24 de fev de 2012

Francisco Costa Rocha: Chico Picadinho


4 de agosto de 1966, 1,30h da madrugada, Prédio Central de Polícia, Pátio do colégio, Centro de São Paulo. Policiais, repórteres e fotógrafos de plantão passavam o tempo com jogos de carta e dados, enquanto aguardavam algum comunicado de crime. A sala de imprensa do velho casarão, havia sido residência de dona Maria Domitila de Castro e Melo, a Condessa de Santos, durante o segundo império.

Um guarda civil da Radiopatrulha, com uma farda azul-marinho, muito semelhante às dos policiais estadunidenses entrou na sala de imprensa de repente: "Acabamos de receber uma informação não confirmada sobre um crimes. Uma mulher teria sido encontrada esquartejada. Não temos o endereço exato. Só sabemos que é na região da boca do lixo". 


A notícia repentina agitou os repórteres. Um deles abandonou um copo de café ainda cheio sobre a mesa, ao lado de uma garrafa térmica, e foi telefonar para a redação do jornal: Acabamos de receber uma notícia de um crime na Boca do lixo. Coisa grande. Estou indo pra lá agora, qualquer coisa eu aviso."

Repórteres, fotógrafos e policiais seguiram para a região do Quadrilátero do Pecado, para localizar o local do crime. Eles se dividiram em pequenos grupos. E toda Boca do Lixo foi minuciosamente esquadrinhada. Naquela época, os cerca de 20 jornais e as dezenas de emissoras de rádio alternavam turnos nas Sala de Imprensa da Central de Polícia, sempre à espera de notícias de crimes.

A Boca do Lixo.

A Boca do Lixo, localizada no chamado Quadrilátero do pecado, de onde fazia parte, também, a chamada boca de luxo, a Boca do Lixo era um logadouro onde fervilhavam as atividades ilegais, principalmente a prostituição, ou Trottoir, como era apelidado o trabalho das mulheres da vida. O Quadrilátero do pecado ia do início do bairro Santa Ifigênia, Av. Ipiranga e São João, ao Bairro da Luza, nas imediações da estação ferroviária Júlio Prestes e da Luz.

O inicio do Quadrilátero do pecado, Zona do Meretricio paulista.
A Boca do Lixo era conhecida por ter sido o pólo da industria cinematográfica nas décadas de 20 e 30. Mas tarde, ela seria o palco do movimento conhecido como cinema marginal. O cineasta José Mojica Martins, conhecido popularmente  por seu personagem mais famoso, o Zé do Caixão, rodou inúmeros filmes na Boca do Lixo; assim como Rogérios Sganzerla, com seu filme O Bandido da Luz Vermelha. Muitas pornochanchadas (em outras palavras, mistura de filme erótico com comédia) também foram gravadas na famigerada Boca do Lixo.

Rua Santa Ifigênia.

Na década de 60, no quadrilátero do pecado, a moeda local era sexo e  venda de proteção. Haviam inúmeros prostíbulos, danceterias, cinemas com exibição de filmes pornográficos, jogos de azar, hotéis barato e mal-afamados, boates e show de strip-tease.

Encontro na Rua Aurora.

Eram 2hs da madrugada, um fotógrafo e um repórter que passavam pela Rua Aurora, perceberam uma situação estranha no edifício São Pedro, n° 72: Um policial estava fardado, posto atrás de uma porta de vidro, do lado de dentro do edifício. Os dois resolveram verificar o que estava acontecendo, o policial disse: "Foi aqui mesmo que encontraram a mulher esquartejada. Não posso informar mais nada. Estou aguardando os meus superiores. Ninguém está permitido a entrar."

Naquele momento, já haviam se passado mais 20 horas do assassinato. Os repórteres só foram liberados para subir após as 5hs da manhã. a policia já havia apreendido as roupas da vítima e as armas do crimes. O perito Adolpho Viesti fez um laudo sobre o local do corpo. Havia sangue por toda parte, e papeis jogados pelo chão. No quarto, as roupas da vítima estava  sobre o pé da cama e sua roupa íntima estava posta sobre a poltrona. Os lençóis estavam em desalinho e os cinzeiros estavam cheios de pontas de cigarro. Haviam cacos de vidro no chão, marcas de arrastamento no carpete, uma tesoura sobre o criado mudo e  no chão, próximo a ele, uma fivela com fios de cabelo. 

Percival de Souza, repórter policial e criminólogo, foi um dos jornalistas que cobriram o crime da Rua Aurora, este seria seu primeiro trabalho como jornalista policial. Mais tarde, no livro 50 Anos de Crimes, declarou: “Vi tudo. Aguentei 15 minutos de horror e não suportei mais...”

