4 de jan de 2012

Erzsébet Báthory: A condessa de sangue

A "Mulher Drácula"




Descendentes do clã de Hun Gutkele, a família Báthory era uma das famílias mais influentes e nobres da Europa, detendo poder sobre parte da Europa Central, em países como Polônia, Hungria, Eslováquia e Roménia. Seu poder chegou ao auge no século 16 mas declinou até extinguir-se completamente. o nome Báthory deriva da palavra Bator, que significa valente.



Brasão de armas da família Báthory.

Para manter a nobreza sanguínea da família, muitos casamentos incestuosos foram realizados entre os Báthorys, tendo como frutos, indivíduos com instabilidade mental. Houveram vários maus elementos na família Báthory, entre ele, Erzsebet.

Erzsebet Báthory nasceu em 7 de agosto 1560 (ou 61). Filha de György Báthory e Anna Báthory, irmã de István Báthory, rei da Polônia e que mais tarde seria príncipe da Transilvana. Erzsebet foi criada na religião calvinista como sua mãe. Anna Báthory foi uma grande apoiadora da reforma religiosa na Hungria.


István Báthory, que subiu ao trono da Polonia, era tio de Erzsébet. Ele tinha um temperamento violento e sádico.

Erzsebet recebeu uma ótima educação. Sabia ler e escrever em 5 línguas (húngaro, grego, latim, alemão e eslovaco) além de também receber aulas de matemática e lógica. Ela por muitas vezes gostava de se vestir como menino e praticar esportes tipicamente masculinos, como esgrima e equitação.

Apesar da bela aparência física e da boa condição de vida, Erzsebet já demostrava sinais de desordem cerebral: Fúria descontrolada, convulsões e é possível que tenha sofrido de epilepsia. A Áustria estava em intensa batalha com os Otomanos e a Hungria ficava entre os dois rivais, servindo de campo de batalha. Setephan assumiu o trono de príncipe da Transilvana, e planejou unir forças contra a ameaça Otomana.À essa altura, Erzsebet tinha onze anos de idade. Ela presenciou episódios de violência, entre eles a morte das próprias irmãs, Klara e Zsofia, que foram torturadas, violentadas e mortas por rebeldes durante uma invasão ao castelo da família.

Casamento.

Aos 15 anos, por motivos políticos, Erzsebeth casou-se com o Conde Ferencz Nadasdy. Antes, porém, precisou ausentar-se sob o pretexto de estar doente. Na verdade elas engravidou de um camponês quando tinha 14 anos, época em que já estava noiva. A criança foi doada para a adoção em segredo para evitar que o casamento com o nobre não acontecesse. Erzsébet mudou-se para o castelo e Sárvár um pouco antes do casamento, ficando sobre guarda da futura sogra, Orsolya Knizsai Nadasdy. Em Sárvár, Erzsebet punia brutalmente os servos, alguns espancamentos terminavam em morte, mas na época isso não era crime. Ela cada vez mais desenvolvia seu lado sádico. Erzsebet também exibia um comportamento vaidoso, mesquinho e demasiadamente narcisista, que a fazia admirar-se constantemente nos espelhos da casa, trocar a roupa várias vezes e passar óleos e unguentos em todo o corpo para manter a brancura e maciez da pele. Por orgulho do sangue, Erzsebet manteve o nome Báthory, enquanto Ferencz, adotando o nome da mulher, passou-se a chamar-se Ferencz Báthory.

Conde Ferencz Nadasdy

Ela passou a morar no castelo Csejthe, nas montanhas de Cárpatos, hoje pertencente à Romênia. O castelo era cercado por 17 aldeias camponesas. Ferencz ausentou-se inúmeras vezes para liderar os exércitos contra a ameaça Otomana, seus feitos em batalha o trouxe o reconhecimento de herói da guerra. Erzsebet era uma jovem ativa e estava ficando entediada. Ela começou a envolver-se com pessoas que se diziam ocultistas e afirmavam ter contato com o demônio. A própria Erzsebet tinha tios que praticavam ocultismo. Ela chegou a hospedar um nobre estrangeiro de aparência estranha e que acredita-se que tinha a mania de beber sangue. Erzsebet passou a visitar sua tia, que tinha fama de bruxa e lésbica. Thurzo, uma de suas criadas à instruiu no mundo do ocultismo.


Várias versões de Erzsébet Báthory


As pinturas de Erzsébet Báthory mostram sempre uma mulher de beleza madura e quase sempre na mesma posição


Práticas de tortura.

