27 de ago de 2012

Peter Kürten - O Vampiro de Düsseldorf (Pt.1)

Köln-Mülheim, no início do século passado.

Köln-Mülheim, Alemanha, 15 de novembro de 1913. Apesar de ser domingo de festa, o Senhor e a senhora Klein mantêm o bar de sua pousada aberto até depois da hora. É necessário estender o horário de funcionamento, pois a situação da população alemã não vai nada bem. Enfim, chegava a hora de fechar. Os Klein faziam os últimos preparativos. A pousada dos Klein era a  Zum Goldenen Rosslocalizada na Rua Wolfstrasse. E naquela noite, ela foi invadida.

Na sala de entrada, havia um lampião a gás que afastava escuridão da noite gerando uma luz visível da rua, através da janela. Era possível ver as silhuetas humanas se movendo no interior do prédio. A tábua do soalho rangeu. O invasor assustou-se, limpou as mãos nas roupas de cama, na mesma cama onde jazia o cadáver da pequena Christine e seguiu em direção a porta. Parou um momento, ouviu o movimento no andar de baixo, tudo parecia tranqüilo. Havia barulhos somente na cozinha. Barulhos de pratos e copos sendo lavados. Silenciosamente, o invasor desceu as escadas e saiu da casa. O relógio marcava onze da noite.

Peter Klein e sua mulher estavam trabalhando. Ele, como tesoureiro, ela lavando pratos na cozinha. Era domingo e o horário de fechar o bar já havia chegado. Devido à época, (período de economias drásticas para o povo alemão), o bar ficava aberto um pouco além do horário. O cheiro de fumaça que se desprendeu dos charutos dos clientes ainda estava vagando pelo local.

Peter Klein perguntou a mulher se já havia acabado. Ela respondeu que sim, que ele deveria subir na frente, pois ela iria logo depois. Peter Klein subiu e trancou a porta atrás de si. Cerca de 10 minutos depois, a Sr. Klein deixou o bar, pendurou seu avental molhado, apagou as luzes e subiu para o quarto, Antes, porém, ela passou no quarto da filha, que ficava bem de frente paras as escadas. Como de costume, ela queria dar um beijo em sua pequena. Christine tinha sono pesado, e com certeza, naquela hora, já estaria dormindo profundamente. Entretanto, sua mãe não conseguia dormir sem antes ver sua filha. Mas o que ela descobriu no quarto, a deixou estarrecida.

Ao abrir a porta, sem ligar as luzes, utilizando somente a claridade que vinha de fora, a Sr. Klein viu o lençol com o qual havia coberto sua filha jogada no chão, no meio do quarto. Ela se dirigiu desesperadamente para a cama da filha, que ficava no canto do quarto, próximo a uma janela. Nesse momento, Peter Klein foi acordado pelos gritos de pavor da esposa, e foi correndo ao encontro dela para verificar o que aconteceu.

Christine havia sido estrangulada e teve sua língua brutalmente mordida. Suas pernas estavam abertas e havia um corte profundo em sua vagina. Seu rosto estava puxado para o canto da cama e a cabeça pendurada. Pingava sangue das pontas do lençol.
O casal, ainda em choque, saiu para procurar a policia. O cadáver da menina estava muito pálido. O livor mortis quase não estava evidente. O corpo havia sido severamente castigado: A língua havia sido mordida vorazmente. Na garganta, dois cortes separados um do outro, o primeiro era raso, com 1 a 2 mm de profundidade, o segundo era mais profundo e tinha 9 cm de comprimento. A ferida de cima sugeriu um único golpe, já o segundo corte demonstrava ser feito com quatro movimentos. 

Os policiais deduziram que o assassino seria alguém familiarizado com a casa, considerando que seria um conhecido da família. Foram levantadas informações sobre o dia do casal: Ambos estavam ocupados com seus afazeres na hora em que o crime foi consumado. Os policiais acreditaram que um estranho não conseguiria invadir o quarto e matar a criança, saindo tranquilamente até desaparecer na rua. Tudo era muito estranho.

A fachada da Zum Goldenen Ross, pousada pertencente à família Klein. a janela marcada por um círculo demarca o quarto onde Christine foi morta.
Havia evidencias de que o assassino teria limpado as mãos ao deixar o local. Não somente isso: havia também um lenço ensangüentado, abandonado no chão do quarto. Nesse lenço, havia as iniciais “PK”. Das duas, uma: Ou o assassino havia usado o lenço de Peter Klein, ou ele tinha o nome com as mesmas iniciais. Peter Klein via um criminoso em potencial, seu nome era Otto Klein, seu irmão. Otto havia brigado com Peter tempos atrás.

Otto Klein era açougueiro de profissão, mas também trabalhava como jornaleiro. Seu trabalho sangrento e sua personalidade explosiva chamaram a atenção. Se tinha alguém com capacidade de cometer um crime tão cruel, esse alguém seria Otto. Algumas testemunhas viram um homem correndo pela porta da pensão dos Kleins. Ele estava vestindo um terno escuro e chapéu. Quando Otto Klein foi encontrado, ele usava uma roupa similar.  Mas, faltava um motivo para tal crime, não? Não, não faltava.

Na noite anterior ao crime, Otto foi até a pensão de Peter (Klein), pedir dinheiro emprestado. Diante da recusa do irmão, Otto reagiu de forma violenta, e ameaçou Peter, afirmando que ele faria algo que o irmão “nunca iria esquecer pelo resto da vida”. Os Kleins tinham uma boa condição financeira, tudo isso, fruto de trabalho intenso. Otto tinha o motivo e conhecia bem os cantos da casa. Para a policia, ele era o suspeito principal. Porem, Otto não desistiria de alegar sua inocência. Ele passou a se defender com unhas e dentes, alegando que o assassino poderia ter sido um ladrão. Sua esperança é que alguma testemunha tivesse visto um sujeito ensangüentado, andando pela vizinhança, e que guardassem alguns detalhes da fisionomia do sujeito, mas ninguém assim foi visto pela vizinhança e Otto Klein foi posto em prisão preventiva.

No seu julgamento, o juiz deu a sentença: Inocente por falta de provas. Otto pode respirara aliviado, pois caso fosse considerado culpado, pegaria, com certeza, a pena de morte. Para o juiz era necessário provas físicas, e não apenas as provas circunstanciais que foram apresentadas no tribunal.

Otto Klein foi absolvido e sua vida foi salva, mas muitos na vizinhança passaram a acreditar em sua culpa. Todos se voltaram contra ele e passaram a tratar como assassino. Em 1914, a Primeira Guerra começou. Otto foi convocado para o fronte de batalha. Em 1915, a bala de um soldado inimigo o atingiu em cheio e ele morreu, em território russo. Ninguém derramou uma lágrima por ele. Apesar da justiça ter absolvido Otto, para os moradores de Müllhein, ele era um assassino.  Somente muitos anos mais tarde, quando, se estivesse viva, Christina já seria uma moça de 25 anos de idade é que começariam a se fazer questionamentos sobre sua morte.


O horror toma conta de Düsseldorf.



Em 10 de fevereiro de 1929. O cadáver de Rosa Ohlinger, 9 anos de idade, é encontrado abandonado em meio aos escombros de uma construção. Ar circunstâncias em que se deu o crime, lembravam, e muito, o caso não solucionado da Köln-Mülheim, apesar de passados 16 anos desde que Christine foi brutalmente assassinada. Havia suspeitas de que o assassinato de Ohlinger fosse cometido pelo mesmo assassino que tirou a vida da filha dos Kleins, mas ele esperaria tanto tempo para atacar de novo.  Apesar das suspeitas de que um assassino em massa (Na época, ainda não havia sido criado o termo assassino em série, ou serial killer, no inglês. A mídia e a polícia usavam o termo assassino em massa) estivesse à solta, a policia preferiu ver os crimes de forma isolada. Entretanto, Rosa Ohlinger não foi a única pessoa a ser atacada naquele ano.  Em 2 de fevereiro, uma mulher de nome Apollonia Kühn  deu entrada no hospital, após cair em uma emboscada e ser atacada brutalmente. Seu agressor lhe desferiu 18 facadas.

Esses crimes foram apenas os dois primeiros de uma série que causaria pânico nos moradores da cidade de Düsseldorf. Em 12 de fevereiro, dois dias depois a descoberto do cadáver de Rosa Ohlinger, Rudolf Scheer, mecânico de 40 anos de idade, saiu de um bar completamente bêbado. Ele foi morto com 17 golpes de tesoura. Parecia que o assassino, agora, também atacou um homem. Ninguém estava à salvo e o pânico tomou conta da cidade de Düsseldorf.

A partir da verificação dos locais dos crimes, a policia concluiu, obviamente, que o assassino estava morando, ou passando alguns dias, na cidade. Havia um problema, porém: Düsseldorf era uma cidade com quase 500.000 habitantes. A princípio, era impossível resolver o caso. Mas a policia teria conseguido resolver, se ela não tivesse cometido uma sucessão de erros, as vezes bobos, o que custou a vida de várias pessoas. Definitivamente, o caso não é uma das glórias da história da policia alemã.

O trabalho dos policiais não era nada fácil e a investigação se arrastou por 15 meses. Peritos procuravam por evidências de forma desesperada e muitas testemunhas são interrogadas. A descrição das vítimas era de que o suspeito era um homem, por volta de 28 a 35 anos de idade, louro, de olhos azuis, alto e magro. Sempre bem vestido, com um terno preto. Provavelmente, ele era um trabalhador bem sucedido e teria uma boa condição financeira. Mais de 200 pessoas, que já haviam cumprido pena por agressão sexual foram adicionadas na listas dos suspeitos.

Entre os vários nomes nas listas de suspeitos, havia certo cidadão, de nome Peter Kürten, com um passado criminoso bem conhecido e extenso. Peter já havia cometido uma série de crimes, entre eles incêndios e roubos. A maioria de seus crimes era de uma violência de assustar.