O cadáver estava no banheiro, deitado de bruços na banheira, brutalmente dessecado. Haviam mancha de sangue por todo chão.  A metade das costas e a nádega direita da mulher estavam descarnadas. Suas partes moles foram removidas; houve evisceração e desfeminização. Partes das vísceras e os seios de vítima, estes com várias mordeduras, estavam em um balde de plástico, em frente da banheira. Um dos braços da mulher estava completamente descarnado, em estado de “osso limpo”. No local do crime, um minucioso exame no cadáver constatou mutilações generalizadas, evisceração parcial, ferimentos incisos e pérfuro-incisos. As regiões atingidas foram: região dorsal direita, glútea direita, perianal, torácica, abdominal, pubiana, parte cervical anterior, braço e antebraço esquerdos, região da coxa esquerda.

O balde de plástico, com os seios e vísceras da vítima.

Fotografia do instituto da polícia técnica: O corpo da vítima.

Uma faca jazia debaixo do cadáver e uma lâmina de barbear, ainda suja, estava sobre a borda da banheira. No chão do banheiro, um cinto de couro preto, sem fivela, com o qual a vítima foi estrangulada. Um cinto marrom emaranhado em uma gravata. Todas as peças estavam cheias de sangue

Nome da vítima.

Nas roupas da vítima, os policiais encontraram documentos no nome de Margarethe (ou Smutny, como se chamava na verdade) Suida, apelidada na rua de Margarida, austríaca, 38 anos, natural de Kroteneuburg. Ela havia se separado em 1962 do empresário industrial Wolfgang Suida, com quem havia se casado em 1954. 

Margareth trabalhava como dançarina no "Avenida das Danças", um clube de danças de cartão. Toda vez que um cliente entrava no clube, ele recebia cartões. Quando dançava com uma garota, o cartão era picotado e ele pagava o tempo por qual "alugou" a dançarina, além de outros gastos.

Wolfgang estava no Rio de Janeiro, em viagem, quando soube pelos jornais da morte da ex-mulher. Eles haviam se encontrado, por acaso, a pouco tempo na Praça da Republica. Margarethe havia tentado suicídio por várias vezes, tanto que, na ocasião em que foi morta, usava uma atadura no pulso direito. Como ninguém reclamou o corpo, Margarethe foi enterrada como indigente.

A polícia também já tinha o nome do Assassino: Francisco Costa Rocha.

Uma vida conturbada.

Francisco Costa Rocha nasceu em 27 de abril de 1942, Em Vila Velha, Espirito Santo. Ele foi rejeitado pelo pai desde pequeno, pois era bastardo. Sua mãe, Nancy, teve vários relacionamentos, incluindo o com o pai de Francisco, também chamado Francisco. As brigas entre o casal eram constantes. Francisco (pai) era casado e tinha seis filhos. Nancy provocou dois abortos, sendo Francisco (filho) sua terceira geração. Apesar de ser registrado com o nome do pai, Francisco não ganhou o nome de "Filho" ou "Junior", como acontece geralmente.

Quando tinha quatro anos de idade, Francisco foi levado para morara com ulguna criados de seu pai, em um sítio bastante isolado. Sua mãe Nancy estava com uma doença pulmonar, o que nunca entrou na cabeça de Francisco. No sítio, Francisco era tido com um menino emcapetado, devido suas traquinagens. Muito curioso, Francisco matava gatos para ver se eles tinham sete vidas, às vezes enforcava eles em árvores ou afogava-os na privada. Devido ao seu comportamento, Francisco apanhava bastante, um vez, quase perdeu a mão, ao levar uma facada no punho.

Dois anos depois, Nancy, já curada, foi buscar o filho. A situação causou estranheza a Francisco, pois ele não reconhecia mais aquela mulher que se dizia sua mãe. Mancy levou Francisco para Vitória. Ele sofreu de enurese noturna até os seis anos de idade, sofria de sangramentos nasais, asma e pavores noturnos. Era arredio e tinha gostos estranhos, como histórias de terror, principalmente envolvendo vampiros ou demônios. Nancy tentou reerguer o sustento da família, trabalhando como cabeleireira e costureira. Nessa época, Francisco presenciou os inúmeros relacionamentos da mãe.

Francisco começou os estudos em um colégio de padres, mas era briguento, desatento, dispersivo, não fazia lições de casa. Tido como aluno problema. Tinha medo das figuras de batina preta, principalmente depois de presenciar um caso de abuso. Depois de repertir a quarta série, Francisco mudou de escola. Cursou a quarta e quinta série em uma instituição estaduão. Passou nos exames para o Colégio Americano. Foi nessa época que Francisco foi vítima de preconceito dos colegas e professores, além de perder a namorada. Tudo devido ao fato de que, por influencia de um tio, se declarou publicamente ateu. antes de terminar o ano, abandonou os estudos.

Francisco vivia pela rua, incendiando coisas, invocando o demônio e mergulhando no mar brávio. Sempre em busca de satisfazer suas curiosidades. Em sua turma de andanças,  ele era o menor e muitas vezes era forçado a trocar carícias sexuais com os mais velhos. Depois de muitas pedradas, acabou acostumando.