Erzsebet contraiu gosto pela tortura, e muitas vezes, seu marido a ensinava as práticas que usava nos campos de batalha para extrair informações de prisioneiros. No começo, os maus tratos eram empregados como forma de punição, mas eles foram ficando cada vez mais frequentes até que eram empregados por motivo nenhum.

Entre as principais torturas praticadas por estava a de enfiar agulhas metálicas nas carnes da vítima, genitália, seios e por debaixo das unhas. Erzsebet gostava de flagelar as jovens, principalmente de frente, para ver a expressão de dor nos sues rostos. Trancar a pessoa em uma jaula suspensa e espetá-la com um ferro em brasa e cortar partes mais moles, como seios e lábios vaginais, também estavam entra a lista macabra.

Durante o inverno, ela obrigava meninas a deitarem nuas na neve, e tacava-lhes água fria. As jovens acabavam morrendo congeladas. No verão, Erzsebet besuntava os corpos nus das jovens com mel de abelha e deixá-las amarradas em postes, até serem devoradas vivas por insetos. Essas práticas foram ensinadas por Ferencz.
Pintura de 1865, do artista impressionista Istvan Csok , mostra a condessa Báthory se divertindo durante uma sessão de tortura.
Detalhe do rosto de Báthory, do quadro de Csok.
Báthory aprimorou suas práticas de tortura com sua tia, que tinha fama de ser bruxa e lésbica. Ela tinha muitas servas para as duas "brincarem". Erzsebet também teve muitos amantes, incluindo relacionamentos lésbicos.

Por volta de 1601, após ter quatro filhos, três meninas e um menino, com Erzsebet,  Nadasdy adoeceu e ficou em sua cama até sua morte, em 1604. Erzsebet tinha 44 anos de idade na ocasião. Ela se mudou para Viena e mais tarde voltou para a Hungria, onde tinha mais privacidade para praticar suas práticas sádicas. Os métodos de torturas de ErzsebetErzsebet, por vezes, precisava trocar de roupa, devido a quantidade de sangue que pingava delas. Ela também costumava costurar a boca de algumas servas, obrigá-las a comer da própria carne ou queimar seus genitais.


Erzsebet não praticava seus crimes sozinha. Ela contava com a ajuda de um grupo de seus servos. Por incrível que pareça, nenhum deles tinha uma boa aparência física: eram deformados ou de idade avançada. Um servo chamado de János "Ficzkó" Újváry (Ficzkó significa menino em húngaro) era um anão. Outros servos que a auxiliavam nas torturas eram sua criada mais antiga, Dorothea "Dorkó" Zentes, ela havia aguçado o interesse de Erzsébet pelo ocultismo; Ilona Jôo e Katarina Benická. Erzsébete também tinha preferencia por jovens de seios fartos. Muitas vezes ela alimentava forçadamente suas prisioneiras, para que assim, terem mais sangue.

Ousadia.

O número de camponesas estava se esgotando, mas Erzsebet não queria parar com sua diversão. Como na maioria dos casos de assassinos em série, a confiança em si vai aumentando com o passar do tempo, e os crimes vão ficando mais ousados. Erzsebet era inteligente, mas sua sede por sangue significou sua condenação. 

 Erzsebet se ofereceu para dar aulas de bons modos para jovens de famílias nobres. Em 1609, após o assassinato de uma jovem nobre, supostamente suicídio, as autoridades decidiram agir. A suspeita juntamente com os inúmeros rumores sobre os assassinatos, que se mostraram verdadeiros, levaram Erzsebet e alguns de seus servos presos. O rei Mathias II apoiou a decisão, pois Erzsebet havia lhe cobrado dívidas que ele contraiu com seu falecido esposo.

Descobertas sinistras no castelo Csejthe.
Castelo Csejthe.
Em 30 de dezembro de 1609 (ou 1610), a mando do rei Mathias II da Hungria, homens foram até o castelo Csejthe. Haviam rumores da prisão de várias meninas e até mesmo inúmeras mortes, além de práticas de magia negra. A equipe foi formada às pressas.


A tropa começou a subir a colina onde se localizava o castelo Csejthe. Ele repararam que todas as janelas estavam fechadas. Contornaram até a frente do castelo, sem serem percebidos, e encontraram a grande porta frontal entreaberta. O paladino da Hungria, Juraj Thurzo, condizia o grupo.