Após o anuncio de que os crimes poderiam ter sido praticados por um único assassino e que ele tomava sangue das vítimas, a mídia logo tratou de sensacionalizar o caso e apelidou o assassino de “O Vampiro de Düsseldorf”. Um pânico generalizado, igual ao que tomou Londres, no “Outono do horror” tomou conta da cidade de Düsseldorf. Astrólogos e adivinhos vieram de várias partes da Alemanha, tentando ajudar a policia a descobrir quem seria o assassino, além, é claro, de ganharem fama em cima do caso. Enquanto isso, o assassino continuava suas investidas sanguinárias contra os moradores de Düsseldorf. Finalmente, em 24 de maio de 1930, a policia finalmente conseguiu prender o culpado pelas atrocidades praticadas em Düsseldorf. Os jornais regionais estamparam seu nome e sua foto nas primeiras páginas: Ele era Peter Kürten. Até aquele momento, Peter Kürten havia atacado 25 pessoas, nove ataques foram fatais:

         Apollonia Kühn  – Tentativa de homicídio, 2 de fevereiro;
         Rosa Ohlinger – Homicídio, cadáver encontrado em 10 de fevereiro;
         Rudolf Scheer – Homicídio, 12 de fevereiro, terça-feira de carnaval;
         Maria Wassmann – estupro e tentativa de homicídio, julho de 1929;
         Maria Hahn – Homicídio, 11 de agosto de 1929;
         Anne Goldhausen – tentativa de homicídio, 20 de agosto de 1929;
         Olga Mantel – Tentativa de homicídio, 20 de agosto de 1929;
         Henry Kornblum – Tentativa de homicídio, 20 de agosto de 1929;
         Gertrud Hamacher – Homicídio, 24 de agosto de 1929;
         Louise Lenzen – Homicídio, 24 de agosto de 1929;
         Gertrud Schulte – Tentativa de homicídio, 25 de agosto de 1929;
          Caroline Heerstraas – Tentativa de homicídio;
         Sofie Rück – Tentativa de homicídio;
         Maria Radusch – Estupro;
         Ida Reuter – Homicídio;
         Elizabeth Dörrier – Homicídio, 11 de outubro de 1929;
         Hubertine Meurer – tentativa de homicídio, 25 de outubro de 1929;
         Klara Wanders – tentativa de homicídio, 25 de outubro de 1929;
         Gertrud Albermann – Homicídio, 7 de novembro de 1929;
         Hildegard Eid – coerção, estupro e tentativa de homicídio;
         Marianne Del Santo – estupro e tentativa de homicídio;
         Irma Becker – Estupro, abril de 1930;
         Gertrud Hau – Ameaça de morte, 13 de abril de 1930;
         Charlotte Ulrich – Tentativa de homicídio, 1° de maio de 1930;
         Maria Buttliez – Tentativa de estupro e tentativa de homicídio, 14 de maio de 1930.



O estranho Kürten.


Peter Kürten era extremamente astuto e metódico. Apesar da selvageria de seus ataques, ele sabia planejar e sabia o exato momento para o ataque, isso fez com que escapasse da polícia por tanto tempo. Peter não fazia longas reflexões sobre suas ações, e nem passava pela cabeça interromper seu desejo insaciável por sangue humano. Seu desejo por sangue era igual ao que ele tinha em sua juventude pelo bestialismo, ao copular com porcas, cabras e cadelas.


Peter havia ficado detido por sete anos, seu maior período dentro da cadeia até então. Antes, ele já havia sido preso, por curtos períodos de tempo, por crimes menores. Ninguém, entretanto, pensaria que ele poderia ser capaz de sair por aí, matando pessoas por prazer e para beber-lhes o sangue. Alto, com feições que demonstravam autoconfiança, um queixo sólido e um olhar esperto. Rosto bem barbeado, deixando somente um bigodinho de brocha (bigode cortado dos lados, similar ao de Adolf Hitler e Charles Chaplin) da grossura de um lápis. Seu olhos azuis em contorno com os cabelos louros, bem engomado e partidos, raspados na parte de baixo. Kürten era aparentemente um “dandy”, engana-se, porém quem acha que ele era rico, pois Kürten era suburbano, apesar de seu zelo com a aparência. Até mesmo seu terno barato era bem alinhado, totalmente abotoado. Peter andava pela cidade sempre trazendo no bolso um lenço, com esse lenço, ele limpava os sapatos, para garantir, assim, o brilho deles. Provavelmente foi um desses lenços que ele, acidentalmente, deixou cair no quarto de Christine Klein. Kürten aparentava ter idade menor do que realmente tinha. Ele havia trabalhado em uma série de empregos, como serralheiro, funcionário de um gasômetro, ferroviário, trabalhador postal e motorista de caminhão. Quando foi preso, Peter trabalhava como funcionário de uma fábrica.
Peter Kürten.

Enquanto esteve preso, Peter gastou seu tempo em duas coisas: Primeiro, com suas fantasias homicidas. Peter passou a desobedecer qualquer regra, mesmo as mais insignificantes, do sistema carcerário. Tudo isso para ser posto na solitária. Para ele, a solitária era o melhor local para se fantasiar ações sádicas, onde ele imaginava se imaginava estuprando e matando pessoas. A segunda atividade de Peter era passar um longo tempo na biblioteca da prisão. Peter lia vários livros de forma aleatória, entre eles as obras de Sienkiewicz, Gustav Freytag e do italiano Cesare Lombroso. Para quem não conhece, Lombroso foi um importante professor de medicina legal, autor de L’uomo delinqüente (O homem delinqüente). Ele foi um dos primeiros profissionais a proporem a ideia de que certos grupos tinham tendências à criminalidade. Apesar de seu estudo ser baseado em características físicas, o que obviamente caiu no erro, eles foram de grande importância para o avanço das ciências forenses.

Peter Kürten também leu artigos sobre o “Outono de Horror”, episódio em que um assassino desconhecido, apelidado de Jack, o estripador, aterrorizou O miserável Withechapel, Londres. Talvez isso o tenta excitado ainda mais. Outros livros de sua preferência eram os escritos por Rudolf Herzog e contos de ficção populares.

Peter também apresentava bons modos. E abordava as vítimas de forma cortês, mesmo antes de fazer uma proposta indecente, como em alguns casos. Algumas vítimas foram acompanhadas para um café, antes de serem atraídas até as florestas, mortas e brutalizadas.
Toda mulher tremeu então antes do agressor sexual, tinha certeza de Düsseldorf, mas antes disso não tínhamos medo respeitável deles. Essa foi uma das razões pelas quais ele poderia tanto estar solto.

Bom, podemos dizer que, do ponto de vista penal, o caso de Kürten é muito interessante, entretanto, outro ponto chama a atenção. Peter tinha uma visão detalhada dos seus crimes e o que o levou a cometê-los. Ele passou por longos períodos de auto-estudo. Sua vaidade em relação aos assassinatos era combinada com uma memória excepcional, capaz de guardar cada detalhe das vítimas. Peter falava sobre seus crimes, sem qualquer inibição ou receio. Nos interrogatórios policiais, ele revelava detalhes que nem mesmo a própria policia sabia. Muitos acreditaram que esses detalhes eram mentiras, contadas pelo assassino na tentativa de ganhar crédito. Realmente, alguns dos seus relatos foram desmentidos mais tarde, como os três assassinatos que ele assumiu, entretanto não tinha praticado. Peter alegou que praticou seus crimes motivado por uma “vingança contra o ser humano”. Ele alegava que sua personalidade foi a soma de três fatores: fatores hereditários, criação e educação que levou e os anos “injustos” que passou na prisão.

Durante os anos em que esteve preso, acusado de ser o Vampiro de Düsseldorf e esperava a execução no corredor da morte, Peter foi levado para conceder uma “entrevista” para o professor Karl Berg. Em longas conversas, Peter admitiu secretamente que cometeu seus crimes no meio de um frenesi sexual. Ele assassinava crianças, mulheres, homens e bebia a quantidade de sangue que conseguia extrair das têmporas ou carótidas das vítimas simplesmente para satisfazer suas fantasias sádicas. Peter matou até mesmo um cisne, para cortar seu pescoço e beber o sangue do bicho. O professor Berg tomou nota das informações passadas por Peter nessas conversas. Para ele, aquilo um material para estudos, mas esse seria, também, um dos poucos relatos sobre a vida de Kürten.

Infância infeliz.

Nascido em 26 de maio de 1883, em Köln-Mülheim, mesma cidade em que, um dia antes de seu 30 aniversário, ele assassinou a menina Christine Klein, Peter era o terceiro de onze crianças. Seu pai era um ébrio violento que espancava a mulher e as crianças. Ele forçava a esposa a manter relações sexuais forçadas na frente de toda a família. Apesar de ser um bom trabalhador, o Sr. Kürten gastava quase todo seu dinheiro em bebida, restando muito pouco para o já apertado orçamento familiar. O pai de Peter foi preso após abusar sexualmente de uma de suas filhas. A Sra. Kürten passou a cuidar sozinha de todos.

Peter Kurten teve contato com a sexualidade muito cedo, aos 6 anos de idade, também com uma relação incestuosa com uma das irmãs. Aos oito anos, ele fugiu de casa e começou a roubar. Durante três meses ele realizou vários roubos na rua, até ser apanhado pela policia e devolvido ao lar. Até esse ponto, tirando a agressividade de seu pai e os flagelos da miséria, nada na vida de Kürten parecia significativo para conduzi-lo ao frenesi assassino que se daria anos mais tarde, mas tudo mudou quando um funcionário da carrocinha se mudou para o andar de cima de sua casa. Talvez esse seja o ponto mais crucial para se entender o motivo que levou Peter à atacar pessoas freneticamente.