Na juventude, Francisco passou por vários trabalhos, mas nunca teve capacidade de manter um emprego. Pra ele, as andanças e a vida livre era bem mais interessante. Naquela havia a chamada "juventude transviada". O Rock n roll, o álcool e o cinema norte-americano, além da auto-velocidade e da violência, eram atrativos. Francisco juntou-se a outros jovens do clube Sentapua. Seu grupo invadia casamentos como penetras, bebiam muito e pegavam carros "emprestados", davam voltas e mais voltas sem rumo e depois os devolviam.

Francisco na Aeronáutica.

Aos 15 anos, Francisco queria ser marinheiro. Sua mãe foi contra, pois tinha medo de seu filho se mudar para Santa Catarina. Nancy não autorizou a viagem de Francisco. Quando tinha 18 anos, Francisco alistou-se na aeronáutica e logo pediu transferência para São Paulo, onde ficou alojado no Campo de Marte. Foi recruta por três meses e passou para a infantaria, onde fazia trabalho administrativos, fazia pagamentos e café. Conheceu um técnico americano de nome Mathias, especialista em galvanoplastia. Foi seu cicerone por São Paulo e Rio de Janeiro, onde frequentou jantares em restaurantes finos. Francisco tentou continuar na carreira militar como mecânico, mas a falta de diciplina o impediu. Ele conseguiu um emprego como representante de vandas da Gessy Lever, um emprego simples, porém com vantagens. 
Francisco Costa Rocha, o Frank
Francisco era um grande frequentador das noites paulistas, e passou a levar uma vida quase hedonista. Ele não conseguia mais passar uma noite sem levar uma mulher para a casa. Em uma de suas andanças, foi atropelado, mas sofreu apenas um ferimento na perna. Era conhecido como Rocha, ou por seu outro apelido, Frank.

Francisco entregou-se de vez à vida boemia, mas mantinha gostos refinados. Lia Kafka, Máximo Gorki, Goethe. Nietzsche e Dostoiévski. Além de apreciar música clásssica e pintura. Seus músicos favoritos eram Liszt, Chopin, Brahms, Beethoven e Morzat. Francisco chegou a namorar algumas mulheres, mas os relacionamentos nunca davam certo. Elas logo queriam um compromisso, o que Francisco não queria.

Francisco Passou a dividir o apartamento com um amigo, Caio Valladares Netto, medico-cirurgião da Aeronáutica. caio usava a quitinete para encontros extra-conjugais. Com Caio, Francisco foi ao cinema uma vez, assisitr ao filme O Colecionador, que narrava a história de um rapaz solitário que aprisiona e sevicia uma mulher até a morte.

Madrugada do Crime.

Na noite de 2 de agosto de 1966, Francisco estava com 3 amigos: Nelson Faria, 26 anos, comerciário; Iranir Max de Oliveira e Paulo Fernando Almeida Prado, 35 anos. Eles consumiam cerveja e "alma" (uma batida de cachaça e amendoim), no Bar Bom Gosto, vizinho ao Bar Pilão. Às 23hs, Margareth Suída chegou.

Margarethe Suida não era muito bonita. Alta, corpulenta de cabelos castanhos e encaracolados. Tinha muitas marcas nos pulsos, resultantes de inúmeras tentativas de suicídio.  Francisco não conhecia Margarethe, mas já havia ouvido falar dela por amigos.

Margarethe trocou algumas palavras com Paulo Fernando em Inglês. Depois observou na mesa o cinzeiro cheio de pontas de cigarros de cinco maços diferentes. Margarethe brincou com o advogado: "Vocês fumam demais". Paulo apresentou Margarethe aos amigos. Ele vestia uma capa de nylon cinza-chumbo, com gola em detalhes brancos, saia e blusa azuis. Um único adereço era uma fita no cabelo.

Os cinco permaneceram no local até o fechamento. De lá, foram ao restaurante Churrasqueto, na Avenida Ipiranga. Paulo despediu-se do grupo e foi embora. O grupo entrou no restaurante e pediu cervejas. Meia hora depois, Francisco e Maregarethe seguiam para a quitinete de Francisco.

"Não faço isso por que é coisa de veado!"

Francisco e Margarethe emergiram noite adentro. Eles seguiram para a Rua Aurora, onde Francisco morava. Eles entraram no edifício São Pedro, 72, próximo à estação da Luz, por volta das 4 horas. Aquela era uma madrugada fria, fazia por volta de 10 graus. Francisco e Margarethe não haviam combinado nenhum pagamento. Até por que, ela não era prostituta.
O casão subiu de elevador, até o oitavo andar. Onde beberam mais alguns drinks. Despiram-se, mas antes, Francisco se lembrou de trancar a porta do quarto, pois da ultima vez em que ele levou uma prostituta para casa, ela roubou seu rádio portátil.

