongming, o "Monstro Canibal"

O "trio de canibais": Isabel, Bruna e Jorge Negromonte.
Sammuel Little, ex-boxeador  vioelnto que espancava, estuprava e matava mulheres.
O "negócio" de assassinato em série teve pelo menos três representantes da Rússia durante o ano de 2012. A começar pelo jovem Alexander Bychkov, um rapaz de boa aparência que assassinou e canibalizou 11 moradores de rua para, simplesmente, impressionar sua namorada.

Alexander Bychkov posa para câmera. O jovem assassinou e canibalizou 11 pessoas simplesmente para impressionar sua namorada.
Irina Gaidamachuk, é a segunda eslava serial killer de 2012. Conhecida como satanás de saias, Irina assassinava idosos à marteladas para roubar seus bens. Assim como o ocorrido com Juana Barraza, a polícia acreditava que um homem estava matando pessoas vestido de mulher, mas Irina provou que essa história de "sexo frágil" não funcionou com ela. Descrita como "uma boa mãe" Irina queria dinheiro para comprar vodka, alegando que seu ex-marido nunca iria atender aos seus pedidos.


O "Satanás de saias" Irina Gaidamachuk abalou a Rússia com seus crimes cruéis.
E por fim, um ex-policial apenas identificado como Mikhail P, assassinou pelo menos 24 mulheres, mas pode ter matado mais 26 vítimas. O assassino atraía suas vítimas oferecendo carona, então as levava para um local de mata fechada, as violentava, torturava e matava com facas e chaves de fenda. Ele também decapitou as vítimas e fez sexo com o cadáver sem cabeça. Mikhail P. foi finalmente preso após um exame de DNA ligá-lo aos homicídios.

E finalmente, no ano de 2013, temos a brasileira Virginia Helena Soares de Souza, a médica investigada por diversas mortes, cujo número de homicídios pode chegar à 317. Virgínia pode tomar o posto de Harold Shipman, se seus crimes forem confirmados. A médica desligava o oxigênio e injetava soluções fatais em seus pacientes com a finalidade de se "livrar" de cuidar deles. Os crimes foram cometidos onde a médica trabalhava, no Hospital Evangélico de Curitiba, Paraná. A investigação ainda está em andamento. Virgínia e alguns cúmplices se encontram presos no momento.

Virgínia de Souza. "Enfermeira da morte". Seu número de vítimas ainda está sob investigação.

A Estatística dos Assassinos em série.

De certo, os serial killers são qualquer coisa, menos um fenômeno recente. Durante a década de 1960, enquanto o "estrangulador de Boston" assassinava mulheres nos Estados Unidos, o FBI reconheceu os sinais de risco de uma possível "epidemia de uma mania homicida". Os números de vítimas e de assassinos aumentaram drasticamente durante os últimos anos. Entre 1900 e 1959, a estimativa de homicidas em série ativos nos Estados unidos era de 2 a cada ano. Em 1959 até o final da década de 60, a média era de seis casos anualmente. O número quase triplicou durante a década de 70 e os registros apontavam para três casos a cada mês no ano de 1985. Essa taxa permaneceu razoavelmente contante durante os anos 90. Atualmente, o FBI estima a ação de cerca de 70 serial killers ativos por década em todo o globo terrestre, embora alguns enxergam essa alegação como otimista demais.

Algumas cidades têm registrado um número crescente na atividade de assassinos em série, entre elas estão Rostov, na Rússia; Atteridgeville, África do Sul e Glascow, Escócia e também em cidades da França e Itália, mas a Califórnia, EUA, continua sendo campeã nesse ranking. Embora contenha cerca de 5 % da população mundial e ser basicamente "novo" na questão serial killer, Os EUA foi responsável por cerca de 76% dos casos de assassinatos em série conhecidos durante o século XX (85% desse total surgido após os anos 80). A Europa ocupa um segundo lugar bem distante, 16% do total, tendo como líder no ranking a Grã-Bretanha (28% do total europeu), seguida por Alemanha (27%), França (13 %). O resto é dividido em parcelas quase insignificantes entres os países de terceiro mundo. De fato, esse tipo de pesquisa é afetado pelo fato de que muitos países não aceitam a ação de serial killers em seus territórios, como por exemplo algumas nações islâmicas, ou retem informações sobre a ação dos serial killers.

O tipo de sociedade influencia que tipo de assassino age em determinado país. O tipo de serial killer mais comum no Brasil, por exemplo, é o homicida sexual, pederasta e desorganizado. Contrariando os serial killers do mundo todo, cuja maioria das vítimas são mulheres, os serial killers brasileiros tem predileção para crianças. 90 % dos serial killers do mundo são homens, 84 % são brancos, 26 % começa a matar na adolescência, 44 % entre os 20 e 30 anos e 24 % a partir dos trinta anos de idade.  86% dos serial Killers são heterossexuais contra 14% de homossexuais, bissexuais e assexuais. 89% das vítimas são brancas e 65% são mulheres. Considerando a profissão, os oficios ligados à medicina  (médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e auxiliares hospitalar) foram os que mais produziram assassinos e. Isso não significa que a maioria dos serial killers são médicos, mas sim que eles estão espalhados em diversas profissões, sendo encontrado mais nas profissões ligadas à medicina.

Apesar de todos esses números, levando em consideração outros tipos de assassinos, os serial killers representam apenas 1% do total de homicidas nos Estados Unidos, reclamando juntos cerca de 200 vítimas anualmente. Mesmo sendo um tipo incomum de criminoso, serial killers fascinam e chocam ao mesmo tempo.

Nesse "breve" post, citamos de maneira cronológica alguns dos mais notórios assassinos em série da história, mostrando que o assassinato em série, assim como o canibalismo, é algo mais antigo do que se imagina. Com certeza, essa lista ganhará mais nomes. Nesse exato momento em que escrevo, um serial killer pode estar ativo em algum local. Não existe um tipo de vítima específico, de forma que todo mundo pode se tornar vítima de um serial killer. A única forma de se proteger é rezar...

5 comentários:

  1. Ótimo post...deve ter dado trabalho! Não sabia que Ted Bundy tinha uma filha. Muito interessante mesmo! Parabéns.

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  2. Nossa, não sabia que Richard Ramirez havia morrido, hoje assisti a uma série "Serial Killers" que falava sobre ele, já havia visto em outra série " Nascidos para matar", mas não foi mencionado a morte dele..

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  3. Parabéns, adorei esse post, espero q venham outros tão bons qnto!

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  4. Parabéns pelo trabalho! Se pudesse me enviar algumas referencias bibliograficas, ficaria agradecida!

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  5. bem,sou sincera e digo à vocês o que penso e vejo. virginia não é enfermeira da morte e sim médica da morte, então um descaso para com enfermeiros. por favor corrijam isso.

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