17 de fev de 2012

Jack, o Estripador

Um dia os homens olharão para trás e verão que eu dei a luz ao século XX - Frase atribuída a Jack, o Estripador.

Falar sobre o E.D. conhecido como Jack, o estripador é difícil. Primeiro pela época dos crimes, mais de cem anos atrás. Segundo pela áurea mística que o caso recebeu, o que abriu caminho para inúmeras teorias, algumas com um ar de conspiração, outras sem cabimento algum. Parece que muita gente tem opinião formada sobre os crimes ocorridos em Whitechapel, em 1888.


Todo assassino em série, por si só, causa fascínio. A natureza de seus crimes leva a muitos a crença de se tratar de um individuo inteligente e superior. Quando o crime não é resolvido, essa imagem só é ampliada, mas não é muito bem assim. Começamos então com os fatos:
A Inglaterra era uma terra de sucesso, dona de colônias e de grande parte da riqueza mundial da época. Londres era o centro do progresso, com todas suas industrias. Diziá-se que o sol nunca se punha para Londres. Porém, no East End londrino, estava uma pústula na saudável Inglaterra, um deplorável bairro chamado Whitechapel.

 Whitechapel, em 1888.

A população de Whitechapel era formada em sua, totalidade, por miseráveis.  Não haviam trabalhos o suficiente, o que aumentava os trabalhos informais, entre eles a prostituição. Grande parte da população dormia em abrigos pagos, geralmente sujos, apertados e deploráveis. As doenças grassavam, devido à falta de higiene do local. Haviam sarjetas infectadas com fezes humanas, esgoto à céu aberto e infestação de insetos e ratos. Em outras palavras, Whitechapel parecia um pedaço extirpado da Índia, implantado em Londres.

O Outono do terror em Withechapel.

Existem discordâncias entre os pesquisadores sobre qual foi o primeiro crime de Jack, a maioria aceita que foram cinco, aliás cinco seria o número oficial de vítimas na época, mas alguns acreditam que a primeira vítima foi Martha Tabram.

Martha Tabram, um possível vítima.

Segunda-feira, 6 de agosto de 1888, um feriado nacional, 10 horas da noite. Martha Tabram, por volta de 36 anos, apelidada de Emma, e sua amiga Mary Ann Connolly, conhecida como Pearly Polly, estavam sentadas no bar Angel and Crown, com dois soldados que supostamente seriam da Guarda dos Granadeiros. Como muitas das mulheres pobres de Whitechapel, Tabram e Polly faziam programas. Elas estavam confiantes, acreditando que iriam garantir o dinheiro para a hospedagem naquele dia. Antes da meia noite, Polly e Tabram se despediram, indo Polly na direção Angel Alley e Tabram para a High Street em Whitechapel.

Às 4h45, da manhã seguinte, John Reaves, inquilino do edifício Georgy Yard, assombrou-se ao sair para o trabalho. Ele deparou-se com o cadáver de uma mulher, deitada de costas com as pernas abertas no patamar do prédio. A mulher vestia um longo casaco preto, saia verde e anágua marrom, estes estavam erguidos até a cintura, sugerindo um possível ataque sexual.  A mulher havia sido esfaqueada inúmeras vezes. Reaves arrastou o corpo até uma rua, e procurou a polícia. O corpo era de Martha Tabram.

O cadáver de Tabram é descoberto.

 Uma testemunha, Elizabeth Mahonney, inquilina do George Yard, disse que chegou ao prédio à 01h50min, e não avistaram ninguém. Alfred Crow, motorista de taxi, disse que avistaram uma mulher deitada, ao chegar ao edifício, uma hora e quarenta minutos depois de Elizabeth. Ele não deu muita atenção ao caso, pois estava acostumado a ver bêbados jogados na calçada. Nenhum dos moradores relatou ouvir qualquer barulho, exceto a mulher do zelador do prédio. Ela afirmou ter ouvido um grito feminino: “assassino”. O assassino teria estrangulado a vítima, antes de cortar seu pescoço.

O Dr. Timothy Killeen, que havia examinado o corpo, ainda pela madrugada, determinou que Martha havia sido assassinada entre 2:00 e 3:30 de madrugada, ou seja, tempo antes de Alfred Crow vê-la caída. A vítima foi esfaqueada 39 vezes, sendo os seios, abdômen e genitália mais afetados. Somente por um ferimento no esterno era possível deduzir a arma usada no crime, uma adaga ou baioneta.
Corpo da prostituta Martha Tabram. Talvez ela não fosse vítima do estripador.

O guarda que acompanhou Tabram naquela noite foi imediatamente tido como suspeito do crime. Mary Ann Connolly se negou, ou não conseguiu, identificar o soldado, e ele foi inocentado.

Mary Ann Nichols.

Mary Ann “Polly” Nichols, assim como Martha Tabran, era uma das mais de mil prostitutas que faziam ponto pelas ruas de Whitechapel. Nichols media 1,60m, tinha 45 anos de idade e a boca desdentada (faltavam-lhe cinco dentes da frente). Como outras mulheres que se prostituiam, Polly via no álcool um alívio para seu triste destino. Mary tinha cinco filhos e havia saído de um casamento desastroso. A custódia dos filhos foi dada ao marido.

Tempo depois da 1:00h da manhã, do dia 31 de agosto de 1888, Polly tentava conseguir  um quarto no albergue da rua Flower and Dean, onde estava dormindo há uma semana. Polly havia passado o mês anterior em outra pensão, onde dividia um quartinho com outras prostitutas. Naquela noite, Polly não tinha o dinheiro necessário para a hospedagem, além disso, estava bêbada. O encarregado do alojamento não permitiu que ela ficasse sem pagar. Polly Nichols pediu para que o rapaz reservasse uma cama pra ela: “Logo vou conseguir o dinheiro para dormir. Olha só que lindo chapéu estou usando!”. O chapéu havia sido presente de um cliente, e a fazia sentir-se mais atraente.

Polly saiu e encontrou uma amiga, com quem dividira o quarto na Rua Thrawl, Ellen “Emily” Holland. Polly e Ellem pararam para ver um incêndio. Ellen, mais tarde, relataria que Polly estava tão bêbada que se escorava na parede para não cair.

Ellen insistiu com Polly, para que ela a acompanhasse até a Rua Thrawl, mas Nichols cismou em conseguir ela mesma o dinheiro para o quarto: “Consegui hoje três vezes o dinheiro necessário para pagar um quarto, mas já gastei em bebida. Não vou demorar muito para voltar.” Polly Nichols seguiu cambaleante em direção à Rua Flower and Dean.