Margarethe avisou que estava menstruada. Francisco propôs que eles fizessem sexo anal. Margarethe se recusou: “Não faço isso por que é coisa de veado!”. Francisco ficou nervoso, numa mistura de sede sexual,  embriagues e ódio. Ele agarrou Margarete pelo pescoço e jogou-a no tapete. Margarethe não reagia, mas mesmo assim, Francisco retirou o cinto, passou em volta do pescoço de Margarethe e apertou. A bailarina não esboçou mas nenhuma reação. Ela estava morta.

Vendo que havia matado Margarethe, Francisco desesperou-se. Tentou sair do quarto, mas, devido ao desespero misturado ao álcool, não se lembrava onde estava a chave. Para sair, ele decidiu retirar a porta do lugar. Depois de muito esforço, ele conseguiu retirar os pinos e saiu do quarto. Deixou os pinos das dobradiças em cima da mesa de centro.
Foto do apartamento de Francisco. As setas indicam  de onde os pinos das dobradiças foram retirados.

Francisco arrastou o corpo da bailarina até o banheiro, colocando-o na banheira. Contemplou o cadáver por um tempo e decidiu se livrar do cadáver. Ele percebeu que alguém poderia observar, por isso, tapou a janela do banheiro com um cobertor e um roupão. Francisco começou a retalhar o corpo de Margarethe, um estranho ritual que duraria horas. Para isso, ele tomou objetos que tinha á mão: uma lâmina de barbear, uma tesoura, uma chave de fenda e o pino de dobradiça.  Francisco abriu o ventre do cadáver, retirou as vísceras e jogou-as no vaso sanitário, mas mudou de idéia e buscou um balde de plástico na cozinha, onde pós as vísceras e os seios de Margarethe.

“Vindo de você, só pode ser dinheiro ou mulher.”

Tempos depois de começar seu ritual, Francisco percebeu a barbárie que estava praticando e não teve força mental para continuar. Era por volta das 17hs, treze horas após o assassinato. Francisco decidiu descer, pois havia marcado um jantar com Caio, que logo viria. Francisco lavou com álcool, na pia, mudou a roupa e desceu. Antes, porém, ele se lembrou onde estava a chave, apanhou os pinos e colocou a porta no lugar.

Caio chegou momentos depois, de carro. Francisco nervoso contou que precisava contar algo. Caio brincou: “Vindo de você, só pode ser dinheiro ou mulher.” Francisco disse que dessa vez o assunto era sério, que havia matado uma mulher e disse: “Vou me entregar”. E disse ainda: “Vou contar tudo pra minha mãe”. Nancy morava no Rio de Janeiro, no bairro de Campo Grande, zona Oeste do município do Rio de Janeiro. Ficou combinado que caio não contaria nada à polícia, até Francisco ir de encontro à sua mãe e procurar um advogado.

Caio emprestou 20 mil cruzeiros para Francisco, para que ele viajasse e encontrasse a mãe, e o levou até a rodoviária da Luz. Eles ficaram de se comunicar no dia seguinte, entre 20h e 21h, para dar o número de telefone, o endereço e como estava indo.  Francisco tomou o ônibus da viação cometa, com destino ao Rio de Janeiro por volta das 21h. Caio voltou para casa pensando em como se livraria daquela enrascada. Sem muitas alternativas, ele decidiu confessar à esposa sobre suas puladas de cerca, e contou toda a história do crime pra ela.

O casal foi procurar um delegado para pedir orientações. Este, sem perda de tempo, levou os dois até a delegacia. Onde prestaram depoimentos. O delegado responsável pelas investigações foi Antônio Strasburg Moura. Pela madrugada seguinte, o corpo da Margarethe seria descoberto.

Nasce Chico Picadinho.

Na noite de 4 de agosto, no horário combinado, Francisco telefonou para Caio, dando-lhe o telefone e o endereço onde estava. Ele afirmou ter contado à sua mãe sobre o crime, disse também que já estava indo procurar um advogado.  Caio Valadares passou o endereço para o delegado Strasburg: Rua Constante Ramos, 810, apartamento 131, Copacabana.

Francisco foi preso no dia 5 de setembro de 1966. Ele já havia falado com um advogado, mas ainda não tinha conseguido comunicar o fato à sua mãe. Quando foi preso, demostrou tranqüilidade e em nenhum momento esboçou reação. Francisco Costa Rocha, o esquartejador da Rua Aurora, foi levado até a 3ª Delegacia de São Paulo.

Francisco Costa Rocha, o Chico Picadinho, na época do crime: ... Nessa hora eu fiquei desesperado, pensando no que ia fazer com o corpo, vendo que aquela mulher representava minha vida. Por isso, quis destruir aquele corpo. Pensei também que deveria dar um sumiço naquele corpo de qualquer jeito.
E foi o que eu fiz. Peguei uma faca na cozinha e comecei a cortar. Com uma gilete, cortei o tronco dela, na altura dos seios. Foi assim que eu cortei os seios dela, colocando tudo no balde. Nessa altura, decidi virar o corpo de barriga para baixo, e comecei a cortar as nádegas, com faca e gilete... Declarou.