Os homens encarregados de vasculharem o castelo onde Erzsebet morava encontraram um cenário de horror: Havia restos mortais femininos enterrados em covas rasas junto com os pertences das jovens. Um corpo parcialmente carbonizado ardia na lareira, cachorros corriam com pedaços de carne humana na boca. Haviam também muitas sobrevivestes, que serviriam como testemunhas. Encontraram também uma sala iluminada com tochas, que serviria para rituais de orgias sádicas. Haviam também corpos cujos o sangue foi parcialmente drenado.


Muitos informações não foram relatadas, talvez pelo conteúdo estarrecedor. Erzsébet não foi localizada à principio, mas se tinha um noção de onde ela poderia estar. Alguns servos foram levados, acusados de participarem das sessões sádicas. Thurzo conhecia bem o castelo, pois ela havia frequentado enquanto criança. Erzsébet estava em um quarto e protestou inocencia.

Julgamento.


Juraj Thurzo decretou que Erzsebét ficaria presa no castelo Csejthe. Ele deixou 4 guardas vigiando. Thurzo eecreveu sbre ter encontrado apenas um corpo, que seria de uma jovem que furtara uma pera. Ela estava com as mão queimadas e os seios mordidos. Thurzo não relatou sobre as orgias e todos os cadaveres achados para preservar a nobreza da família. Mais tarde, outros homens seriam enviados para o castelo, e encontrariam o cenário de horror.

No dia 2 de janeiro de 1611, iniciou-se o julgamento de Erzsébet Báthory, presidido por Theodosius Szulo. Erzsebet preferiu ficar no castelo e não testemunhar, porém ela alegava inocencia. Muitas testemunhas de acusação foram ouvidas, incluindo familiares das vítimas, sobreviventes e empregados de Erzsébet. Os servos eram submetidos à interrogatórios extensos. Perguntava-se, por exemplo, quantas jovens foram mortas, quais as práticas de torturas impostas; Quem atraia as meninas até lá. Eles descreveram as práticas impostas por Erzébet. Ilona Joo, que teria sido ama de Erzsebet desde a infância assumiu os assassinatos de mais de 50 garotas. Ela admitiu ter forçado as menias a comerem brasas e também teria esfaqueado e rasgado suas peles com pinças. gostava de rasgar a pele entre os dedos . Um outro servo admitiu que condessa gostava de colocar brasas nos pés das vítimas. Uma testemunha afirmou que viu o próprio lúcifer manter relações sexuais com Báthory. Anna Darvulia, suposta amante de Erzsébet também lhe ensinava práticas de tortura. O anão János Ficzkó afirmou que havia sido levado à força ao castelo. Ele disse não saber quantas meninas matou, mas sabia que pelo menos 37. Os corpos, segundo ele, foram enterrados: cinco em buracos comuns, dois no jardim, dois em uma igreja durante a noite e assim por diante. As garotas eram atraidas por promessas de empregos. Quando se recusavam a ir, eram espancadas e levadas à força. A condessa gostava de espanca-las, segundo testemunhos, uma jovem chegou a receber 200 golpes até a morte. Dorkó admitiu cortar os dedos das meninas com tesouras e tenazes. Somente um servo se negou a depor contra Erzsébet.


Erzsébet tinha uma postura arbitrária, ela gostava de submeter às jovens ao espancamento intenso, até que os ossos quebrassem. Uma vez, quando adoeceu e ficou impossibilitada de praticar torturas, chamou uma serva ate perto dela, onde a mordeu e espancou, até a morte. O sangue em volta de sua cama era tanto, que foi necessário usar cinzas de corpos para absorve-los. Naquela época, mesmo com a tortura sendo permitida como punição, os membros do juri ficaram estarrecidos com os acontecimentos ocorridos no castelo

Condenação.
No dia 7 de janeiro, um segundo julgamento aconteceu. Um bloco com anotações, apresentado por uma mulher que se identificava somente como Suzanna, continha 650 nomes de jovens do sexo feminino, possíveis vítimas de Báthory. Mais tarde, uma carta de Thurzo ao  Rei Mathias seria apresentada. Ela relatava a descoberta de mais de 300 corpos.


Com base nos testemunhos e esqueletos e restos mortais encontrados no castelo, Báthory e seus cumplices foram condenados acusados de 80 homicídios (A carta de Suzanna e de Thurzo foram apresentadas mais tarde e o número oficial de vítimas ficou como sendo 80)


Os servos que ajudaram Erzsébet foram condenado a morte: Ficzko foi decapitado; Ilona Joo e Dorothea Szentes tiveram os dedos arrancados com tenases em brasa, depois foram lançadas vivas na fogueira; Katarina Beneczky foi perdoada e escapou da morte; Em 24 de janeiro de 1611, Erzsi Majorova também foi executada. 