“Você quer saber a verdade?” - Disse Peter Kürten a Karl Berg, com o qual havia adquirido uma imensa confiança e até uma espécie de amizade - “Minha inclinação pra crueldade foi descoberta há muito tempo. Quando eu vivia num casebre, com minha família, em Köln-Mülheim, passou a residir no andar superior de minha casa um apanhador de cães. Naquela época, havia uma carrocinha na cidade. Os cães eram capturados, mortos e muitas vezes comidos. A gordura era vendida como artigo especial e utilizada paras fazer ungüento para as feridas. Esse apanhador de cães torturava os animais que ele capturava, por exemplo, picando os olhos com agulha ou pendurando explosivos nas caudas e estourando. Ele dizia que poderia reconhecer facilmente os animais que eram ou não saudáveis, O apanhador também demonstrou como deixar um cão carinhoso. Ele pegava os genitais dos cães e masturbava até a ejaculação, assim o animal seria dócil e fiel para sempre. Mais tarde, por volta de meus treze anos, eu recordei muitas vezes esses episódios. Eu comecei a tirar passarinhos dos ninhos ou de gaiolas e os estrangulava. Também matei esquilos e guaxinins jovens. Alguns animais que eu apanhava, eu vendia no mercado. Uma vez fui apanhar um esquilo e ele mordeu meu dedo, ainda tenho a cicatriz. Quando vi o sangue escorrendo pela ferida eu tive uma ejaculação. Eu sempre tinha uma agradável sensação quando via sangue. Naquela época, muitas pessoas matavam porcos, que elas criavam para esse fim em suas casas, e eu sempre ia lá pra ver e gostava muito do que via. Ouvir os “gritos” do bicho me dava prazer. Aos treze anos eu já tinha um vasto conhecimento sobre assuntos relacionados ao sexo e queria experimentar a sensação com alguém. Tentei manter relações forçadas com uma colega de escola, mas ela reagiu. Eu cheguei a tirar a roupa e tocar seu corpo, mas ela começou a gritar e se mexer, não conseguiu prosseguir. Então tive a ideia de experimentar com animais. Comecei a copular com ovinos e caprinos que eu encontrava nos celeiros vizinhos, como se eles fossem humanos. Tive relações sexuais com uma ovelha e eu atingi o bicho com uma faca, só para ver o sangue jorrar. Durante dói ou três anos eu fiz isso novamente, novamente e novamente.”

Além dos problemas na família, Peter veio a enfrentar outros. Em 1894, sua família se mudou para Düsseldorf, onde ele terminou seus estudos e começou a trabalhar como aprendiz em uma fábrica. Na mesma fábrica onde seu pai trabalhava. Nesse local, os aprendizes eram tratados com cruel disciplina, até mesmo espancamentos eram usados como formas de castigo. Como todo adolescente, Peter sonhava com a liberdade e ele transformaria seus sonhos em realidade.

Aos 16 anos, Peter cometeu um crime maior: Desvio de dinheiro. Ele passou a ser procurado e fugiu para Koblenz. Lá, Peter conheceu uma prostituta e a levou para um passeio no Rio Reno. “Eu descobri então” – Disse Kürten – "Que eu particularmente não me sentia atraído por aquela menina”. Mas Peter Kürten decidiu ficar com a prostituta, até que seu dinheiro acabou. Aqui a sorte de Kürten realmente estava terminando, pois ele foi preso, acusado de peculato, e cumpriu pena na prisão Düsseldorf-Derendorf.

Sra. “M”.

Peter era conhecido de uma mulher, identificada como Sra. M. ela passou a desempenhar um importante papel na vida dele. A Sra. M era uma prostituta bem mais velha que Kürten, tanto que ela tinha uma filha com 16 anos, mesma idade que Peter, portanto, M poderia ser mãe de Kürten. Entretanto, a mulher da vida não queria adotar Peter como filho, mais sim como amante. Ela deu abrigo para Peter quando ele deixou a cadeia. As fantasias de Peter foram novamente postas em prática, uma vez que M era masoquista. Enquanto fazia sexo com Peter, ela pedia para ser estrangulada e espancada. Entretanto, os vizinhos começaram a reclamar do relacionamento dosi dois, pois havia uma enorme diferença de idade. A Sra. M, com medo de evitar mais escândalos, decidiu mandar Peter embora.
Porém, nada estava certo para Peter. Ele invadiu a casa da Sra. M, entrando por uma clara bóia e ameaçou esfaqueá-la, além de roubar a chave da casa. Apesar de masoquista, M ficou com medo e contatou a policia. Peter foi novamente arrastado para a prisão, acusado de invasão.

Peter adquiriu uma fixação por M, tanto que, depois de solto, ele imediatamente invadiu de novo a casa de M, ameaçando-a novamente de morte. Ele não queria, de forma alguma, se livrar de sua companheira masoquista, com a qual poderia por em prática suas fantasias. Além disso, ele teria um local quente onde poderia dormir de graça. Novamente, a Sra. M o denunciou e ele foi mandado, mais uma vez, para a prisão.

Elizabeth Brenner.

A partir dessa época, o tribunal e a prisão seriam locais por onde os quais Peter passaria várias vezes. Ele recebeu pena de 2 anos de detenção por causa de assaltos. Na cadeia, enquanto estava na solidão, ele começou a tecer fantasias sádicas com Elizabeth Brenner, uma mulher que havia sido sua colega e pela qual ele havia se apaixonado, porém, seu namoro com ela era impossível. A família da moça não gostava de Peter e o botou para correr, além disso, Brenner demonstrava não querer nada com Peter. Kürten fantasiou o reencontro com Brenner, onde a estupraria e mataria. Depois de solto, Peter se dirigiu para a casa onde Elizabeth Brenner vivia. Ele arremessou um machado pela janela da cozinha, que estraçalhou a vidraça. No dia seguinte, ele observou Elizabeth se vestindo, então arremessou um pedregulho pela janela do quarto da garota. E tempo depois, ele resolver disparar tiros. Três tiros de pistola atravessaram as vidraças da casa dos Brenner, por sorte, ninguém se feriu nesses atentados.

Peter então fugiu e se escondeu por um tempo na floresta de Grafenberg. Todavia, a policia já estava em seu encalço e ele inevitavelmente foi preso. Resultado: Mais um ano atrás das grades.
Uma das poucas fotos de Kürten, ainda na juventude.
Depois de solto, Peter passou, novamente, a nutrir desejos pela Sra. M, Mas tudo mudou quando ela novamente a viu. Dessa vez, suas fantasias foram direcionadas, não a Sra. M, mas sim a filha dela. Essa relação não o satisfez completamente, mas Peter arranjou outro método para satisfazer suas vontades homicidas: A piromania. Peter começou a aterá fogo em celeiro e palheiros.
O “baile” das chamas ardendo, o realce da luz do fogo com o céu noturno, os alarmes sinalizando perigo... Tudo isso era uma deliciosa experiência para Kürten. Os rostos assustados e o desespero daqueles que viam seus bens sendo consumidos pelo fogo aumentavam ainda mais o clímax da situação. A sensação de ser o provocador, não identificado, do pânico entre os proprietários dos celeiros e vizinhos aos lotes incendiados dava-lhe uma satisfação física e mental. Não raramente, Peter se juntou aos espectadores, que se juntavam para ver as cinzas no dia seguinte.

Quando um de seus incêndios não causava tanto impacto, Peter causava outros, reduzindo, assim, vários celeiros da cidade em cinzas. Ele queria rostos assustado, mas também torcia para que houvesse alguém dentro dos celeiros. Masturbava-se vendo o crepitar das chamas.

Kürten tinha 21 anos e já havia cometido crimes de todos os tipos: Ele era um ladrão habitual, um incendiário e um criminoso violento. Seu Modus Operandi já havia se refinado. Em 1904, não havia nenhuma dúvida de como seria seu futuro.

Sua carreira criminosa, no entanto, foi interrompida. Apesar de seu passado criminosos bem conhecido, Kürten foi convocado para o serviço militar, servindo no regimento de infantaria número 98, em Metz. A disciplina militar, no entanto, não combinava com ele, que acabou desertando e se escondendo na casa da Sra. M. Na véspera do ano novo de 1905, Peter foi localizado e preso, sendo julgado em setembro de 1905. Essa seria a primeira vez em que Peter passaria muito tempo preso. Ele foi condenado por deserção, na corte marcial de Metz e também respondeu por 34 roubo e  doze tentativas de roubos. Peter recebeu pena de 7 anos de detenção.

Sete anos de detenção, para Peter, uma eternidade. Ele tentou cometer suicídio, mas falhou. Teve um colapso nervoso e foi socorrido por carcereiros e colegas de prisão. Foi na prisão que ele começou a praticar leitura e a fantasiar sobre o sadismo. Na prisão, também, Peter envenenou várias pessoas, porém não obteve sucesso. Mesmo no cárcere, Peter se mentinha arrumado e, apesar de descumprir muitas regras para ir para a solitária, foi considerado um preso de bom comportamento.

Sete anos teria desgastado qualquer um, mas não aconteceu isso com Peter. No outono de 1912, As portas da prisão estavam abertas para ele. Apesar do fato de que seu novo período de liberdade duraria pouco, esse um ano fora da cadeia representou um capitulo na vida de Kürten. Ao botar o pé na rua, Peter começou a tecer suas habituais fantasias sádicas. Sua preferência agora seriam pensões e pequenos albergues, principalmente os que tivessem um bar no andar térreo, pois assim os donos estariam ocupados. Outro ponto decisivo,era que suas ações criminosas sairiam de sua zona de conforto e Peter estenderia seu ataque às vilas e cidades vizinhas a Düsseldorf.

Seu primeiro ataque ocorreu na Rua Münster, em Rossstrasse, Düsseldorf. Peter invadiu uma casa, onde duas jovens irmãs dividiam um quarto. Na escuridão da noite, ele atirou-se às cegas sobre uma delas, apertando-lhe o pescoço e tapando-lhe a boca. Entretanto, a menina lutou e conseguiu bater seu próprio corpo contra a cabeceira da cama. O barulho acordou a irmã mais nova que, assustada, gritou por socorro. O intruso fugiu desesperadamente do local.