Foi interrogado, mas não se lembrava o porquê tinha praticado o crime. Devido às habilidades de Caio, a polícia tinha algumas suspeitas sobre o cirurgião. Era possível Caio ter praticado o crime e ter incriminado Francisco, ou ter auxiliado na destruição do corpo da vítima, mas nada parecia ligar Caio ao crime.

Francisco não sabia dizer por que havia matado Margarethe. Nos processos da época, consta que ele cometeu o crime para dar vazão à raiva que sentia da própria vida. Margarethe lembrava sua mãe.  Ele sentiu sua virilidade diminuir e dar lugar ao ódio e uma vontade violenta de apertar e morder o pescoço de Margarethe. O estopim para a raiva repentina teria sido a rejeição e ridicularização que assassino recebeu ao propor fazer sexo anal com a vítima. Francisco deixou bem claro que Caio em nenhum momento participou do crime, e que ele fez tudo sozinho.

Francisco foi mandado para a Penitenciária do Estado, zona norte de São Paulo. Foi na prisão que ele ganhou de outro preso o apelido maldito que o acompanharia pela vida inteira: Chico Picadinho. Um reporte do jornal Notícias Populares tomou conhecimento do apelido.

Julgamento e condenação.

Francisco Costa Rocha foi a julgamento no dia 13 de maio de 1968, defendido pelo advogado Flávio Markman. Quando perguntado, afirmou que a vítima lembrava sua mãe, que fora abandonada e se relacionou com vários homens. Francisco Costa Rocha foi condenado à 18 anos de reclusão por homicídio, mais dois anos e quatro meses por destruição de cadáver. A pena foi comutada para 14 anos, 4 meses e 24 dias. Chico Picadinho sempre foi um preso de bom comportamento. De 1972 à 1974, Chico cumpriu pena na Colônia Penal Agrícola Professor Noé Azevedo, em Bauru.

Francisco Costa Rocha foi condenado a mais de 18 anos pelo assassinato de Margarethe Suida.

Antes de assassinar Margarethe, Chico havia namorado uma moça (cujo nome é mantido em sigilo, para sua proteção) que limpava seu apartamento na Rua Aurora. Os dois se reencontraram depois que Francisco foi preso, e casaram. Depois de cumprir um terço da pena, Francisco pediu sua liberdade condicional. Peritos do instituto de Biopatologia Criminal avaliaram a personalidade de Francisco e concordaram com o livramento dele. De acordo com os exames, Francisco tinha personalidade com distúrbio profundamente neurótico. Mas a psiquiatra Luiza Jacob, contratada pelo advogado de Francisco, discordou. Depois de entrevistar Francisco várias vezes, concluiu: “se ele deixar a prisão vai voltar a matar e esquartejar como antes.”

Chico Picadinho é liberado.

Francisco Costa Rocha foi posto em liberdade em junho de 1974, oito anos após ter matado Margarethe. Ele precisava comparecer a cada 90 dias  em juízo, para anotação de preso condicional.

Sua vida conjugal caiu na rotina e as discussões começaram. Sua esposa alegava incompatibilidade de gênios. Enquanto ela era explosiva, ele era calmo demais. Francisco arrumou um bom emprego na Editora Abril, como guardador de livros. Passou a chegar mais tarde em casa e voltou a beber. As discussões entre ele e a mulher se tornaram mais intensas. O casal se separou ainda em 1974, enquanto a mulher estava grávida, tendo a filha nascendo em 1975. Mãe e filha só saberiam notícias de Francisco anos mais tarde.

Francisco começou a morar em pensões, hotéis baratos e apartamentos emprestados. Por essa época, a desgraça outra vez entrou na sua vida. Ele voltou a usar drogas e, apesar das restrições de viver longe da boemia, voltou a freqüentar as noitadas.
Ele passou a freqüentar o Bar da Elenice, esquina das ruas Rego Freitas e Major Sertório, onde muitas prostitutas e cafetões costumavam ficar. Francisco passava por dificuldades financeiras, mudou de emprego muitas vezes, mas sempre deixava o trabalho devido sua inquietude.

Em fevereiro de 1976, encontrou-se com o motorista Joaquim Fernandes Dias, uma amigo de sua mãe. Tempos depois, Francisco estava dividindo apartamento com Joaquim. O imóvel ficava na Avenida Rio Branco, 753, sobreloja. Joaquim exigiu que, em sua ausência, Francisco não deveria levar nenhuma mulher para casa. Mas Chico não deu muita importância aos apelos dos amigos. Ele sempre levava uma prostituta nova para o apartamento. Agora a violência parecia o satisfazer, pois ele constantemente as agredia. Quase sempre pelo mesmo motivo: Elas se negavam a prática de sexo anal.