Por volta das 3:40h, dois carroceiros, Charles A. Cross e Robert Paul, caminhavam pela alameda do Buck, a uma quadra de distância do hospital de Londres, localizado na Whitechapel Street. Charles percebeu algo caído do outro lado da rua, próximo a entrada de um estábulo. Ele decidiu examinar, e verificou que se tratava de um cadáver feminino.  Robert Paul colocou a mão sobre o rosto da mulher, e verificou que ainda estava quente, mas Charles, segurando as mãos do defunto, verificou que a mulher já estava morta. Os dois decidiram chamar a policia. Eles encontraram Jonas Mizen, policial metropolitano que fazia ronda na rua Hanbury próximo dali. Os três voltaram ao local onde estava o cadáver e encontraram o policial John Neil, que acabara de encontrar o cadáver. Ele sinalizou para outro policial, Jonh Thain.  Neil pediu para Thain para chamar o doutro Ress Llewllyn, um clínico geral que morava próximo ao local. Mizen chamou a ambulância (que na época era uma carroça grande).
Corpo de Nichols é descoberto.

O Dr. Llewelly notou que a mulher havia sido esfaqueada várias vezes no pescoço. O médico declarou que a mulher havia morrido há menos de meias hora. Ele também notou que havia pouco sangue no local do crime. O corpo foi levado para o necrotério da enfermaria do albergue da Old Montague. O inspetor de policia, Jonh Spratling, chegou por volta das 4:30 e se deparou com uma multidão que  se formava. Ele imediatamente mandou policiais buscarem evidências no local do crime, e na área em torno. Junto ao doutro Llewellyn, Spratling seguiu para o necrotério.

Pela manhã, o Dr. Llewellyn realizou uma autopsia mais detalhada no cadáver. Havia um incisão, de formato circular, tão profunda, que seccionara todos os tecidos até a vértebra, assim como as artérias do pescoço. Llewellyn acreditava que o assassino poderia conhecer um pouco de anatomia, e que provavelmente era canhoto. O corpo era de Mary Ann “Polly” Nichols, ela não havia retornado para dormir.


No necrotério, o corpo de Polly Nichols.

A Scotland Yard, polícia metropolitana londrina, estava desconfortável com a situação. Mas os crimes não chegaram a chocar a população. Eram comuns crimes contra prostitutas, e sem-tetos, principalmente no miserável bairro de Whitechapel. Não havia porque os cidadãos de bem se preocupar com isso.

Annie Chapman.

Pouco antes das 6:00 da manhã, 8 de setembro de 1888, o carroceiro John Davis saiu de seu apartamento, onde morava com sua mulher e com três filhos, na Rua Hanbury, 29. Ao descer os degraus que davam pra rua, Davis deparou-se com um cadáver entre os degraus e a cerca do pátio de propriedade. O vestido estava puxado até acima da cabeça, sua barriga estava rasgada, e os intestinos jogados acima do ombro esquerdo. John foi até a policia, na companhia de outros moradores, entre eles, Henry Holland, que encontrou um policial em um mercado próximo. O policial não podia o acompanhar, pois as rígidas leis da época impediam que um soldado deixasse seu posto.

O inspetor de policia, Joseph Chandler, chegou à cena do crime, cobriu o cadáver, e chamou o Dr. George Bagster Phillips, médico legista da divisão H, área onde ocorreu o crime. Phillips examinou o cadáver, arrumado de forma ritualística:

“O braço esquerdo estava cruzado sobre o seio esquerdo; as pernas dobradas. Os pés descansados no chão e os joelhos virados para fora. O rosto, todo inchado, voltado para o lado direito. A língua, muito inchada, projetava-se entre os dentes da frente, mas não ultrapassava os lábios. E estes dentes da frente, perfeitos até o molar, tanto os superiores quanto os inferiores eram muito bons. O corpo, terrivelmente mutilado... A garganta mostrava um corte profundo; as incisões na pele, todas irregulares, atingiam o redor do pescoço... Na cerca de madeira entre o pátio em questão e o vizinho, sangue esparramado podia ser visto, correspondendo ao local onde a cabeça da morta tombou."

O cadáver é analisado.

O Dr. Phillips continuou suas observações. Ele percebeu que todos os ferimentos haviam sido feitos com um instrumento afiado e de lâmina estreita e a evisceração indicava algum conhecimento médico. A Mutilação completa teria demorado um agora, pelo menos. Assim como no caso de Nichols e Tebran, não havia sinais de luta. O assassino neutralizava suas vítimas, antes que elas pudessem se defender.

O inspetor Frederick George Abberline, da divisão de homicídio de Scotland Yard, foi alertado sobre o crime. Ele era tido como um policial lendário, embora pouco se saiba sobre sua vida. Ele começou como policial de patrulha, foi promovido a sargento  e depois para inspetos. Abberline viria a chefiar todos os detetives na investigação dos crimes em Whitechapel..
Abberline mandou averiguar a cena do crime minuciosamente. O bolso da roupa da mulher estava rasgado e seus itens pessoais, dois pentes, um pedaço de musselina e um envelope com pílulas, estavam espalhados. Próximo ao local do crime estava um avental de couro, usado por açougueiros ou sapateiros.

Local onde o cadáver foi encontrado.
Naquela época, não havia recursos para determinar se o sangue era humano ou de boi. O sangue no avental estava seco e a ligação entre ele e o crime era questionável.
O Dr. Phillips acreditava que os objetos haviam sido ajeitados cuidadosamente: A musselina e os pentes próximos aos pés da vítima e o envelope perto de sua cabeça. Haviam também duas moedas próximas ao corpo, mas esse detalhe foi mantido em segredo, para ajudar a elucidar o caso.

O corpo, ainda não identificado, foi levado para o Necrotério de Whitechapel, na rua Eagle. A autópsia foi feita pelo próprio Phillips, na tarde daquele dia. As lacerações profundas na garganta mostravam a tentativa de separar a cabeça do tronco, um tipo de curiosidade pervertida. Os intestinos foram separados de seus ligamentos no abdômen e colocados sob o ombro. Útero, metade da vagina e parte da bexiga haviam sido removidos por completo – parecia cortados com certo zelo, e não estavam perto do corpo. Assassinatos de prostitutas não eram incomuns, mas crimes com aquelas características era novidade para ao ingleses vitorianos. Mesmo se não fosse vítima do assassino, a mulher não viveria muito tempo. Ela tinha doenças crônicas no pulmão e nas meninges.

A vítima foi identificada por uma lavadeira, de nome Amelia Palmer, como sendo Annie Chapman. Prostituta, corpulenta, 1,56 de altura, cabelos castanhos e olhos azuis.

Annie antes do crime.