Erzsébet Báthory foi formalmente acusada de 80 crimes e entrou para o Guinnes Book como a mulher mais mortal da história. Ela é suspeita de mais de 600 mortes.


A condessa Erzsébét Báthory, por ser nobre, escapou da pena de morte, sendo condenada à encarceramento perpétuo em uma torre de seu castelo. O rei tentou retirar sua imunidade nobre e mandá-la para a morte, mas não conseguiu. A condessa continuava a jurar inocência, afirmando que as meninas morreram de causas naturais.


A porta principal e as janelas foram vedadas, havendo apenas um pequeno buraco, por onde Erzebet recebia alimentos. Seu filho escreveu ao rei pedindo misericordia, mas não foi atendido. Sua filha Anna jurou nunca mais falar com a mãe


Em agosto de 1617, carcereiros que guardavam a prisão de Erzsérbet foram espiá-la, pois ela ainda conservava sua beleza. Um deles tomou um susto ao ver que elas estava caída com o rosto voltado para o chão. A condessa Erzsérbet Báthory, a mulher drácula, estava morta, aos 54 anos de idade. A Família Báthory foi perdendo força até não existir mais. o castelo de Csejthe, está de pé até os dias de hoje, porém não passa de uma imensa ruína.


Ruinas do castelo Csejthe.

Banhos de sangue.



Muito do que  se conhece sobre Erzsébet Báthory foi escrito bem depois de sua morte, incluindo a crença de banhos de sangue. É comum vermos Erzsébet como um dos grandes vampiros da história, mas, como as cavalgadas nuas de Lady Godiva, os banhos de sangue não passam de lenda.

Uma das versões conta que a condessa estava tendo seu cabelo penteado, quando a serva que penteava sem querer puxou uma mecha. Erzsébet com ódio espancou a jovem até a morte. Ao limpar o sangue que espirrou em suas mãos, ela percebeu que elas estavam mais branca e sua pele estava mais macia. Desde aí, ela passou a tomar banho de sangue, para manter-se sempre jovem e bonita.

A história dos banhos de sangue apareceu pela primeira vez em 1744 , no livro Trágica Historia de László Turóczi. Ele é o primeiro livro sobre o caso Báthory. A história foi fortemente questionada no século XIX e o sadismo passou a ser considerada o principal motivo dos crimes. 

O historiador Raymond McNally viajou até a Eslováquia, com a finalidade de estudar o caso. Ele pesquisou registros e testemunhos da época, e em nenhum havia referencia aos famosos banhos de sangue. Havia, sim, referências por desejo de ver sangue, e, por vezes, morder tiras de carne humana, mas não culminando em canibalismo ou vampirismo. Hoje Erzsébet é cotada no grupo de "vampiro reais".


O filme Countess Dracula, com Ingrid Pitt e o filme Báthory foram inspirado no caso de Erzsbét. Bathory também é o nome de uma banda de Black Metal.

A história dos banhos surgiu no século 18, nessa época, havia uma "febre" de lendas vampíricas por toda a Europa. Erzsebet Báthory foi umas das celebridades a serem "vampirizadas". É provável que László Turóczi tenha coletado informações de histórias anteriores, e dado uma embelezada, e depois alegado ter colhido informações em relatos da época. László era jesuita e a existencia de vampiros e outros seres mitólogicos, de certa forma, poderia servir para aumentar a crença em Deus.


Bram Stoker, criador do vampiro Drácula. Seu romance teria mais de Báthory do que do verdadeiro Vlad Drácula, mas isso nãe é totlmente comprovado.

Na década de 80, McNally alegou que, provavelmente, Bram Stoker, autor do livro "Drácula" teria buscado inspiração na lenda de Báthory para criar o personagem principal. Ele observou, por exemplo que o vampiro Drácula é húngaro, como Báthory, e não Romêno, como Vlad Tempest foi. Vlad Tempest tinha o costume de empalar pessoas, mas não praticava vampirismo, essa parte da história assemelhá-se com a lenda criada sobre Báthory.


 Drácula (1931) e Nosferatu (1922) ambos inspirados no personagem de Bram Stoker.


Com ou sem seus banhos de sangue, Erzsébet é até hoje lembrada por seu sádico desejo de torturar e matar, sua beleza e seu possível grande número de vítimas, e, com certeza, ocupa lugar entra as mulheres mais perversas da história.




Fontes: 
http://www.whataslacker.com
http://www.trutv.com/library/crime/serial_killers
http://www.hellhorror.com/
501 most notorious crimes - Paul Donnelley; Larousse; 2010

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