Rosimarie Michellucci.

Na noite de 14 de setembro de 1976, Francisco e um amigo, Nathanael Leopoldo estavam no Bar e Lanchonete da Elenice, onde arranjaram duas mulheres. Francisco saiu em companhia de Rosemarie Michellucci, empregada doméstica de 21 anos. O casal foi para o hotel Carnot, bairro do Pari, zona leste.

Francisco e Rosimarie fizeram sexo. Ela estava grávida de três meses. De repente, Francisco começou a ter um comportamento violento, começou a morder e esganar Rosimarie. Ela lutou mas acabou perdendo os sentidos. Quando voltou à si, Francisco estava deitado sobre ela e tentava morder sua carótida. Ela voltou a reagir e ameaçou gritar. Francisco desistiu de matá-la e foi embora. Rosemarie estava sangrando pela vagina. Ela foi levada por funcionários do hotel até a Santa Casa de Misericórdia, onde ficou constatada a tentativa de estrangulamento. O útero de Rosemarie foi perfurado por um objeto perfuro-cortante desconhecido e ela perdeu o bebê. Em 15 de setembro, foi instalado um processo contra Chico Picadinho, por lesão corporal dolosa.

Francisco sentia que mais cedo ou mais tarde, voltaria a matar novamente. Ele percebia que sua personalidade sádica estava cada vez mais aflorada. Em todas as relações, ele batia e estrangulava prostitutas. Algumas não estranhavam, pois excitação através de estrangulamento da parceira é comum em relações sado-masoquistas.

Moça da Peruca.

Na noite de 15 de outubro de 1976, sexta-feira, Francisco Costa Rocha conheceu a prostituta Ângela de Souza da Silva, 34 anos, negra, baixa e de cabelos raspados. Ela costumava usar uma peruca ruiva, ou loura, daí o apelido. Ângela tinha várias passagens por furtos e roubos, também costumava usar sete nomes diferentes: Benedita Osório de Souza. Suely de Souza Silva, Sônia da Silva, Maria de Souza, Sônia Aparecida de Souza e Sônia Aparecida dos Santos.
Ângela de Souza, em uma de suas passagens pela polícia.
Ângela saia de uma gafieira, quando entrou no Bar da Elenice, onde Francisco estava. Ela vestia uma saia xadrez e uma blusa branca, tamancos de madeira e borracha e sua inseparável peruca. Francisco convidou-a para ir até seu apartamento, mas não propôs sexo, somente companhia. Ele precisava retardar a chagada, pois sabia que Joaquim só estaria fora após as 6hs da manhã.

Ângela e Francisco chegaram no apartamento na Avenida Rio Branco por volta das 6:10 da manhã, de 16 de outubro de 1976. Joaquim já tinha saído. O ascensorista viu quando o casal entrou no elevador e desceram na sobreloja. No apartamento, Francisco e Ângela algumas doses de gim, depois, se despiram.

Francisco trocou carícias, mas em dado momento, teve a sensação de que estava estrangulando a mulher com as mãos e que a mordia os seios, a orelha, o pescoço e o rosto. Algum tempo depois, Ângela, a moça da peruca, estava morta.

Pela segunda vez Francisco Costa Rocha se tornou Chico Picadinho. Ele arrastou o cadáver de Ângela pelos pés, até o banheiro. Em sua mente, ele precisava livrar-se do corpo. Francisco não queria voltar à prisão. Francisco apanhou uma serra, um canivete e um serrote.

A volta de Chico Picadinho.

Francisco abriu o ventre de Ângela, retirou suas vísceras e jogou no vaso sanitário. Sua intenção era se livrar do cadáver através da privada, mas o plano não deu certo. O vaso entupiu. Ele retirou então os órgãos que restavam da latrina e jogou na banheira. Abriu o chuveiro e deixou a água correr por bastante tempo, lavando-os. Francisco demorou mais de 3 horas para retalhar o cadáver de Ângela, que foi dividido em 11 partes.

Começou a envolver os pedaços em sacos plásticos, provenientes de uma tinturaria onde tingia sua roupa. Apanhou uma mala de courvin de cor verde e sanfonada, pôs o tronco e algumas outras partes da vítima. Utilizou também uma sacola de feira xadrez de cor cinza.
Tudo corria bem, até ele ouvir a campainha. Francisco sentou-se no sofá e esperou em silêncio. O motorista Joaquim tinha saído mais cedo do trabalho e achou estranho o apartamento está fechado. Tentou abrir com suas chaves, mas não conseguiu. Tocou repetidamente a campainha, mas Francisco não abria. Joaquim imaginou que o amigo estaria com alguma mulher, e desistiu de tocar. Assim que percebeu o silencio, Francisco arrastou os sacos com os pedaços de Ângela até a varanda do prédio.