Chapman estava hospedada junto com outras prostitutas em um albergue comunitário, na Rua Dorset, onde ficou conhecida como briguenta e Ladra. Na ocasião do crime, usava três anéis baratos, nenhum deles foi encontrado. O assassino os tirou ou para guardar de recordação, ou para vender por uma ninharia.

Chapman encontrou com a amiga, Amélia Palmer, pra quem disse que estava muito doente, mas necessitava trabalhar para ter dinheiro para dormir. Annie foi vista na cozinha, bêbada, quando tomava duas pílulas que trazia dentro de uma caixa. A caixa caiu e quebrou, Annie apanhou um envelope do chão e colocou as pílulas restantes dentro dele.

Annie Chapman saiu, ela bebeu durante a noite de sexta-feira e durante a madrugada de sábado, 8 de setembro de 1888. Voltou para o albergue às 1: 35h, mas não tinha dinheiro. Ela pediu para o atendente, John Evans, não alugar seu leito para ninguém, pois sairia para arrumar o dinheiro. Todas as testemunhas relatarma ter visto Annie bêbada, mas é provável que a doença tenha enfraquecido seu organismo. A autópsia revelou pouco álcool em seu organismo.

Annie Chapman.
Vários testemunhos, muitas vezes contraditórios e confusos foram dados. Muita gente afirmou ter visto Annie nas proximidades do mercado Spitalfields, no bar Tem Bells, às 5:00 da madrugada, mas aparentemente as pessoas confundiram Chapman com outra pessoa. Uma prostituta de nome Elizabeth Darrel disse ter testemunhado a conversa de Annie com um sujeito de aparência estrangeira. Ela ouviu quando o sujeito perguntou “você vai?”, ao que Annie respondeu: “sim”.

Albert Cadoche, um carpinteiro morador do número 27 da Rua Hanbury pensou ter escutado uma briga violenta e alguém gritando “Não!” no prédio ao lado, número 29. A polícia, porém, não levou muita fé no depoimento de Albert.

Annie Chapman e seu ex-marido, John, em 1868.

O inspetor Abberline e seus colegas da Scotland Yard concluíram: Quem matou Chapman, matou Polly Nichols. A população de East End apavorou-se com a possibilidade de um assassino que matava mulheres indefesas. Qualquer mulher na rua, principalmente prostitutas, corria risco de vida. Porém, mesmo com medo, essas mulheres necessitavam, ganhar dinheiro para ter um leito para dormir. Sem alternativa, elas continuaram espalhadas pelas ruas.

Cadáver de Annie Chapman.
John Pizer: O Avental de Couro.


Withechapel passou a chamar a atenção dos londrinos. Policiais e reporteres estavam por toda parte. Os locais dos crimes eram cercados diariamente por pessoas curiosas. O ministro foi aconselhado a oferecer uma recompensa para quem tivesse alguma notícia do "Assassino de Whitechapel", ou "A faca", como era chamado, mas acreditou que a recompensa atrairia oportunistas, com falsas pistas.


Uma suspeita prevaleceu sobre o avental de couro encontrado próximo ao corpo de Chapman. A policia começou a interrogar as pessoas nas ruas, e um dos rumores que corriam era que um valentão, conhecido como Avental de Couro, seria o culpado pelos crimes. Avental de Couro estava sempre pelas ruas, tomando dinheiro de prostitutas e agredindo mulheres. Muitos acreditaram que ele poderia ser o assassino.


Outro individuo, muito semelhante à descrição das vítimas, era John Pizer, um engraxate. Um morador da Rua Hanbury o identificou como sendo o homem que ameaçara uma mulher com uma faca, na manhã de 8 de setembro. Pizer tinha a reputação de tomar parte em brigas e de maltratar prostitutas. Ele foi preso, em sua casa, na Rua Mulberry, em 10 de setembro. A polícia encontrou várias facas de lâminas longas. Na delegacia, uma mulher não o reconheceu. O homem da Rua Hanbury confirmou que Pizer era o sujeito que ameaçou uma mulher com uma faca, ele afirmou também, que Pizer era o Avental de Couro. O homem não reconheceu o Chapman como sendo a mulher que Pizer ameaçou. Foram verificados os locais onde Pizer estava no dia em que Nichols e Chapman, e os álibis se mostraram sólidos. John Pizer foi solto após um dia e meio.
John Pizer.
Nem a polícia nem mídia nunca conseguiu achar o verdadeiro Avental de Couro.

Duplo homicídio e a inscrição na Rua Goulston.

Policiais se posicionaram por toda Whitechapel, na tentativa de apanhar o assassino, incluindo policiais desfarçados de mulher. Na madrugada de domingo, 30 de setembro, 1:00 hora da manhã. Louis Diemschutz, mascate de jóias, voltava de um evento no Clube Intenracional Educacional dos Trabalhadores, rua Berner, uma organização de ajuda mútua fundada por judeus. Ele descia a Rua Berner na sua charrete, quando dobrou a esquina com a Dutfield. O animal assustou-se e parou. Louis notou algo estranhop caído no chão, ao aproximar-se e acender um fósforo, percebeu que se tratava de uma mulher deitada, devia está bêbada. Ele acreditou que poderia ser sua mulher, desceu e foi atá o clube onde ela trabalhava. Verificou que não era ela. Louis voltou com alguns membros do clube. Eles examinaram a mulher mais de perto, e perceberam que sua garganta estava cortada. Rapidamente, duas pessoas do grupo correram para chamar a policia. Eles encontraram outro sujeito, que se juntou à dupla, e seguiram até a esquina da rua Faircloug com a Rua Grove, onde encontraram o policial Henry Lamb. Os quatro voltaram ao local do crime.

Descoberta do cadaver na Rua Berner.

O Dr. William Blackwell foi chamado e chegou por volta das 1:16h. Ele declarou que a mulher havia sido morta há menos de 20 minutos. Desta vez o corpo não foi mutilado, ou seja, é provável que o assassino tivesse sido surpreendido por Diemschutz antes de realizar seu serviço. Enquanto Louis Diemschutz foi até o clube procurar pela mulher, o assassino, que estava escondido em algum local, conseguiu fugir.

O Dr. Blackwell acreditava que a mulher foi assassinada de pé, tendo sua garganta cortada. Havia sangue em abundância no local do crime, diferente do ocorrido nos crimes anteriores. Alguns ferimentos nas mãos da vítima indicavam luta. Mary Malcon, esposa de um alfaiate, identificou a vítima como sendo sua irmã, Eliazbeth Watts Stokes, por uma mordida de cobra na perna.

As 1:30h, trinta minutos após a descoberta do cadáver na saída da rua Berner, o policial Ed Watkins, da força policial de Londres, passave pela praça Mitre, que estava vazia e deserta. Em Londres, até hoje, existem jurisdições policiais sobrepostas. Londres possui sua própia força policial, que é separada da polícia metropolitana.