O Caso da Pensão dos Kleins.

A partir daqui, estão os relatos dos crimes e da vida de Kürten, descritos pelo próprio, por testemunhas e por policiais que trabalharam no caso.

Na semana seguinte, dia 15 de novembro, domingo, Peter se dirigiu para Köln-Mülheim.  Já era tarde da noite e ele reconheceu o som de um carrossel – Havia festa na cidade. Ele também ouviu barulho que pareciam tiros. Mas Peter Kürten não queria participar de nenhuma festividade. Ele percorreu as ruas, procurando um local adequado, uma pensão ou um pequeno hotel barato. Engana-se quem pensa que sua intenção era se hospedar na cidade, muito pelo contrário, Peter desejava invadir e roubar o local. Após alguns minutos de procura, Peter avistou uma pequena pousada.

Rapidamente, ele caminhou para dentro da casa. Abriu algumas portas, mas não encontrou nada que valesse apena para roubar. Ele subiu as escadas e entrou no quarto que ficava bem de frente. Aqui,  as palavras do próprio Kürten descrevem como ele agiu:
“Eu quebrei a janela da casa na Wolfstrasse, uma pousada de propriedade do Sr. Klein e ao subir até o andar superior, abri a porta do quarto, mas não encontrei nada que valia a pena roubar. Quando olhei para a cama, vi uma menina dormindo. Ela tinha cerca de 10 anos e estava coberta com um lençol fino...” 

Até o momento, Peter havia matado ovelhas, cabras, porcas e cadelas. Atentado contra a vida de várias pessoas e incendiado celeiros, mas dessa vez, o limite entre a crueldade o assassinato seria atravessado. Com a respiração ofegante e um forte desejo, Peter cometeu seu primeiro assassinato na vida adulta.

“Ela estava deitada, com a cabeça para o lado da janela. Eu me aproximei dela e a estrangulei por um tempo. Ela acordou e tentou lutar comigo, me arranhou todo. Eu introduzi meus dedos fechados na vagina dela. Então cortei sua garganta. Coloquei a faca do lado esquerdo do seu pescoço e puxei para a direita. Ouvi o esguichar do seu sangue, então eu a larguei. Lambi o sangue das minhhas mãos".

Quando o relógio marcou 11 horas da noite, Peter se assustou e desceu rapidamente. Deu sorte, não foi visto. Ele se dirigiu rapidamente para a estação de Mülheim. Durante o trajeto, parou em uma fonte, para limpar as mãos o rosto e a faca afiada. As 11:34 ele já estava sentando em um três, destino: Düsseldorf, seu lar.

Um estranho apareceu, invadiu a pensão dos Kleins, matou a menina e desapareceu. Não haveria nenhum risco da policia desconfiar dele... Foi um crime perfeito. No dia seguinte, quem apareceu no bar de frente à pousada dos Kleins? Isso mesmo, Peter Kürten. Ele foi até um bar, bem de frente à pousada que invadiu no dia anterior. Lá ele observou o trabalho da policia e o horror das pessoas que se aglomeravam na rua. Tomando uma cerveja, Peter ouviu as conversas sobre o cruel crime ocorrido no dia anterior. Todo aquele espanto, que tomava conta da população da pequena Mülheim excitava Kürten. Mais tarde, Peter também visitaria o túmulo de Christine. Ele apalpava a verde relva que cobria a sepultura da menina e se sentia excitado.


Margaret Shepherd.

1913, um ano ensolarado da primavera ao verão. Eram 25 de maio, o céu estava rubro. Kürten andava pela cidade quando conheceu Margaret Shepherd, uma empregada doméstica. Eles se esbarraram na Rua Brehmstraße e Peter a convidou, cordialmente, para dançar em uma festa, que ocorreria em Gerresheim, Düsseldorf. Kürten descreveu como agiu:
“No caminho pra casa, eu passei a estrangular ela por várias vezes o que a deixou muito assustada. Mas eu não queria matá-la. Chegamos a um acordo e fizemos sexo em um banco de praça.”

Nesse ponto, a narrativa é escassa demais, mas ao que parece, Margareth não causou grande impressão em Peter. Ele já tinha experimentado a sensação do assassinato. Peter a ameaçou de morte, caso ela não aceitasse ter relações sexuais com ele. Em 1931, no tribunal, Margareth testemunhou e deu mais detalhes sobre o caso:

“Nós andamos a noite toda pelo campo. Kürten não queria deixar eu ir para a casa. Ele tinha tomado minha bolsa. A chave da minha casa estava na bolsa. Ele me beijou forçado e começou a agir com agressividade, mas depois ficou amigável de novo. Em seguida, ele me empurrou para um banco e tentou a fazer sexo comigo. Ele rasgou meu vestido e eu estava chorando, pois estava com medo e ele começou a agir de forma amigável novamente. Vi que nesse estado eu não poderia voltar para a casa de bonde. Sentamos em outro banco. Ele me abraçou,  jogou seu casaco sobre nós e adormeceu. A madrugada chegou. Eu acordei e o chamei. Ele começou a agir de forma estranha novamente. Arrancou um dos meus brincos, começou a me morder e apertar meu pescoço, parecia o diabo encarnado. Tentei acalmá-lo, queria de qualquer forma acabar com aquele inferno. Mas tudo mudou quando escutamos passos de pessoas que se aproximavam. Peter então me fez prometer que eu não contaria aquilo para ninguém. Fomos ao Rolandsburg. Kurten me pagou um café da manhã, me deixou sentada lá e foi embora. Eu não o denunciei. Nunca mais vi Kürten na minha vida”.

No inicio do verão, Kürten adquiriu uma machadinha. Ele estava pronto para agir novamente.

No parque de Gerresheimer, Peter avistou um homem sentado em um banco. Chagando sutilmente por de trás do sujeito, Peter o golpeou na parte de trás do crânio. Apesar da gravidade da machadada, o sujeito conseguiu fugir. Kürten escondeu a machadinha debaixo do casaco. Alguns minutos mais tarde, ele viu um carroceiro, trazendo uma carroça de feno, vindo em sua direção.

Em um sábado junino, durante a noite, em um conjunto de chalés em Gerresheimer, uma jovem caminhava para sua casa. Peter Kürten avistou quando ela entrou por um corredor escuro e decidiu segui-la. Quando estava a poucos centímetros da moça, ele desferiu-lhe um forte golpe de machado na cabeça. A menina caiu silenciosamente no chão. Nessa noite, Peter ateou fogo em três celeiros. Parecia está atacado.

“Em julho eu andava próximo a Catedral da Rua Elm. Eu trazia um machado comigo. Eu já havia ido ali para roubar. Eu segui uma menina de mais ou menos 16 anos de idade. Ela estava indo para a cama e eu bati em sua cabeça. Ouvi quando o pai dela entrou na casa, joguei o machado em cima da cama e fugi.”

No tribunal, foi confirmado que o pai da moça tenteou, sem sucesso, seguir o intruso. Que saiu correndo pela porta. Ao voltar para casa, encontrou a filha caída e o machado jogado sobre a cama da garota. A esses acessos explosivos além da dose, Peter disse ser devido ao isolamento de sete anos, pelo qual nunca havia passado.

“Os outros presos se masturbavam imaginando mulheres nuas, mas isso não me dava prazer nenhum. Eu chegava ao auge quando olhava para algo horrível, por exemplo, uma extensa ferida na barriga e como as pessoas em volta ficavam aterrorizadas. Durante o tempo em que estive preso, eu fazia coisas erradas, só para ser levado para a solitária, porque naquela cela escura, eu conseguia tecer minhas fantasias com mais facilidade. Eu ficava excitado com a idéia de ferir as pessoas gravemente ou matar. Chegava a plena satisfação. Se eu pudesse, eu teria me enforcado. Depois acabei me acostumando com essas fantasias. Não é de se estranhar que eu não hesitei quando passei a transformar a fantasia em realidade.”

As declarações de Kürten eram verdadeiras e aterradoras. Parecia que dali pra frente sua vida só iria piorar. Mas essa sanha assassina duraria pouco, Pois Peter foi preso novamente, e mais uma vez, passaria 7 anos preso (Do outono de 1913 a abril de 1921, na cadeia de Brieg). Ao contrário da última vez, esse período na cadeia foi mais tranqüilo.
Em 1921, depois de solto, Peter mudou de atitude. Parecia que sua vida tomaria um bom rumo.

Peter conheceu uma mulher, trabalhadora e religiosa. Uma “liebe gute Guste”, como ele a gostava de chamar. Essa mulher se sacrificou por Kürten, perdoando suas puladas de cerca e até mesmo seus crimes. Ela estava sempre preocupada com seu bem estar e ajudou a policia a identificar Kürten. O nome dessa mulher era Auguste.

Auguste.

Auguste nasceu na região da Silésia, Alemanha. Filha de um alfaiate com moradia própria, ela viveu uma vida confortável. Saber detalhes sobre a vida de Auguste é complicado. Podemos apenas contar com as informações contadas na época do caso. É evidente que a história de Auguste chamaria a atenção, pois ela foi a responsável pela prisão do “Vampiro de Düsseldorf”, além disso, ela conviveu com o assassino. Apenas alguns fragmentos da história de Auguste são conhecidos.

Aos 16 anos, Auguste veio morar sozinha na cidade de Berlim. Foi nessa cidade em que ela caiu em má companhia, sendo presa pela polícia e enviada novamente para a casa dos pais. Lá ela arrumou um emprego em uma fábrica. Seus pais perdoaram a filha, eles eram pessoas respeitáveis e acreditavam que a menina seguiria o bom caminho junto com a família. Berlim teria sido um aviso: “Não deixe sua filha sozinha, pois ela pode se bandear para o caminho da libertinagem”. Apesar do carinho e dedicação dos pais, Auguste, novamente, saiu dos trilhos.