Mala e sacolas com os pedaços de Ângela.

Francisco sentou-se no sofá e cochilou. Acordou quando ouviu o novo toque da companhia. Era Joaquim novamente. Quando o silencio se fez, Francisco cochilou novamente. Ele acordou somente às 18h30. Parecia que tudo não passou de um pesadelo. Ao ver o cadáver esquartejado na varanda, Francisco percebeu que tudo era real. Chegou à conclusão que, se arrumasse alguém para despachar a bagagem, poderia livrar-se de das provas do crime. O desaparecimento de prostitutas não chamava muito a atenção da policia. Francisco lavou-se na pia, vestiu uma roupa e saiu. Deixou um bilhete para Joaquim, dizendo apenas: “Amigo, viajei, obrigado!”.

Francisco procurou um amigo para arrumar uma arma, mas não o encontrou. Não encontrou também outro amigo, com quem pretendia pegar emprestado um carro. O plano de Francisco era levar a mala até o Rio Tietê e desaparecer com Ângela para sempre.

Enquanto isso, Joaquim retornava ao apartamento. Ao entrar, encontrou todo o chão molhado. O feltro da enceradeira estava largado no chão, igualmente molhado. Joaquim decidiu colocá-lo na sacada para secar.

Ao abrir a porta da sacada, Joaquim encontrou a mala e os sacos plásticos de Francisco. Havia algo dentro deles que Joaquim pensou tratar-se de um manequim. Mas a ilusão durou pouco. Joaquim percebeu que a mala continha as partes de um cadáver. Rapidamente lembrou-se do passado sombrio de Francisco e procurou a polícia.

Iolanda.

Na rua, Francisco encontrou com a prostituta Venina Gomes, com quem havia conversado tempo antes. Francisco perguntou as horas, e parecia preocupado. Disse que ia viajar e passou a mão nos cabelos de Venina. Saiu caminhando em direção a Avenida São João.
Francisco parou no Bar da Elenice e pediu uma cerveja.  Um carro de polícia estacionava em frente ao bar. Um dos policiais aproximou-se de uma prostituta e perguntou se alguma mulher que fazia ponto por ali estava desaparecida. A prostituta disse que sim. Ângela e uma outra prostituta, conhecida como Saramandaia, não haviam aparecido.

O policial contou que eles haviam achado o cadáver de uma mulher negra, esquartejada dentro de um apartamento na Boca do Lixo. Quando os policiais se afastaram. A prostituta, de nome Iolanda, não viu mais nem Francisco nem o amigo dele.

Francisco despediu-se do homem assim que o carro da polícia encostou, pagou a conta e saiu. Foi caminhando até a rodoviária e embarcou, mais uma vez, em um ônibus da viação cometa, com destino ao Rio de Janeiro. Enquanto caminhava em direção à rodoviária, Francisco passou em frente ao apartamento na Avenida Rio Branco, onde observou os carros de polícia estacionados em frente ao prédio.

11 partes.

Quem recebeu a notícia do crime foi o delegado José Antônio Carlos Gomes. Ele seguiu para o local do crime com um grupo de policiais. Encontraram o cadáver separado em onze partes. Os policiais recolheram as armas do crime, e as roupas das vítimas. Além disso, encontraram também uma pista contra Francisco: Sua carteira de trabalho, com sua fotografia 3/4.

Partes do cadáver de Ângela.
Pedaços do cadáver de Ângela.
Mala onde o torso de Ângela foi encontrado.
O encanamento estava entupido, o corpo de bombeiros foi acionado. Quando o vaso foi retirado e vistoriado, encontraram o coração e a peruca de Ângela no encanamento. As partes do corpo foram levadas para o IML. Várias prostitutas tentaram reconhecer o cadáver. Iolanda achou o rosto parecido, mas não conseguiu dizer se o corpo era ou não de Ângela.  Ângela só foi reconhecida através de suas impressões digitais. Como ela já havia sido presa, suas digitais constavam nos arquivos de polícia. Ninguém reclamou o corpo e ela foi enterrada como indigente.

Vaso sanitário, onde o coração e a peruca de Ângela foram encontrados.

A mídia explorou o segundo crime de Francisco do mesmo modo que o primeiro. O Jornal do Brasil chocou ao publicar fotos dos pedaços do corpo da vítima. A história foi explorada massivamente durante dias e várias teorias para o comportamento do assassino foram criadas. Francisco não era mais apenas um homicida, mas sim um risco para a sociedade.

Chico Picadinho no Rio de Janeiro.

No Rio, Francisco evitou procurar a mãe. Ele sabia que a polícia já sabia que ele tinha cometido o crime na Avenida Rio Branco, pois havia esquecido a carteira de trabalho. Também havia seu amigo Joaquim, que conhecia muito bem seu passado.