Entre 1:40h e 1:42h, o policial James Harvey fazia ronda na Church, três rotas para a praça Mitre. Enquanto isso, Watikins dava mais uma volta em torno da praça, desta vez indo para o lado oposto de onde se encontrava. Ele reparou algo caído no chão, ao se aproximar, percebeu que se tratava de um corpo de uma mulher.  Watikins iluminou o local, e viu que havia uma poça de sangue por debaixo da mulher. Ele teve sua garganta cortada e duas vestes estavam erguidas, seu abdômen aberto e os intestinos puxados para fora. Ele correu para chamar reforços e voltou para vigiar o corpo.  Um oficial respondeu o chamado, e trouxe consigo o Dr. George Willian Sequeira, este determinou que a mulher morrera a poucos minutos. Algum tempo depois, chegou ao local o Dr. Frederick Gordon Brown, médico legista da polícia da cidade. Ele fez um meticuloso exame no cadáver. Um dedal foi encontrado próximo aos dedos do cadáver. Intestinos dispostos ao ombro direito. O útero e rins haviam sido removidos e não estavam na cena do crime. O rosto e a orelha direita estavam muito mutilados. A morte foi resultado de uma hemorragia por conta de uma carótida rompida. Todas as mutilações foram post-mortem.

Descoberta do cadáver na Praça Mitre.
Em quanto a policia estava à procura do assassino, Alfred Long, policial metropolitano, passava pela Rua Goulston, às 02:20h, onde avistou um pedaço de tecido ensangüentado, ainda úmido, caído no patamar de entrada do Wentworth Model Dwellings, um conjunto habitacional, nos números 108 até o 119. Long verificou que o pedaço de tecido era semelhante ao usado pela vítima da Praça Mitre. Na parede próxima ao local onde estava o pedaço de tecido, havia uma inscrição a giz: “Os Judeos são os homens Que não Serão Culpados de nada.” Sic.
Número 108 da Rua Goulston, onde foi escrita a mensagem a giz.

O chefe da divisão H, Thomas Arnold, ao chegar na Rua Goulston, ficou receoso que a inscrição despertasse sentimentos anti-semitas na população. Havia em Whitechapel uma grande concentração de judeus, principalmente imigrantes. Eles trabalhavam, geralmente, em açougues, sapatarias e barbearias. Arnold queria que a inscrição fosse apagada, mas alguns policiais protestaram, dizendo que logo amanheceria e que fotos poderiam ser tiradas. O comissário de polícia Charles Warren chegou ao local e determinou que a inscrição fosse apagada. Havia medo que alguém quisesse por a culpa nos judeus. A inscrição foi apagada antes do nascer do sol, às 5:30h.

Charles Warren, determinou que a inscrição fosse apagada, com medo de atos anti-semitas.

A vítima da Rua Berner.

Em 1° de outubro, a vítima da Rua Berner foi finalmente identificada. Apesar de Mary Malcon ter identificado como sendo sua irmã, Elizabeth Watts Stokes, Stokes apareceu bem viva. O corpo era de outra Elizabeth: Elizabeth “Liz” Stride, imigrante sueca, de 44 anos. Ela foi identificada pelo policial Walter Frederick Stride, sobrinho de seu ex-marido. A única foto de Elizabeth Stride é póstuma, no necrotério. Havia sinais de que ela sofria de doenças crônicas.
No dia 29 de setembro, Elizabeth Stirde foi vista no bar Queen’s Head, por volta das 18:30h. Uma hora depois, na esquina da Flower com a Dean. Às 23:00h, dois homens viram deixar o bar Briclayers’ Arms, na rua Settles. Ela estava com um homem que parecia um inglês bem vestido, medindo aproximadamente 1,65m. Os dois caçoaram de Liz Stride, gritando para ela tomar cuidado com o avental de couro. 45 minutos depois, outro homem avistou Elizabeth na compania do mesmo homem, na Rua Berner. Após um beijo, o homem teoria dito: “Você não falará mais nada além de suas preces”. Minutos depois, um vendedor de frutas chamado Matthew Packer, vendeu uvas para o homem que os outros viram com Liz. O casal permaneceu em frente a loja de Pecker, na chuva, por mais de meia hora. O policial William Smith também viu o casal. James Brow, um estivador, afirmou ter visto Stride enconstada emn um muro, junto com um homem, na Rua Fairclough. A mulher dizia algo como: “Esta noite não, talvez outra noite qualquer.” Brown identificou positivamente o corpo de Stride como a mulher que vira na Rua Fairclough.

Liz Stride, no necrotério.

Ao mesmo tempo, um judeu húngaro, Israel Schwartz, afiemou está voltando do Clube Internacional dos trabalhadores, na Rua Berner, quando viu um homem derrubar Liz Stride ao chão. Ao atravessar a rua, o homem gritou “Lipski”, um insulto anti-semita que se referia a um homicida judeu que havia sido enforcado. Schwartz percebeu outro sujeito, fumando um cachimbo, próimo da ali. Com medo de ser assaltado, Israel Schwartz fugil. Ele também reconheceu Liz Stride como a mulher que vira envolvida no incidente. Ou seja, passaram-se mais ou menos 15 minutos desde que Schwartz viu Liz Stride sendo agredida até Louis Diemschutz encontra o cadáver.

A vítima da Praça Mitre.

Ao contrário de Liz Stride, A vítima da Praça Mitre foi facilmente identificada, pois trazia consigo alguns objetos pessoais, incluindo uma lata contendo duas notas de penhor. Elas estava no nome de Anne Kelly. Mary Anne Kelly havia sido recolhida bêbada na calçada na noite de sábado, e foi levada até a delegacia de Bishopgate, onde curaram sua embriaguez.  Na terça feira seguinte, John Kelly, um desempregado, foi a policia com medo de que as notas estivessem em nome de sua mulher, Catherine Kelly, também conhecida como Catherine Conway, cujo ex-marido era um soldado chamado Thomas Conway. John Kelly descobriu que realmente tratava-se de sua mulher. Catherine era mais conhecida pelo apelido, Kate e também pelo nome de solteira Eddowes.

Cadáver de Catherine Eddowes.
Outra foto do cadáver de Kate Eddowes

Catherine e John Kelly haviam voltado quinta-feira de uma viagem a Kente, onde fizeram um trabalho rural temporário. Passaram uma noite juntos no Abrigo Aléia Shoe, onde eram velhos conhecidos. Na sexta-feira, Kate deu algumas moedas para que John pudesse ficar em um alojamento e dirigiu-se para o abrigo de Mile End, para tentar dormir antes de trabalhar no dia seguinte. O casal se encontrou novamente no sábado, pela manhã. Catherine penhorou umas botas de John.