Quando tinha 20 anos de idade, Auguste conheceu um jardineiro, pelo qual se apaixonou. O jardineiro prometeu se casar com ela, no entanto, quebrou a promessa oito anos depois. Auguste, como vingança, matou-o a tiros. Como conseqüência de sua ação, Auguste foi presa e condenada por homicídio. Pegou uma pena leve, 5 anos de detenção, sendo liberta em 1915.

Em 1915, Otto Klein, tio da menina Christine, estava lutando no fronte de batalha quando foi baleado e morreu. O canal do Panamá foi inaugurado, Friedrich Loeffler descobriu o bacilo causador da difteria, a Itália mudou de lado na guerra... Também foi um ano de mudança na vida de Auguste. Ele se mudou para Leipzig, onde seu irmão residia e começou a trabalhar como costureira.

Cinco anos depois, ela abriu uma pequena loja de doces em Altenburg. Lá, Auguste conheceu a irmã de Peter Kürten. Em 1921 ela conheceu Peter, e os dois se casaram. Ele havia acabado de sair da prisão, estava abatido e exausto, pois estava preso sobre circunstâncias difíceis. Houve grande escassez de alimentos no cárcere e aquilo era um tormento para  Peter, evidentemente um glutão, - Até mesmo antes de morrer ele repetiu sua última refeição -  Talvez, por esse motivo, Peter não teve tempo para suas fantasias sádicas, estava ocupado demais pensando em comida. Quando apareceu em Altenburg, acompanhado por sua irmã, Peter disse a todos que estava na guerra, e passou um tempo em um cativeiro russo. Muitos acreditaram na história, pois ele era um hábil mentiroso, Auguste também acreditou. Apesar de aparentemente ser bem aceito, as pessoas da região não gostavam muito de Kürten. O achavam muito tagarela e loroteiro. Ele também tinha fama de mulherengo, cantando várias mulheres com as quais cruzava na rua. Auguste também não se interessava em Kürten. Aparentemente, isso era recíproco.
Auguste Kürten.
Para grande surpresa dela, Peter passou a cortejá-la, de uma hora pra outra. Suas declarações apaixonadas eram de uma mor brutal. Auguste já tinha experiência em um relacionamento infeliz, relacionamento que acabou levando-a a cadeia. Mesmo arrependida de ter tirado a vida do primeiro marido, ela nunca o esqueceu. Auguste acreditou que sabia o que estava acontecendo com Kürten e cedeu (por compaixão e por medo, não por amor).

 Apenas anos de convivência depois, Auguste passou a gostar de Kürten, mesmo sabendo de sua fama de mulherengo insaciável. Outro motivo que levou Auguste a aceitar as investidas de Kürten, era o fato de que, dificilmente ela conseguiria alguém além dele. Muitos conheciam sua história e seu passado criminoso. Peter tinha somente à Auguste e Auguste tinha somente à Peter.

Auguste era bondosa, honesta e ativa. Envolveu-se em projetos cívicos que buscavam a paz e segurança em sua vizinhança. Sob sua influencia, Peter se transformou em um novo homem: arrumou emprego em uma fábrica, passando a se interessar por política. Entrou no sindicato de trabalhadores e sempre trazia seu pagamento completo para casa.

Sua vida conjugal caminhava na normalidade. Mais tarde, Peter admitiria que muitas vezes teve fantasias sádicas enquanto fazia sexo com Auguste, a fim de obter orgasmo, mas ele nunca chegou a bater na mulher. Tudo estava aparentemente bem, e ele havia se tornado um sujeito bom e honesto, seguro para os outros. Encontrou uma posição respeitável em sua comunidade e teria ido tudo bem, até o fim da vida, se Peter não tivesse cometido um erro, um erro fatal: Ele voltou para Düsseldorf.

Peter conhecia todos os cantos da cidade, desde as margens do rio Reno, até a floresta Grafenberg. Em seus tempos de escola, Peter havia conhecido cada ponte, cada casa abandonada, cada matagal de Düsseldorf e das cidades adjacentes. A cidade pouco havia mudado.
Peter e sua esposa chegaram a Düsseldorf em 1923 e ficariam lá até julho de 1931. As atrocidades de Peter estavam intimamente ligadas à cidade. Em Düsseldorf, Peter conseguiu um emprego em uma fábrica. O trabalho era duro, tendo ele que trabalhar até aos domingos, mas mesmo assim ele aceitou. Saía de casa bem vestido, da cabeça aos pés. Sapatos brilhando de bem engraxados e cabelo bem engomado. Antes de sair, ele se olhava no espelho, se admirando pela boa aparência, vendo que poderia agradar às mulheres. Ele já estava chegando aos seus 40 anos.

Seu desejo pelo reconhecimento começou a perturbá-lo mais uma vez. Peter começava a se preocupar com sua idade e no que isso poderia prejudicá-lo no trabalho, entretanto, ele arranjou um jeito: Modificou a data de nascimento em seus documentos. Talvez, assim, mais jovem (10 anos mais jovem) Peter poderia garantir um local mais privilegiado. Peter era um ótimo impostor, e conseguiria se safar dessa. Mas havia um problema: Suas fantasias sexuais viriam à tona, novamente.

Auguste sabia que Peter a traía, ele confessou isso por contra própria à ela. Antes porém, uma mulher bateu à porta de Auguste, exigindo dinheiro, pois Peter havia abusado dela. Auguste deu-lhe 200 marcos. Apesar das infidelidades de Kürten, Auguste não desejava deixá-lo. Esta moça não era a única a reclamar de investidas sexuais violentas de Kürten. Três mulheres: Maria Wack, Maria Kiefer e Annie Est também foram vítimas de Kürten. Ele fingiu ser um mecânico ferroviário, se apresentando de forma educada e elegante sob o nome de Fritz Ketteler. Mas seu comportamento impecável durou pouco e ele estrangulou as mulheres durante o coito. Nenhuma delas morreu. Apesar da brutalidade do ataque, elas não deixaram de se encontrarem com Kürten. Peter também teve relacionamentos simultâneos com duas mulheres, uma de nome Thiede e outra de nome Mech (os nomes completos não são mencionados), foi aí que ele se deu mal: As mulheres descobriram que Peter era casado e o denunciaram. Peter disse mais tarde:

“Quando saí da cadeia, conheci Thiede e Mech. Mech me tratava muito bem, mas foi bastante vingativa quando foi ao tribunal e alegando que eu teria a ameaçado e a estuprado.

Peter foi absolvido, por razões subjetivas das acusações de tentativa de estupro contra Thiede, mas as modificações que ele havia feito nos documentos foram descobertas. Ele recebeu mais cinco meses de prisão acusado de falsificação. No caso de Mech, Peter respondeu por ameaças, assédio e tentativa de assalto. Recebeu oito meses de detenção. Ele foi mandado para a prisão de Ulmerhöh.
Após ser condenado, Peter acreditava que havia sido condenado injustamente. Ele passou a odiar o mundo a sua volta. Peter não reclamava das acusações anteriores, mas sim a das duas mulheres “feitas por pura maldade e perjúrio”.

Todos haviam conspirado contra ele, até mesmo Auguste, que na ocasião pedia divórcio. Auguste, a única mulher pela qual nutria afeto. Peter enviou uma carta para a esposa tentando removê-la da idéia do divórcio. Uma carta desesperada, pedindo perdão e ameaçando dar cabo da própria vida. Auguste mudou de idéia.

“Eu sempre me esforcei para expiar meus pecados da juventude”, disse Auguste mais tarde. “Eu vi Peter como uma espécie de penitência e também eu sabia que ele estaria perdido sem mim. Sabendo disso, decidi ficar com Peter...”

Na prisão de Ulmerhöh, Kürten fez amizade com um detendo, com o qual dividiu cela. Peter Kürten contou sobre sua boa esposa, mas não somente isso, ele também falou abertamente sobre suas fantasias sádicas, envolvendo estupro, submissão e assassinato de mulheres. Peter descreveu detalhadamente uma de suas experiências, quando ele havia mordido os genitais de uma menina e como o sangue jorrou - "esse foi o maior dos prazeres!", acrescentou. Seu colega de cela, aterrorizado, perguntou se Peter era uma espécie de pervertido
Nos últimos anos, Kürten teve tempo para realizar suas fantasias. Quando não encontrava uma mulher que pudesse virar sua vítima, ele incendiava qualquer celeiro que encontrasse pela frente. de um jeito ou de outro,sua satisfação sexual deveria ser alcançada. Como, estando mais uma vez na prisão, ele não podia por suas fantasias em prática, ele voltou a fantasiar. Agora, suas fantasias envolviam a figura de Jack, o estripador, sobre o qual tinha lido bastante. Ele repetia suas conversas, sobre ataque e submissão de mulheres como forma de gratificação sexual. Além disso, ele também começou a expressar sentimento de vingança contra a sociedade que havia o mandado para trás das grades, segundo seu julgamento, injustamente.

"Seu eu sair daqui", disse ele a seus companheiros de cela, "Düsseldorf experimentará um medo terrível!"

Kuerten cumpriria a sua palavra ... 

O inferno de carnaval.

Fevereiro de 1929. Düsseldorf é tomada pelo frio e os termômetros marcam 16 graus abaixo de zero. As ruas ficavam desertas durante a noite. Ninguém se arriscaria naquele inferno de gelo. No dia 2 de fevereiro, Apollonia Kühn, 55 anos, caminhava sozinha para sua casa, por um local isolado, pouco iluminado, quando foi atacada. Ela recebeu 18 facadas, desferidas por um desconhecido. O sujeito a acertou na parte de trás da cabeça, braço e peito. Após o ataque, seu agressor fugiu sem deixar rastros.