Chico Picadinho vagou pelas ruas do Rio de Janeiro. Dormia em uma praça e andava várias vezes no trem que ia da Central para Japeri, e de Japeri para a Central. Muitas vezes pensava em suicídio, mas faltava coragem. O presidente Geisel estava na cidade, em visita oficial. Haviam ali muitos policiais. Francisco decidiu ir para Niterói.

Dormiu por alguns dias em uma gruta na Praia do Ingá. Como o dinheiro estava acabando, mudou-se para Duque de Caxias. Alugou o quarto numa pensão, na avenida Nilo Peçanha. Para levantar um dinheiro, Chico resolveu voltar até Niterói, para vender seu relógio Orient. O negócio de pouco dinheiro.

Sua única chance de escapar seria deixando o país. Para isso, ele entrou em contato com um amigo, conhecido como Baianinho Charlatão, que estava sempre nas imediações da Praça do Pacificador. Ficou combinado que Baianinho ajudaria Francisco a fugir.

No dia 26 de outubro de 1976, Enquanto lia a noticia de seus crimes em uma revista, Chico Picadinho foi preso pela segunda vez. Na frente estava o detetive Amadeu Vicente, que já o seguia a algum tempo. Quando questionado pelo crime, Francisco afirmou: “Talvez uma herança atávica. Este segundo crime foi uma conseqüência do primeiro...”

Prisão Perpétua.

Francisco foi enviado, de avião fretado pela Secretaria, para a 3ª Delegacia de São Paulo, onde foi recebido pelo doutor Erasmo Dias. No dia de seu julgamento, uma multidão se reuniu na porta do tribunal. Os policiais estavam com medo de que Francisco fosse linchado, mas não foi isso que aconteceu. As pessoas só queriam ver o assassino de perto. 
Erasmo Dias.
A defesa alegou insanidade mental, e seus crimes seriam resultado de uma desordem mental. O vilipêndio do cadáver, não foi uma tentativa de ocultação, mas sim resultado de uma fantasia homicida, a acusação discordou.
Chico Picadinho, detido pela segunda vez, por um crime idêntico ao primeiro.
Foi apresentado um laudo realizado pelos médicos Wagner Farid Gattaz e por Antônio José Eça. Segundo eles, Francisco era semi-imputável, “dono de uma personalidade psicopática de tipo complexo (ostentativo, abúlico, frio e lábil de humor), que, em função direta dela, delinqüiu”. Apresentava um “prognóstico muito desfavorável, congênita que é a personalidade psicopática. Esta personalidade se manifestou cedo em sua vida, e não é suscetível a nenhuma espécie de influencia pela terapêutica, conferindo, no presente caso, alto índice de periculosidade latente”.

Dr. Antônio José Eça, psiquiatra forense.
Wagner Gattaz.

Francisco Costa Rocha, o Chico Picadinho, foi condenado à 22 anos  e seis meses de reclusão em redime fechado, depois de um julgamento muito controverso. Ele foi a júri popular, e o veredicto não foi unânime. Três dos sete jurados votaram contra a condenação de Francisco.
Repórteres cercam Francisco Costa Rocha.
Em 1994, Um laudo foi emitido pelo Centro de Avaliação Criminológica. Era a tentativa de avaliar a progressão para o regime semi-aberto. O novo diagnóstico apontava “personalidade psicopática perversa e amoral, desajustada para o convívio social e com alto potencial criminógeo”.  Ele deveria ser enviado para a Casa de Custódia e tratamento, para receber um tratamento mais adequado. Seu pedido de progressão de pena foi negado.
A defesa de Francisco tentou um pedido de progressão de pena em 1996, mas novamente ele foi negado. Sua permanência na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté foi autorizada, para acompanhamento e relatório semestral.

Em abril de 1998, Francisco deveria ser liberado, mas a promotoria de Taubaté entrou com um recurso de interdição de direitos, baseado num decreto de 1934, na época de Getúlio Vargas, que permite a interdição de direito na área civil para pessoas com problemas penais. O estado encontrou assim, uma forma legal para instruir uma pena que pode se tornar perpétua.


Francisco Costa Rocha, hoje em dia, se dedica à prática pintura. Enviou quadros até mesmo para sua mãe, Nancy  Oliveira. Também é um leitor voraz.
Francisco Costa Rocha, o Chico Picadinho, continua preso. No ano 2000, conseguiu, com apoio de seu amigo e advogado, permissão para visitar a mãe, no Rio de Janeiro. Foi a última vez que ele sentiu o gosto da liberdade. Em 2009, Dona Nancy faleceu sem ver o filho. Chico Picadinho queria permissão para ir ao velório, mas não conseguiu. Hoje, na Prisão, o homem que assustou o Brasil por duas vezes, reserva-se ao silêncio. Dedica seu tempo à pintura e aos livros. Para ele, ainda há esperança de ser novamente livre.

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