Catherine procurou sua filha para pedir dinheiro emprestado, mas não conseguiu achá-la. Naquela noite, 29 de setembro, aconteceu o incidente da delegacia, quando foi encontrada bêbada deitada em uma calçada, pelo policial Louis Robinson, da Policia da Cidade. Ela foi conduzida até a delegacia de Bishopgate. Ela foi liberada por volta das 1:00h. “Vou levar uma surra danada quando chegar em casa”, teria dito ela ao sair.

Durante o "Outono de horror" artistas fizeram dinheiro com gravuras representando os crimes em Whitechapel.

Por volta da 1:35h da madrugada, o vendedor de cigarros Joseph Lawende, o negociante de móveis Harry Harris e o açougueiro Joseph Levy acreditaram ter visto Catherine Eddowes numa das entradas da praça Mitre, conversando com um homem bem trajado. Não foi possível ver o rosto do sujeito.

As cartas Caro Chefe e Jacky Safado: Surge Jack, o estripador.

Na segunda-feira, 1° de outubro, no mesmo dia em que o cadáver de Stride foi identificado, duas correspondências – Uma carta e um cartão postal – foram publicadas no matutino Daily News e no vespertino Star. Elas haviam sido enviadas para a Agência Central de Notícias. A polícia, por sua própria conta, distribuiu cópias, na esperança de que a caligrafia fosse reconhecida por alguém. A carta estava escrita com vermelho e pastel, numa letra bem feita e fluente. Eis seu conteúdo:
25 de setembro de 1888
Caro Chefe,
Continuo a escutar que a polícia me apanhou, mas por enquanto não vão conseguir dar jeito em mim. Acho graça quando parecem tão espertos e dizem que estão no caminho certo. A brincadeira sobre o avental de couro me fez ter verdadeiros acessos de riso. Estou atrás das prostitutas e não vou parar estripá-las até me cansar. O último trabalho foi formidável. Não dei tempo para a senhora gritar. Como poderão me apanhar agora? Gosto do meu trabalho, e quero começar de novo. Em breve vocês terão notícias minhas e dos meu joguinhos engraçados.Guardei um pouco daquele material vermelho em uma garrafa de cerveja de gengibre, depois do último trabalho, para escrever com ele, mas ficou muito espesso, parecia cola, não pude usá-lo. Acho que a tinta vermelha já está bem, rá, rá! No próximo trabalho, vou cortar as orelhas da mulher e enviá-las para os policiais só por diversão, vocês não fariam o mesmo? Guarde esta carta até eu fazer mais alguma coisa, depois a distribuam logo. Minha faca está tão boa e afiada, que eu quero trabalhar imediatamente, assim que tiver a oportunidade.
Boa sorte.
Atenciosamente
Jack, o Estripador
Não leve a mal, se assino apenas meu nome artístico.



As duas partes da carta "Caro Chefe".

Essa foi a primeira menção do nome Jack, o estripador. Esta ficou conhecida como a carta “Caro Chefe”. O apelido anterior do E. D., Assassino de Whitechapel, seria substituído para sempre. A carta foi recebia em 27 de setembro. O cartão postal, enviado quatro dias depois, também escrita com tinta vermelha e pastel, trazia:

Eu não estava brincando, caro velho chefe, quando lhe dei a dica, amanhã você vai ficar sabendo do Evento duplo de Jacky Safado. Desta vez a número um gritou muito e eu não pude acabar logo. Não tive tempo de pegar as orelhas para a polícia. Obrigado por guardar a ultima carta até eu voltar de novo ao trabalho.
Jack, o Estripador

As duas correspondências despertaram suspeitas da polícia, principalmente por que Jack não teria cumprido o envio das orelhas, mesmo tendo tempo de ter feito isso. A segunda carta teria sido enviada no fim de domingo ou inicio de segunda-feira, quando todos souberam da notícia do duplo assassinato.
Cartão "Jacky Safado"


Jack era um nome popular (como João ou Zé, no Brasil), usado como nomes genéricos, assim como no Brasil se usa as expressões João-sem-braço, Zé ninguém e etc. Na Inglaterra se usava Jolly Jack Tar como nome genérico para marinheiros. Carrascos públicos eram apelidados de Jack Ketch, e assim por diante. O estripador surgiu por que os jornais usavam o temor estripar, e não eviscerar. É provável que ambas as correspondências tenham sido obra de um jornalista.
A policia totalmente perdida, caricatura de um jornal da época.

Notórios especialistas em casos, como o criador de perfis do FBI, John Douglas e o jornalista Paul Roland, também duvidam da autenticidade da carta.

“Do inferno”.

Em 16 de outubro, outra correspondência foi enviada. Dessa vez foi uma caixa, enviada para o superior do Comitê de Vigilância de Whitechapel, George Akin Lusk. A caixa de papelão contia um carimbo da agencia dos correios de Londres. Dentro dela, havia metade de um rim, conservado em vinho. Enrolada em torno do rim, havia uma carta, com uma letra grosseira e cheia de erros:

Sr. Lusk
Sinhor
Lhe mando metade de um Rins que tirei de uma mulher conservei pro sinhor o outro pedaço eu fritei e comi estava muito gostozo posso mandar também a faca que arrancou ele fora se o sinhor esperar mais um pouco
Sinado
Ma pegue quando puder
Sinhor Lusk

Lusk achou que a carta seria um trote, e que o rim não seria humano. Ele porém levou às autoridade para analises. O Dr. Thomas Openshaw, do hospital de Londres, acreditava se tratar de um rim humano, de alguém com idade entre 40 e 45 anos, sofrendo de alcoolismo crônico. Muitos outros especialistas examinaram o rim, mas as opiniões divergiram. A possibilidade de o rim ser de Kate Eddowes nunca foi descartada. A carta é tida, por muitos, como a única autentica do caso.

"From Hell", talvez a única carta verdadeira se Jack.

Mary Jane Kelly.

Manhã de sexta-feira, 9 de novembro. Thomas Bowyer, militar reformado do exército da índia, conhecido com Indian Harry, foi mandado por seu patrão, para receber um aluguel no prédio de sua propriedade, na Miller’s Court, número 13. Era praticamente ao lado do mercado de Spitalfields e a poucos passos da Rua Goulston, para o sul, e, para o nordeste de rua Hanbury, onde Chapman fora assassinada.
Thomas Bowyer.