Em 10 de fevereiro, um cadáver infantil foi encontrado debaixo de uma cerca de madeira (algumas fontes dizem que era uma sebe), que ficava ao lado da igreja de San Vinzenz. O cadáver era de Rosa Ohlinger, 9 anos de idade. Ela foi morta com uma forte pancada na cabeça, mas apresentava 13 facadas no peito (overkill), várias das quais atingiram seu coração. O cadáver estava molhado com querosene, e vestígios indicavam uma tentativa frustrada de queimar seu corpo.

A causa mortes foi "golpes na cabeça, feitos com um objeto pesado". Posteriormente, com o andamento das investigações, os peritos puderam verificar que não houve estupro, mas o criminoso se masturbou e colocou os dedos lambuzados de semem por debaixo da calcinha da menina, alcançando e introduzindo os dedos na vagina da garota. Outro fato descoberto,foi a hora da morte. Talvez essa  simulação de estupro fosse apenas uma forma de tentar legitimar o crime e confundir policiais, ou  ser também parte um estranho ritual sexual.
Rosa Ohlinger, 8 anos de idade, foi golpeada na cabeça,  recebeu por volta de 13 facadas (overkill) e teve seus genitais destruídos. O criminosos tentou queimar seu cadáver com gasolina, mas não obteve sucesso.
Nenhuma pista que levasse à identidade do assassino foi encontrada. Em 12 de fevereiro, terça-feira de carnaval, os jornais de Düsseldorf traziam a nota de falecimento da pequena Ohlinger:

"NOSSA FILHINHA QUERIDA, NOSSA IRMÃ BONDOSA, SOBRINHA E PRIMA AMADA
ROSA OHLINGER FOI ASSASSINADA COM A IDADE DE 9 ANOS DE IDADE.
DEMONSTRAMOS, ASSIM, SINAL DE LUTO. DE SEU PAI, JOSEF OHLINGER E TODA SUA FAMÍLIA.
O FUNERAL HÁ DE SE REALIZAR NA QUINTA-FEIRA, 14 DE FEVEREIRO, ÀS 11 HORAS, NA CAPELA DO CEMITÉRIO STOFFELER. TODOS SÃO CONVIDADOS A COMPARECER."


Naquele dia, o mecânico Rudolf Scheer, 44 anos, beberrão de primeira, lia a nota de falecimento no jornal, sem esperar o que o aguardava. Na manhã seguinte, quarta-feira de cinzas, o cadáver de Rudolf foi encontrado desovado em uma vala na Hellweg. Ele tinha 12 ferimentos feitos com arma branca: cinco golpes de , em média, 11 mm na têmpora direita; doze golpes na nuca e no pescoço e mais quatro golpes nas costas. O assassino utilizou uma tesoura ou faca pequena, ou objeto similar. Ele também não deixou nenhum vestígio que pudesse facilitar sua captura. a policia deduziu que estava lhe dando com um assassino experiente.
Rudolf  Scheer apresentava ferimentos por todo o corpo. Ele teve o desprazer de esbarrar com o "Vampiro" enquanto estava embreagado.
A policia descobriu que o crime foi praticado de forma semelhante aos anteriores, e deduziu que a arma do caso Scheer foi a mesma usada no caso Ohlinger. Não havia dúvidas: Havia um assassino à solta em Düsseldorf. O mesmo homem havia matado, pelo menos, duas pessoas. Tudo indicava que o ataque à Apollonia Kühn  e o bilhete enviado à delegacia de policia também eram obras do assassino.

A principio, foi considerado que um doente mental fosse o responsável pelos ataques. Começou-se, então,uma investigação intensa por hospitais psiquiátricos. Um ex-negociante, de nome Emil Schwitzer foi apontado como suspeito. ele havia sido internado em 1925, após atacar várias crianças. Ele esteve internado em várias instituições. Sua última internação foi no asilo de Grafenberg, de onde fugiu em novembro de 1928. A polícia procurou freneticamente por Schwitzer, encontrando-o e mandando-o novamente para o asilo de Granfenber, entretanto, ele não era o assassino. Seus álibis se demonstraram sólidos e havia muitas testemunhas creditáveis para eles.

A população começou a pressionar a policia para que a prisão do assassino fosse feita. O medo era geral. O superintendente de policia de Berlim, Dr. Wachter foi chamado para auxiliar nas buscas. Ele chegou na cidade acompanhado de seus agentes, mas também não conseguiu elucidar os crimes. Em abril, a policia de Düsseldorf, finalmente, conseguiu prender alguém pelos homicídios... Infelizmente, ele não era o assassino. Johann Stausberg, 16 anos de idade, era um menino de mente fraca acusado de tentar estrangular duas mulheres com um pedaço de corda. Ele foi preso e interrogado sobre os homicídios contra Ohlinger e Scheere também sobre o ataque contra Apollonia. Por um motivo até hoje desconhecido, Stausberg confessou a autoria dos crimes imediatamente.

"O assassino do laço foi preso! Crimes de fevereiro esclarecidos!"
Johann Stausberg, retardado mental que confessou a autoria dos crimes. Até hoje não se sabe porque ele fez isso.
Stausberf realmente era culpado de tentativa de homicídio contra duas mulheres, entretanto, seus crimes param por aí. Ele tinha tomado um vasto conhecimento dos crimes ocorridos em fevereiro, através das reportagens que saíram nos jornais locais, ele afirmou ter fascínio por fogo e por isso ateou fogo no cadáver de Rosa Ohlinger e segundo seu relato, "as chamas, as chamas chegaram até seus joelhos!"

"E a faca?"

"Eu perdi."

Devido ao seu quadro mental, Stausberg não foi julgado, sendo apenas internado em um manicômio. Ele recebeu o número 51. Apolicia de Düsseldorf respirou aliviada e triunfante, pois em menos de três meses havia prendido o assassino... Pelo menos era o que eles achavam.


Peter Kürten admitiu calmamente ao professor Karl Berg:

"Com a Sra. Kühn ocorreu o seguinte: eu já estava bem excitado desde o inicio do dia, pois minha esposa tinha saído para trabalhar (August Spülerin Kürten havia conseguido um emprego em um restaurante na Graf-Adolf-Straße). Eu coloquei uma tesoura no meu bolso e saí para procurar uma vítima. Estava com tanto tesão, que me satisfaria em matar até um animal. Eu fui para perto do relógio na Hellweg. Eram cerca de nove da noite, quando avistei uma mulher caminhando pela Berthastraße, um caminho que era mal iluminado. Eu a persegui e ataquei... Ela me disse 'pare' e eu disse: 'cale a boca!'"
Graf-Adolf-Straße, na década de 20.
Kürten retirou a tesoura do bolso e atacou Apollonia de surpresa, dando-lhe golpes na cabeça e nos braços. Apollonia caiu no chão gritando e pedindo socorro. Ela levou tesouradas no peito e no braço (o tentar se proteger, Apollonia colocou os braços na frente do rosto) até que desmaiou. Em seguida, Kürten fugiu de repente.

Quando Apollonia Kühn  recobrou a consciência, ela se arrastou com muita dificuldade até sua casa. Seu marido Julius a recebeu e imediatamente ligou para um médico. Apollonia foi mandada para o hospital, e seu estado era gravíssimo. Apesar disso, ela se recuperou meses depois, entretanto, se queixava de fortes dores de cabeça. exames demonstraram que a ponta da arma do crime (na época, descrita como uma faca, mas que na verdade era uma tesoura) se quebrou, ficando alojada em seu crânio.

No dia do ataque, ao voltar para casa, Peter Kürten foi limpar a arma do crime, e percebeu que a tesoura estava sem uma das pontas. Ela já não teria serventia nenhuma para os futuros ataques. No dia seguinte, Peter levou a tesoura para uma loja de ferramentas, onde, talvez, poderia consertar. Aproveitando a ocasião, ele adquiriu um punhal. Ele estava ansioso para usar sua nova arma. Peter também adquiriu uma tesoura imperador (tinha esse nome,por conter a imagem do casal imperial gravadas). Com esses instrumentos mortais, ele faria uma nova vítima.

Tarde de 9 de fevereiro, Peter tomou a estrada, rumo ao distrito de Flingern, vagando à procura de uma vítima em potencial. Por volta das nove da noite, próximo à Igreja de heilig Vinzenz, ele avistou uma menina chorando...  Peter aproximou-se e perguntou por que a menina chorava, ela disse ter se perdido do caminho para casa e estava com medo. Ele perguntou onde ela morava, ao que ela respondeu "Long Road". Peter disse saber onde ficava a rua, e prometeu levá-la até lá. Ele a tomou pela mão e viu que a menina respirava aliviada. Eles contornaram a praça da igreja e Rosa contava sobre sua família, principalmente sobre sua irmã aleijada. Por confiar em um estranho, Rosa caminhava para a morte.

No lado leste da igreja, próximo a um balneário, uma cerca de madeira havia sido construída a pouco tempo. O local era escuro e deserto. Nenhuma viv'alma transitava por ali... o local era perfeito para os planos de Kürten.

Peter descreveu ao professor Berg como agiu: "Neste momento, eu peguei a criança pelo pescoço, a estrangulei mas não tive sensação nenhuma. Então eu peguei a minha tesoura a golpeei na cabeça, depois a goleei repetidas vezes no peito. Eu já estava pronto para ir embora, mas não consegui ter nenhuma ereção. Não sei se o senhor já sabe o que é bom... o que dá um arrepio por dentro..."

Kürten abandonou o cadáver da criança, o local não era distante de sua casa. Ele sabia que a sua esposa poderia perceber marcas de sangue em suas roupas. Preocupado, ele olhou cuidadosamente suas roupas, procurando por vestígios de sangue. Por sorte, apesar da brutalidade do ataque, ele estava limpo.  Lavou sua tesoura e foi ao cinema, queria se distrair um pouco.