Bowyer bateu na porta de Mary Jane Kelly, também conhecida como Ginger, Fair Emma e Black Mary, por seus clientes e amigos. Ela havia vindo da Irlanda e tinha 24 anos, muito bonita e atraente. Por volta das 10:45h, quando Bowyer chegou, bateu várias vezes na porta, porém não houve resposta, ele começou a suspeitar que ela não tivesse dinheiro, e pensou em forçar a porta, mas percebeu que, em uma janela com um vidro quebrado, havia um casaco e um cobertor que serviam como cortina. Ele decidiu afastar o cobertor e espiar pela janela.  Thomas ficou paralisado com a terrível visão que teve. Na cama, havia um cadáver, brutalmente castigado. O cadáver foi tão mutilado, tão rasgado e suas vísceras foram espalhadas, que perdera seu contorno e suas características humanas.

Janela (direita) por onde Thomas descobriu o corpo de Mary Kelly

Bowyer respirou fundo e foi correndo até uma loja de velas, onde relatou o que viu para o dono, McCarthy. Os dois voltaram até o local, onde o Sr. McCarthy espiou o cadáver dentro da casa. Ele pediu para que Thomas chamasse a policia. Boyer voltou com o inspetor Walter Beck e com o detetive Walter Dew. Este era um crime realizado no interior de uma casa, por isso a cena do crime foi preservada. A porta só foi aberta às 13:00h, quando o superintendente Thomas Arnold chegou.

A cama e todo o quarto estavam sujos de sangue. Segundo o Dr. George Bagster Phillips, aquilo seria o máximo do delírio do assassino. O rosto estava severamente retalhado e a cabeça, quase separada do corpo. Os seios haviam sido cortados fora, O abdômen aberto e os órgãos internos espalhados pelo quarto. Em muitas partes do resto do corpo, incluindo a zona púbica, a coxa e o glúteo direitos, a carne fora retirada do osso. O coração fora levado da cena. O criminoso não tentou somente desfeminar a vítima, mas sim desumanizá-la. A causa da morte foi a secção da carótida, mas todas as mutilações demoraram, no mínimo, duas horas para serem completas. Desta vez, o assassino tinha mais privacidade por em prática suas fantasias.
Corpo de Mary Kelly, o crime mais pavoroso de Jack.

O inspetor Frederick Abberline chegou e examinou a cena do crime, Concluiu que as cinzas na lareira eram remanescentes de roupas, que o assassino queimara ali, ele também utilizou o fogo para iluminar o quarto durante o crime.

Outra cena do crime.

Mary Kelly foi vista na noite de quinta feira, 8 de novembro, entre as 19:00 e 20:00h, na companhia de sua amiga, Lizzie Allbrook., por Joseph Barnett, um peixeiro com quem Kelly tiveram um caso anos antes. Barnett abandonou Kelly no fim de outubro, por que ela trouxe uma amiga prostituta para viver ali. Ele a visitava com freqüência, e, as vezes, deixava um pouco de dinheiro. Provavelmente ele queria tirar Kelly das ruas. A prostituta Mary Cox, afirmou ter visto Mary Kelly na companhia de um estranho homem, com marcas no rosto, bigode e chapel. Ela estava bêbada. Os vizinhos afirmaram que escutaram o canto de Mary Kelly entre 24:00 e 1:00h. Outras testemunhas afirmaram ter visto Kelly no bar Britannica na companhia de um jovem, por volta das 23:00h.

Mary Jane Kelly, bela como um lírio.

Às 2:00 da madrugada, ela abordou George Hutchinson, operário desempregado, antigo conhecido seu, e pediu uma moeda. Hutchinson não tinha dinheiro no momento. Kelly foi abordada por outro homem, George viu quando os dois conversavam e riam. Achou ouvir o homem dizer: “Você serve muito bem para o que eu quero fazer!” Hutchinson seguiu o casal até Miller’s Court e ouviu Mary dizer: “Tudo bem, querido, venha. Você estará confortável” . George Hutchinson não conseguiu ver o rosto do homem.

Na madrugada da sexta-feira, por volta das 3:45h, vizinhas ouviram um grito: “Oh, assassino!”. Se o grito foi de Mary Kelly, essas foram suas últimas palavras. Mary Kelly estava grávida na ocasião de seu assassinato.

Relatório Médico.
  • Nenhuma evidência de estupro;
  • O elemento matou as vítimas rapidamente;
  • O elemento controlou as vítimas durante o ataque;
  • O elemento removou os orgãos internos das vítimas demonstrando agilidade, talvez fosse um açougueiro;
  • Não há evidência de tortura;
  • As mutilações foram post-mortem;
  • Evidencia de estrangulamento com as mãos;
  • Em geral, o sangue se concentrava nas áreas restritas;
  • foram levados anéis de uma das vítimas;
  • A ultima vítima foi morta no interior de um quarto, o que fez com que fosse mais mutilada;
  • As mortes foram causadas durante a madrugada.
Desenho do cadáver de Catherine Eddowes

Conhecimento médico?

A quarta vítima, Kate Eddowes, teve o útero e um rim removidos. Isto levou o Dr. Brown a acreditar que o assassinato seria alguém com conhecimento médio. Ele teria se apossado dos órgãos para experimentos anatômicos. Entretanto, é bem mais provável que o assassino teria conseguido extirpar os órgãos por pura sorte, após puxar os intestinos para fora. Até o Dr. Brown concordou que esse crime poderia ter sido obra de alguém acostumado a cortar animais, como havia muitos açougueiros em Whitechapel...

Faca atribuida a Jack, o Estripador.

O perito George Sequeira concordou que não se tratava da obra de um perito, mas de alguém que não era completamente ignorante com o uso da faca. É mais provável que os ferimentos tenham sido feitos por um açougueiro, do que por um médico.


Mapa dos Crimes:



Suspeitos.
Wiliam Henry Bury .
 Em 10 de fevereiro de 1989, um homem de boa aparência foi até um posto policial, na cidade de Dundee, Escócia. Ele informou que sua esposa havia cometido suicídio. Quando os policiais foram até sua casa, encontraram o corpo da mulher com escoriações na garganta e cortes nos genitais. Ela havia sido estrangulada, degolada e brutalmente mutilada. Haviam mensagens escritas a giz: “Jack estripador está atrás da porta” e “Jack estripador esta neste porão”. Uma busca minuciosa revelou um baú, contendo um machado com sangue seco e dois anéis de ouro falso, muito parecidos com os arrancados dos dedos de Annie Chapman. William foi preso e interrogado. A policia ficou convencida que estava diante do assassino de Whitechapel, Bury se enquadrava na descrição de várias testemunhas, principalmente de William Marshall, testemunha do assassinato de Elizabet Stride. Ele também correspondia com o perfil psicológico, criado mais tarde, pelo FBI.