Ao mesmo tempo, na Long Road, Joseph Bakers Ohlinger, padeiro e pai da menina Rosa estava preocupado com a demora da filha. Enquanto amassava a massa de pão, ele corria várias vezes até a porta, verificar se sua filha já estava chegando em casa, mas nada dela aparecer.

Às 11 da noite, Peter saiu do cinema, apanhou uma garrafa de cerveja vazia, encheu com querosene e foi até o local onde havia matado Rosa Ohlinger. Ele sabia que dificilmente conseguiria botar fogo no corpo, mas era necessário obter orgasmo de qualquer forma, ele tentaria se satisfazer vendo o crepitar da melhor chama quem conseguisse. Ele também esperava causar mais horror na população. Peter tentou colocar fogo na menina, mas foi interrompido pela chagada de pessoas. Ele teve que fugir.

Josef Ohlinger decidiu comunicar à policia o desaparecimento de sua filha. Após a meia-noite, Auguste chegou do trabalho. Peter dormia em sono pesado. Ele nem ouviu quando a mulher entrou no quarto. Tateando no escuro, Auguste conseguiu chegar até a lâmpada de querosene e a acendeu. Peter nem se mexeu, o brilho não o acordou de seu sono tranqüilo. Auguste já não era a bela donzela de antes: Com 48 anos de idade, seu rosto estava repleto de rugas e manchas, devido aos seus últimos empregos cansativo. Ela trazia no rosto um olhar triste e de suas roupas, se desprendia cheiro de temperos e detergente para louças. Exausta, ela retirou o casaco de inverno roto. Estava morta de cansaço, mas pelo menos pôde trazer para casa algum dinheiro. Ela ansiava por uma noite de sono á tempos e finalmente poderia dormir. A noite estava fria: Nos vidros das janelas do quarto do casal, uma grossa camada de gelo se acumulava. As lentas badaladas do relógio da igreja de heilig Vinzenz vinham como sussurro, em meio ao vento violento que soprava. Eram seis horas da manhã, quando Peter levantou-se. Vestiu-se de forma apressada e desceu as escadas. Ainda no escuro, ele saiu pela porta da frente. O frio na rua era cortante, mas ele tinha ambições. Ele pegou o mesmo caminho que tinha feito na noite anterior, contornando a igreja de heilig  Vinzenz até chegar ao balneário, onde havia abandonado o cadáver de Ohlinger e a garrafa com querosene. Por sorte, seu precioso tesouro ainda estava lá. Peter encharcou o corpo da menina com querosene, e,apesar do frio intenso, ele conseguiu acender o fogo. 

Finalmente ele pode se satisfizer. Poucos minutos depois, ele já estava de volta à sua casa, sem que sua esposa sentisse sua falta. Eram por volta das nove da manhã. Dois trabalhadores caminhavam pela região em direção das piscinas municipais, quando avistaram algo que parecia ser um monte de roupas queimadas. Ao se aproximarem, notaram que se tratava do cadáver de uma menina, parcialmente queimado: O corpo estava coberto por queimaduras, os cabelos chamuscados, pernas,  bochechas e braços queimados. Rosa estava deitada de costas, seu rosto estava destorcido, talvez numa demonstração de dor, sua boca estava aberta. Aquele cenário era muito impactante.

Rudolf Scheer.

Próximo à meia-noite a e terça-feira de carnaval, Rudolf Scheer, totalmente bêbado, cambaleava pela Hellweg quando esbarrou em um estranho. a reação do sujeito foi inesperada: ele desferiu-lhe um golpe de tesoura no rosto de Rudolf, que caiu no chão. ao tentar se levantar, apoiando as maços nos joelhos,o estranho golpeou-lhe as costas. Scheer estava bêbado, mas andava armado com um canivete,para a auto-defesa. Ainda ajoelhado,ele tentou sacar a arma, mas antes de abrir o canivete recebeu mais dois golpes em sua têmpora, na parte de trás da cabeça e no pescoço. Scheer caiu com a face no chão. Kürten disse ao professor Berg:  "O sangue jorrou da ferida no pescoço, e eu vi quando esguichou. Eu me agachei para poder tomar o sangue da ferida diretamente com a boca, mas não consegui.Eu estava muito animado e tive, imediatamente, um orgasmo. Depois eu o peguei pelas pernas e o arrastei até a calçada. Empurrei-o para uma vala, que corre ali perto. Eu queria ir para casa, mas percebi que deixei marcas de digitais sujas de sangue nas botas do morto. Então eu desci e limpei as botas dele. A coisa toda durou apenas alguns minutos. Na manhã seguinte, eu voltei a cena do crime. Os policias estavam perturbados e muitas pessoas chegaram ao local e ficaram se perguntando o que havia acontecido ali..."
Peter retornava aos locais dos crimes, não somente para relembrá-los, mas também para ver os rostos de assustadas das pessoas e os trabalhos policiais. Peter, num ato de ousadia, se aproximou do cordão de isolamento e perguntou a um policial:

"Quem foi assassinado aqui?"

O policial, olhando com desconfiança, perguntou a Kürten:

"Como sabe que foi um assassinato?"

Ao que Peter respondeu calmo e sem hesitação: "Essa informação chegou até mim por telefone!"
Apesar de estranho e muito suspeito, o policial não tinha porque desconfiar daquele sujeito de voz tranquila, leve e melodiosa. Aquela mesma voz que agradou muitas mulheres e inspirava confiança. Peter continuou com suas confissões:

"Eu não sei o que deu em mim. Eu me perguntava de tempos em tempos o que era esse demônio que tomava conta de mim todas as noites, me fazendo vagar pelas estradas à procura de vítimas. A minha sorte foi que não aconteceu mais vezes, pois quando minha esposa ficava em casa, eu não podia sair. Mas eu ficava impaciente por dentro, queria sair de qualquer jeito..."

Nenhum ataque do Vampiro.

Düsseldorf respirava tranquila, pois todos na cidade acreditavam que o assassino estava preso. Johann Stausberg havia confessado o crime e estava internado em uma instituição psiquiátrica... Durante o período de março até agosto de 1929, nenhum ataque do Vampiro foi registrado. Peter tinha parado de atacar? Não, não tinha. O que aconteceu foi que ele mudou seu Modus Operandi. Peter não atacou mais ninguém com tesoura, mas usou as mãos para estrangular as vítimas. Peter agia de forma semelhante, saindo de casa, de preferência aos domingos, indo até festas onde poderia conhecer garotas. Ele abordava mulheres com elogios e oferecendo doces e frutas. Após a "conquista", Peter levava a moça para um local mais afastado e a estrangulava. Em uma ocasião, Peter conquistou uma moça em uma festa, levando-a para um quarto alugado. Quando caiu a noite, Peter a levou para um casebre abandonado, às margens do Rio Reno, local de mato alto e demasiadamente arborizado. Lá, Peter a estrangulou. Pelo menos três meninas foram atacadas dessa forma por Peter. Felizmente, elas escaparam com vida. Peter encontrava a satisfação sexual mais rapidamente, antes mesmo de matar as mulheres. ele então as abandonava, deixando-as desacordadas

Maria Witt.

Em julho, Peter encontrou a empregada doméstica Maria Witt, que caminhava com o cachorro de sua patroa por Grunerstraße. Ele aproximou-se dela se apresentando como sendo funcionário de uma indústria responsável pelo abastecimento de gás urbano. "Nós nos encontramos várias vezes e conversamos de forma agradável em cada uma delas. Em um domingo, eu a convidei para um passeio, sugerindo a Golzheimer... eu sempre levava minha tesoura imperador no bolso. De repente, minha esposa descobriu, viu nós dois juntos. Witt não sabia que eu era casado. Auguste chegou até mim e disse: 'Olha, que bom! Vejo o que comprastes para a sua segunda esposa'. Eu trazia nas mãos uma rosa, que havia apanhado em um jardim para entregar para Witt,mas a atirei na cara de minha esposa e fui embora, deixando as duas lá, paradas..."

Ao sair, Peter encontrou outra criada, de nome Maria Wassmann e a levou para a feira de Heerdt. Em seguida, eles caminharam até a área de Niederkassel, um lugar muito escuro. Kürten começou a estrangular Wassmann, mas a menina reagiu com determinação: empurrou-o e começou a gritar desesperadamente. Havia uma barraca aberta nas proximidades, da qual Peter não havia notado a presença. Pessoas vieram atendendo aos gritos de socorro da garota. Peter teve que correr desesperado. Apesar da multidão que o seguia, ele conseguiu despistar a todos, entrando para o meio do mato.

Maria Hahn.

Em 11 de Agosto, a polícia de Düsseldorf tomou conhecimento de um novo ataque do Vampiro. A vítima da vez era Maria Hahn, de 20 anos. Maria era uma moça bonita, que trabalhava como doméstica para, descrita pelos amigos como uma pessoa sociável e alegre, porém ela tinha suas ambições. Gostava de conhecer homens mais velhos e endinheirados e não via nenhum problema nisso. Certo dia, ela estava sentada em um banco na Hansa, esperando alguém certo para socializar. Foi quando passou um homem bem vestido, com um impecável terno de verão e sapatos bem engraxados. Ela falou com ele, chamou-o e disse corajosamente: "Está uma bela noite para um passeio agradável, não?" O desconhecido sentou-se do lado dela e conversou por um tempo. Eles concordaram de se encontrarem no dia 11 de agosto, para passearem pela cidade. Mais tarde, Maria recebeu o convite de outros três homens, e perguntou aos amigos com qual deveria se encontrar. Na opinião de todo, ela deveria fazer amizade com  o que ela conheceu na Hansa. Melhor apessoado, mais gentil e provavelmente endinheirado. No dia marcado, o homem bem trajado compareceu pontualmente, com seu terno de verão e seus sapatos marrons, brilhando de bem engraxados. Maria percebeu que o sujeito trazia no bolso uma tesoura, mas não se assustou com isso. O casal tomou um elétrico até a Estação Central e depois tomou um trem de passageiros até a estação Neandertal. De lá, eles caminharam até Erkrath, passando rapidamente em uma taverna, onde comeram alguma coisa. depois seguiram para Stindermühle, onde pararam em um restaurante.