Willian Bury.

Bury era mentiroso compulsivo, sofria de paranóias, além de praticar furtos. Andava munido de facas e tinha ódio por mulheres. Acreditava ser portador de uma doença venérea. Bury não tinha álibis para as noites dos crimes em Whitechapel. A polícia acreditava que Bury poderia ser o Estripador. O inspetor Abberline foi até onde Bury estava, mas Bury se negou a falar. Quando ele foi enforcado, Abberline declarou: “Estamos bem satisfeitos com o fato de ter enforcado Jack.”
Frederick Abberline.

George Chapman: O Serial Killer.


George Chapman.

Chapman nasceu na Polônia, em 1863, Severin Antoniovich Klosowski. Assumiu o nome George Chapman na tentativa de afastar de si as autoridades britânicas, que começavam a suspeitar de seu envolvimento na morte de suas esposas. Chapman havia trabalhado como assistente de cirurgião, enquanto vivia na Polônia, porém não se qualificou. Ele foi para a Inglaterra em 1887, e conseguiu um emprego como assistente de barbeiro. Mais tarde, ele conseguiria abrir sua própria barbearia em Cable Street, 126. Localizada próxima ao local dos crimes.
Chapman e uma de suas ex-mulheres.

Chapman foi julgado em 1903, pela série de assassinatos . Ele demonstrava esporádicos sinais de violência. Ele foi visto diversas vezes perambulando de madrugada pelo East End, não trabalhava nos fins de semana, quando os assassinatos ocorreram. A época dos crimes também condizia com a época em que Chapman chegou e saiu de Whitechapel. O problema em relacioná-lo aos crimes em Whitechapel, é que, Chapman assassinava as esposas por envenenamento, dificilmente um assassino mudaria seu Modus Operandi tão bruscamente. Além disso, Chapman não era compatível com a descrição das testemunhas. Outra questão a se observar, Chapman era sexualmente insaciável, e nenhuma das vítimas foram sexualmente violentadas, pelo contrário, as mutilações aparentam alguém sexualmente inibido. Chapman foi enforcado em 7 de abril de 1903.

Francis Tumblety.
Francis Tumblety.

O Dr. Francis Tumblety não era um suspeito em potencial. Ele nasceu na Irlanda, em 1830, e se mudou, ainda durante a infância, para Nova York.  Tumblety aprendeu rudimentos médicos com um farmaceutico,e se estabeleceu como "médico" em Detroid. Mudava de cidade quando  sua farsa era descoberta. Em 7 de novembro de 1888, foi preso em Londres, por atentado violento ao pudor e agressão armada. Enquanto aguardava julgamento, fugil para a França, e de lá, novamente para os EUA, onde se estabeleceu com um nome falso. Ele soube que a polícia suspeitava dele, e quando o inspetor da Scotland Yard chegou a New York, Francis mudou de cidade. Ele retornou a Rochester, onde morou com sua irmã até sua morte, em 1903

Neill Cream.
O envenenador Neill Cream.
O Dr. Neil Crem, tinha um histórico de incendio, chantagem e práticas de abortos. Ele foi condenado em 1892 pelo assassinato de 4 prostitutas por envenenamento, em londres. Enquanto estava no cadafalso, no momento de sua morte, declarou: "Sou Jack, o...", mas não conseguiu completar a frase.

Roslyn D'Onston: O médico do demônio.


O médico satanista D'Onston.

O Dr. Roslyn D'Onston (na verdade, ele se chamava Robert Donston Stephenson) era um sujeito que se divertia enganando a policia, enviando cartas contando inverdades e pistas tentadoras. Ele era um assumido satanista, praticante de magia negra e extremamente gabola. Adorava dizer que tinha conhecimento sobre os crimes, principalmente para os amigos e para a amante. Segundo ele, Jack usaria partes das vítimas em rituais satânicos, ele escreveu isso em um artigo na Pall Mall Gazette. Também tinha vício em drogas e em álcool. Por causa de seu apelido, "Morte Súbita", muitos  investigadores começaram a suspeitar dele. Sua amante, Mabel Collins, encontrou o que poderia ser uma pista importante: Uma maleta preta, contendo várias gravatinhas com sangue seco. Elas poderiam ter sido guardadas para o assassino relembrar seus crimes. Após o assassinato de Mary Kelly, D'Oston supostamente tornou-se cristão.

Suspeitos de Melville L. Macnaghten.
Macnaghten, se coligou com à Scotland Yard em 1889.

Suspeito número 1: Montague John Druitt.
Druitt foi um dos três nomes mencionados por Melville, chefe do Departamento de Investigações Criminal, em 1889. Druitt era formado em direito e dava aulas em uma escola, além de ser um ótimo jogador de críquete. Apesar de está no primeiro lugar da lista de suspeitos, Montague Druitt era um candidato improvável. Veremos os fatos que o ligavam aos crimes:
  • Druitti cometeu suicidio atirando-se no Tâmisa. Após suas morte, os crimes cessaram;
  • Tinha um escritório em Withechapel;
  • Foi demitido por causa de um comportamento sexual inadequado;
  • Sua família acreditava que ele era o assassino de Whitechapel
Agora vejamos  os fatos que vão contra a culpabilidade de Druitt.
  • Druitt morava em Blackheath e não em East End. Seria difícil ele voltar para casa manchado de sangue sem ser percebido.
  • Druitt cometeu suicidio, algo que incompatível com a personalidade do Estripador;
  • As testemunhas descreveram um sujeito espadaúdo e robusto, sempre bem vestido. Druitt era magro;
  • Druitt participou de um jogo de críquete em 1° de setembro, em Dorset, na manhã após o assassinato de Polly Nichols, e em 8 de setembro, em Blackheath, horas depois do assassinato de Annie Chapman;
  • Melville apresntou Druitt como suspeito após descobrir que ele havia cursado medicina. Mas Druitt, apesar de fazer parte de uma família de médicos, nunca cursou medicina.
Montague John Druitt.


A lista não para por aí. Com tantos fatos que vão contra, a presença de Druitt na lista aparentemente seria um sinal de desespero em se apontar suspeitos.

Suspeitos 2 & 3: Aaron Kosminski e Michael Ostrog.
Kosminski e Ostrog foram os outros suspeitos de Melville, assim como Druitt, suas presenças na lista parecem uma tentativa desesperada de apontar um suspeito.