O dia estava seco e ensolarado. eles foram bem atendidos no lugar. Por obra do acaso, um conhecido da moça estava no mesmo restaurante e olhou o casal com certa inveja. No tribunal ele relatou: "Ele acariciava a mão dela e a tratava bem. Até lhe comprou uma grande barra de chocolate."

Quando o relógio marcou sete da noite, os dois deixaram o restaurante. O casal parecia muito animado. Maria Hahn estava muito satisfeita com sua companhia, pois ele não era em nada um homem avarento, muito pelo contrário, diferente de muitos homens com os quais ela havia se encontrado. O casal comeu salsichas, salada de batatas e ingeriram várias garrafas de cerveja. Ao sair do restaurante, eles tomaram caminho pela Gerresheim, até Morp e de lá seguiram para Richtung Pappendelle. A área era isolada. Um pequeno riacho corria ali perto e era possível ouvir o barulho da sua correnteza. O céu noturno fazia contraste com o bosque. Eles foram até um casebre, onde fizeram sexo.

"... A relação sexual ocorreu" - disse Kürten, no tribunal, no seu julgamento a portas fechadas - "Mas eu não tinha ido lá para me satisfazer daquela forma e disse a mim mesmo: Não, isso não é algo divertido. Não posso matar essa jovem carinhosa. No entanto,todo esse pensamento foi inibido em meu interior."

Kürten (que, como o leitor já deve ter percebido, era o homem bem trajado e nada avarento que estava conquistando o coração de Hahn) levou Maria Hahn para o interior da mata. Ele já tinha decidido matá-la. "Eu a estrangulei até que ela perdeu a consciência. Mas rapidamente ela acordou, então eu a sufoquei de novo. depois de um tempo, eu peguei a tesoura e enfiei na garganta dela. ela perdeu muito sangue, mas ainda estava consciente e eu a golpeei na cabeça e no peito. Ela clamava baixinho, pedido que eu poupasse a vida dela. eu bebia o sangue que jorrava de suas feridas e continuei a esfaqueando.

Até então, Peter havia matado suas vítimas próximo aos perímetros urbanos, tendo que agir rápido,pois alguém poderia chegar a qualquer momento. Dessa vez, ele teria todo o tempo do mundo, pois estava em um local bem isolado
"Eu senti profundamente que meu golpe fatal foi a tesourada no peito que desferi, provavelmente atingiu o coração. acho que sua morte demorou cerca de uma hora. depois que ela morreu,eu arrastei seu cadáver até uma valeta, ali perto e joguei alguns galhos por cima, eu tinha que esconder aquele corpo. dessa vez eu tinha bebido muito sangue. Apanhei seu chapéu,bolsa e porta-chaves. Eu atirei tudo em um campo de aveia. No caminho de casa, eu cantei em voz alta."

Auguste Kürten já estava em casa quando o marido chegou. Ao ser questionado por onde andava, Peter afirmou ter ido à feira. Na manhã seguinte, quando Auguste foi lavar a roupa do marido, ela percebeu as várias manchas de sangue em sua camisa e no paletó. Peter também tinha uma desculpa: Ele teve uma hemorragia nasal. Auguste também encontrou manchas de sêmem nas calças de Peter, mas nem perguntou sobre isso. Ela presumiu que o marido teria se encontrado com uma amante estrangeira.

As discussões entre Peter e Auguste foram tão intensas, que uma vizinha, moradora do andar debaixo, cujo nome era Kate Wimmer ouviu os berros. Ela voltava para casas, depois de ter ido buscar água e pensou "Pobre Auguste, uma mulher de coração tão bom, casada com um sujeito tão nojento...". Do quarteirão, a Sra. Wimmer era a única pessoas que não acreditava que Kürten era um bom sujeito. Todos os outros o viam como um homem de bem, uma pessoa honesta.

No trabalho, Peter relembrou intensamente o frenesi da noite anterior. Decidiu que iria consturie umaespécie de "memorial", para que ele pudesse ir lá relembrar no assassinato. ele queria construir uma espécie de túmulo para Maria Hahn. Assim, também, ele poderia dificultar o trabalho da policia na hora de localizar o cadáver. oque aconteceu em seguida não é muito claro.
Quando Kürten chegou do trabalho, disse a mulher que teria que voltar ao trabalho,pois um colega do turno noturno estava doente e ele deveria assumir o serviço. Peter desapareceu de casa outra vez.

Ele foi para o local onde o cadáver de Hahn estava. Por um instante, ele pensou em crucificá-la entre duas árvores, pois assim causaria um espanto ainda maior, mas logo desistiu da idéia: Era muito arriscado. Alguém que passasse por perto poderia vê-lo, ou ouvir o barulho das marteladas.

No bosque, Peter cavou uma cova rasa, com mais ou menos meio metro de profundidade. Ele foi até o local onde o cadáver de Hahn estava ocultado sob os ramos verdes, pegando o corpo e colocando sobre os ombros. Para sua surpresa, o cadáver não estava rígido, mas saudável e flexível. Peter descreveria como acariciou o rosto e os cabelos de Maria Hahn, com uma espécie de ternura pela morta.
Então ele caminhou até onde havia cavado. O corpo de Maria estava quase nu, o que o excitou muito. Ele jogou o corpo na cova, retirou suas meias e amarrou em volta do corpo. Nesse momento, veio à sua mente a lembrança do assassinato de Hahn, o que deu a ele um momento de êxtase.

"Eu cavei cuidadosamente com a pá a terra fina. Após cavar o buraco, pisei nele para deixá-lo mais plano. Desde que peguei o cadáver, minha camisa ficou cheia de sangue, então eu a lavei no riacho e vesti molhada mesmo. A pá que eu usei para enterrar o cadáver eu escondi no mato. Depois eu limpei a lama de meus sapatos, usando um pano que eu já trazia no bolso, eu tinha que fazer isso. Quando eu já tinha terminado tudo, já estava quase amanhecendo.

Às sete e meia da manhã, Peter chegou ao apartamento. Auguste estava impaciente e irritada. Perguntou como seu trabalho na fábrica de sapatos o tinha deixado todo molhado e sujo. Peter não deu atenção para a esposa. Caiu na cama e dormiu por uma hora, acordando para ir ao trabalho.

Na semana seguinte, Kürten foi até o "túmulo" de Hahn. Ele pegou a pá e plantou na sepultura ervas daninha e plantas silvestres, para que a superfície não ficasse sem mato, deixando, assim, uma diferença evidente. Entretanto, quando Peter retornou ao local, no dia seguinte, as plantas ali colocadas já haviam secado e estavam morrendo. O assassino não teve outra escolha se não arrastar um grande bloco de pedra lisa, a fim de esconder o túmulo. Enquanto isso, a polícia procurava saber com os Roloffs onde Maria Hahn poderia está. A família não tinha em mente nenhum local onde a moça poderia ter ido. Quando Maria Hahn não apareceu para trabalhar, eles acreditaram que ela poderia ter ido embora para Bremen, onde os pais da moça viviam. No entanto, era estranho o fato dela ter deixado todos seus pertences para trás. Os Roloffs tinham parado, e a muito tempo, de se preocuparem com as escapulidas de Maria Hahn, pois já haviam acostumado com seus jeito de ser. Em cidades grandes, era algo comum o desaparecimento de moças, que depois eram encontradas sãs e salvas. A maioria fugia por razões passionais, quase sempre acompanhadas por seus "amores".

Um policial pediu mais informações sobre a vida de Maria Hahn: Nome completo, idade, ocupação, onde residia,quando foi vista pela última vez... "Agora, tudo o que temos que fazer é esperara que ela apareça!"

O assassinato de Maria Hahn representou uma revirada na vida de Kürten. Ele estava mais uma vez mergulhado no mundo dos homicídio. A paz que tomava conta de Düsseldorf, desde os crimes de fevereiro teve um fim repentino. Acompanhados das festividades, seguiram-se episódios de sangue e horror, nos dias 20, 24 e 25 de agosto...

Bom, meus leitores, infelizmente o Blogger não aceita textos muito grandes, portanto, a história de Peter Kürten será dividido.

5 comentários:

  1. ADOREI O BLOG , MAS,TENHO UMA CURIOSIDADE , COMO CONSEGUE TANTOS DETALHES ASSIM DAS HISTÓRIAS , NARRADOS EM TERCERIRA PESSOA , MAS AO MESMO TEMPO CHEIO DE PECULIARIDADES COMO SE VC ESTIVESSE PRESENTE EM CADA MOMENTO DOS FATOS ?

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    1. Olá, Leila. Obrigado por acessar!
      Bom, é um trabalho em duas etapas: Primeiro vem a pesquisa, procuro em várias fontes, junto tudo, traduzo (se tiver que traduzir) e organizo as informações. Aí depois vem a parte mais difícil: Criar um texto em cima das informações recolhidas...
      =D

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Conheci esse blog através de uma entrevista do Jeffrey Dahmer que o "Blog do aprendiz verde" postou, dizendo que tinha sido trabalho de vocês. Este blog é excelente, material super completo, irei acompanhar sempre, mesmo conhecendo a maioria das histórias aqui, irei ler de novo. Parabéns, de verdade!

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  4. Hi, I am writing from Germany, Düsseldorf, where Peter Kürten lived and murdered. I am just writing a book about his life and criminal career and I am surprised about some very rare fotos I did not know until now. What are your conditions for using three of these fotos (Kürten as a young man; Maria Buttlies/not: Buttliez); mother of Rosa Ohliger on her way to the Trial). Please let me know!
    Hanno Parmentier
    Mail: parmentier@hotmail.de

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