Não havia nenhuma evidencia que ligasse Kosminski ao assassino de Withechapel. Melville apresentou um relatório baseado em inverdades. Como por exemplo, a data da morte. Kosminski não morreu em 1889, mas quase trinta anos depois. Ele passou parte de sua vida em um manicômio, pois era deficiente mental. Aliás, ele era conhecido por toda a East End, como um retardado dócil. Era um imigrante judeu polonês, sujo e maltrapilho, além de comer alimentos do lixo, completamente diferente dos relatos das testemunhas de Whitechapel. A única coisa que poderia ligá-lo aos crimes, era uma repulsa pelas mulheres.
Aaron Kominski

Ostrog era um ladrão mentiroso compulsivo, mas assim como os anteriores, não há nada que o ligue ao homicídios em Whitechapel. Michael Ostrog nasceu na Russia, tinha experiencia médica e antecedentes criminais que datavam 1863. Havia sido detido em Osford com documentos falsos, e, em várias ocasiões, por furtos e roubos. Em setembro de 1887, ele foi declarado mentalmente louco, e tentou suicídio, saltando na frente de um term, enquanto era escoltado. Ostrog foi libertado e estava em Whitechapel durante o "outono do terror", mas nunca esboçou nenhum ato violento. Ele poderia se enquadrar no perfil do assassino, mas, na ocasião dos crimes, Ostrog usava uma barba longa e espessa, o que, com certeza, não passaria despercebido.
Michael Ostrog.

Assim, podemos descartar a lista de Melville...

Teorias.
O caso do estripador é um prato cheio para teorias, algumas mirabolantes. Decidi colocar quatro das principais:

Conspiração Real.
Uma teoria com ar conspirativo envolvendo o Príncipe Albert Victor - Sua Alteza Real o duque de Clarence, conhecido como Príncipe Eddy, dizia que ele tinha o costume de visitar Whitechapel. Ele se enamorou com Annie Crook que acabou engravidando. Os dois se casaram secretamente. Com medo de que o nome da família fosse sujado. A Rainha ordenou que Annie fosse internada em um hospício. Porém Annie havia confidenciado seu segredo e entregado seu filho á uma amiga: Mary Jane Kelly. Mary, em uma ocasião, acabou deixando escapar o segredo para Annie Chapman, Catherine Eddowes, Polly Ann Nichols e Elizabeth Stride. Como evitar a ruína na Família Real? O jeito seria matar todas as envolvidas. Assim, o médico da rainha, Sir. William Gull, faria o serviço sujo.

Principe Eddy: Seria ele o assassino?

Uma outra versão dessa teoria, seria que o próprio Príncipe Albert seria o estripador. Que teria ódio das mulheres e teria casos homossexuais. Sendo um excelente caçador, Albert teria habilidade em assassinar as vítimas.

Nenhumas das duas versões são confiavéis. Na verdade são absurdas: Elas não apareceram na época dos crimes, mas sim na década de 60. O problema principal, é que Eddy não passaria despercebido pelas testemunhas. Ele também tinha um álibi para todas as ocasiões dos homicídios. Realmente, existiu uma mulher chamada Annie Crook, mas ela nunca passou por nenhum sanatório. E sobre o médico real, Willian Gull, ele foi vítima de um derrame cerebral em 1887, além de está com mais de 70 anos. Seria impossivel alguém nessas condições matar e estripar alguém.
William Gull, médico da rainha. Em 1887 sofreu um derrame cerebral que limitou os movimentos de seu lado direito. Em 1888 ele tinha 72 anos de idade.

Jill, a estripadora.
Na época dos crimes, o inspetor Abberline considerou seriamente essa teoria. Talvez por frustração por não ter conseguido apanhar o assassino e evitado mais assassinatos. Abberline debateu sobre a possibilidade do Estripador se uma Estripadora, talvez uma parteira, pois ela teria desculpas o suficiente para andar suja de sangue por aí. Poderia ser uma aborteira. Wilian Stuart, autor do livro Jack the Ripper: A New Theory, deu ênfase a essa teoria.

Walter Sickert: O pintor assassino.
Outra Teoria sem cabimento, seria a proposta pela escritora americana Patricia Cornwell, autora de notáveis romances policiais. Ela disse que, certa vez, ao ver o retrato do pintor impressionista Walter Sickert, ela se convenceu qeu ele era Jack, o estripador. Começou assim então uma série de análises, muitas vezes, duvidosas. 

Walter Sickert.

Quando você encontra evidências de algo, você propões uma teoria. Se conformes os estudos as evidências apontarem para outro lado, sua teoria deverá seguir o caminhi, certo? Mas parece que isso não acontece no caso de Cornwell. Ele realizou os estudos com a certeza que Sickert era o assassino, e arrastou as evidências, até que elas ficassem de acordo com sua vontade. Ela gastou mais de 4 milhões de dólares comprando pinturas de Sickert (algumas, incrivelmente, foram destruídas para se buscar "mensagens ocultas"), afirmando que elas retratavam as cenas dos crimes. Mas a única cena de crime retratada foi a de Mary Kelly, as outras fotos foram feitas no necrotério. Como Patricia sabia como eram as cenas de crimes. Um exame de DNA, na carta "Caro Chefe" foi feito, o resultado: negativo. Ela então partiu para o exame mitocondrial, que deu positivo. Porém, o DNA mitocondrial pode ser compartilhado por várias pessoas, sendo somente o DNA nuclear válido.

Pinturas de Walter Sickert: Teriam elas mensagens das cenas dos crimes?

Walter Sickert era apenas um pintor brilhante. O fato de a maioria de suas modelos serem prostitutas se dá devido ao fato das prostitutas aceitarem ser retratadas nuas, coias que muitas mulheres da sociedade não aceitavam. Outro banho de água fria, é que Sickert estava na Escócia na ocasião de um dos crimes.

Fim.
Mais de cem anos depois dos crimes em Whitechapel, um retrato  de Jack foi feito com ajuda dos testemunhos da época.

Em 2008, profissionais do FBI criaram um perfil do estripador. John Douglas, acredita que ele era um outro suspeito, menos conhecido, chamado David Cohen. Paul Roland, autor do livro Ther Murderes of Jack, The Ripper, acredita que o açougueiro Jacob Levy tenha sido o estripador, porém seja responsável por apenas 3 crimes. Seja quem for, ele nunca pagou, nem pagará, pelos seu crimes. É bem provável que Jack tal como conhecemos tenha sido apenas uma figura inventada pela mídia londrina. Vale ressaltar, que durante seus crimes, a venda de jornais aumentou. Muitos acreditam que a figura mais enigmática da história, talvez nunca existiu. Mas isso, só Deus, o Diabo, ou o próprio Jack podem responder.

Um comentário:

  1. amei!!! essa historia me intriga muito!
    eu sinceramente acho que isso foi lenda urbana, foi uma tentativa politica de afastar prostituas ou alguma coisa assim. Mas nunca se sabe né..

    ResponderExcluir